nem todas as telas são iguais: como distinguir os bons dos maus usos

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O debate sobre as telas muitas vezes se resume a uma oposição binária: as telas seriam intrinsecamente boas ou fundamentalmente más. Essa visão maniqueísta oculta uma realidade muito mais sutil. O que realmente importa não é a tela em si, mas o uso que fazemos dela. Aprender a distinguir os bons dos maus usos permite que os pais adotem uma abordagem educativa mais pertinente e eficaz. Vamos explorar juntos os critérios que permitem fazer essa distinção essencial.

A tela: uma ferramenta neutra com múltiplos usos

Superar a demonização das telas

Desde a aparição da televisão, cada nova tecnologia de tela gerou preocupações parentais. A televisão iria embrutecer as crianças, os videogames torná-las-iam violentas, a Internet as exporia a todos os perigos, os smartphones as isolariam socialmente. Essas preocupações, embora compreensíveis, se baseiam em um erro fundamental: atribuir ao instrumento propriedades que na verdade dependem de seu uso.

Uma tela é uma ferramenta neutra, assim como um livro ou uma faca de cozinha. Um livro pode servir para enriquecer intelectualmente ou para propagar ideias perigosas. Uma faca pode ajudar a preparar uma refeição nutritiva ou ferir alguém. Da mesma forma, uma tela pode ser um vetor de aprendizado, criatividade e conexão, ou, ao contrário, favorecer a passividade, o isolamento e comportamentos problemáticos.

A qualidade do uso determina o impacto

As pesquisas científicas mais recentes confirmam essa visão sutil. Os estudos que examinam o impacto das telas no desenvolvimento das crianças encontram resultados muito variados dependendo da natureza do uso. Alguns usos estão associados a benefícios cognitivos, sociais e emocionais. Outros estão correlacionados a dificuldades comportamentais, distúrbios do sono ou problemas de atenção.

O que faz a diferença não é a presença ou ausência de tela, mas um conjunto de fatores qualitativos: o tipo de conteúdo, o grau de interatividade, o contexto de uso, o acompanhamento parental, a idade da criança e sua sensibilidade pessoal. Compreender esses fatores permite guiar as crianças para usos benéficos e limitar os usos problemáticos.

Os critérios para avaliar a qualidade de um uso digital

Critério n°1: O grau de engajamento cognitivo

Um primeiro critério fundamental para distinguir os bons dos maus usos é o nível de engajamento cognitivo requerido. Algumas atividades digitais solicitam ativamente as capacidades de reflexão, resolução de problemas, planejamento e criatividade. Outras exigem apenas uma atenção mínima e envolvem superficialmente o cérebro.

As atividades de alto engajamento cognitivo incluem jogos de estratégia e lógica, aplicativos de programação, ferramentas de criação gráfica ou musical, conteúdos educacionais interativos que fazem perguntas e se adaptam às respostas da criança. Esses usos estimulam o desenvolvimento intelectual e podem reforçar habilidades valiosas.

As atividades de baixo engajamento cognitivo incluem o consumo passivo de vídeos em streaming, o scroll sem propósito nas redes sociais, jogos muito simples baseados em ações repetitivas sem dimensão estratégica. Esses usos não trazem benefícios de desenvolvimento significativos e podem, em excesso, prejudicar a capacidade de concentração.

Critério n°2: O valor educativo do conteúdo

O conteúdo em si é um critério determinante. Alguns conteúdos digitais são explicitamente projetados para ensinar, informar ou desenvolver habilidades. Outros visam apenas o entretenimento sem aporte educativo, ou até mesmo divulgam informações erradas ou valores problemáticos.

Os conteúdos educacionais de qualidade são desenvolvidos por profissionais da educação, baseiam-se em princípios pedagógicos comprovados, são adaptados à idade da criança e propõem uma progressão coerente. Eles transformam o tempo de tela em tempo de aprendizado.

No entanto, o valor educativo não deve ser o único critério. Um conteúdo de puro entretenimento pode ter seu lugar em uma vida equilibrada, desde que permaneça em proporções razoáveis. O objetivo não é eliminar todo entretenimento, mas garantir que ele não monopolize todo o tempo de tela.

Critério n°3: O impacto nas interações sociais

Os efeitos de um uso digital na vida social da criança constituem um terceiro critério importante. Alguns usos favorecem interações sociais positivas: jogos colaborativos, ferramentas de comunicação com entes queridos, atividades digitais compartilhadas em família. Outros tendem a isolar a criança e reduzir suas interações presenciais.

Um uso é problemático quando substitui as relações sociais em vez de complementá-las, quando leva a criança a se retirar das atividades familiares ou amigáveis, ou quando gera conflitos interpessoais (disputas online, cyberbullying). Por outro lado, um uso que enriquece a vida social, cria tópicos de conversa compartilhados ou mantém laços com entes queridos distantes pode ser considerado positivo.

Critério n°4: Os efeitos na saúde física

O impacto na saúde física não deve ser negligenciado na avaliação de um uso digital. Qualquer atividade em tela prolongada incentiva a sedentariedade, o que representa problemas de saúde pública em um contexto onde a obesidade infantil está em ascensão. Além disso, a exposição às telas à noite pode perturbar o sono devido à luz azul emitida e à estimulação cognitiva induzida.

Um bom uso digital integra mecanismos que limitam esses efeitos negativos: pausas regulares, interrupções para se movimentar, desligamento com antecedência antes de dormir. Os aplicativos que impõem pausas ativas representam uma inovação interessante nessa perspectiva.

É exatamente essa a abordagem adotada por COCO PENSE e COCO BOUGE, o aplicativo educativo da DYNSEO. Este programa único impõe automaticamente uma pausa esportiva a cada 15 minutos de jogo. A criança deve realizar exercícios físicos lúdicos antes de poder continuar. Essa funcionalidade transforma um risco potencial (a sedentariedade) em oportunidade (a atividade física regular), ao mesmo tempo em que previne comportamentos de uso excessivo. Descubra COCO PENSE e COCO BOUGE

Critério n°5: O potencial aditivo

Alguns aplicativos e plataformas são deliberadamente projetados para maximizar o engajamento e o tempo gasto, explorando mecanismos psicológicos semelhantes aos utilizados pela indústria de jogos de azar. Notificações incessantes, recompensas aleatórias, conteúdos infinitos, ciclos de feedback: essas características criam um potencial aditivo que deve ser identificado e limitado.

Um uso saudável é um uso que a criança pode interromper sem dificuldade maior, que não gera angústia quando não está disponível, e que não leva a negligenciar outras atividades essenciais (refeições, sono, deveres, relações sociais). Quando um uso provoca crises nas tentativas de limitação, uma dificuldade crescente em se desvincular ou uma preocupação obsessiva, esses sinais de alerta merecem atenção.

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Exemplos concretos de bons e maus usos

Os usos benéficos

Aqui estão alguns exemplos de usos digitais geralmente considerados benéficos para as crianças, desde que praticados com moderação e em um contexto adequado:

Os aplicativos educacionais de qualidade oferecem conteúdos pedagógicos interativos, adaptados à idade e desenvolvidos por profissionais. Eles transformam o aprendizado em uma experiência lúdica e podem reforçar os conhecimentos escolares ou desenvolver novas habilidades.
Os jogos de estratégia e lógica desafiam as capacidades de reflexão, planejamento e resolução de problemas. Eles desenvolvem habilidades cognitivas transferíveis para outras áreas.
As ferramentas de criação digital permitem que a criança se expresse, crie e desenvolva habilidades técnicas. Desenho digital, edição de vídeo, criação musical, programação: essas atividades são fontes de aprendizado e realização.
As comunicações com os entes queridos mantêm os laços familiares e amigáveis, apesar da distância geográfica. Chamadas de vídeo com os avós, mensagens para amigos: esses usos enriquecem a vida social da criança.
Os documentários e conteúdos informativos de qualidade ampliam horizontes, alimentam a curiosidade e trazem conhecimentos sobre o mundo.

Os usos problemáticos

Por outro lado, alguns usos apresentam riscos mais significativos e merecem uma vigilância especial:

A visualização passiva em streaming de vídeos gerados por algoritmos mantém a atenção cativa sem trazer benefícios significativos. Os sistemas de recomendação criam uma experiência sem fim que desencoraja a parada natural.
O scroll compulsivo nas redes sociais expõe a conteúdos muitas vezes superficiais, favorece a comparação social prejudicial para a autoestima e cria um hábito difícil de interromper.
Os jogos projetados para maximizar o engajamento utilizam mecanismos aditivos (recompensas aleatórias, compras integradas, notificações) que exploram vulnerabilidades psicológicas.
A exposição a conteúdos inadequados, incluindo violência excessiva, pornografia, discursos de ódio ou informações falsas, pode ter efeitos negativos no desenvolvimento psicológico da criança.
As interações com estranhos em plataformas mal moderadas expõem a riscos de cyberbullying, fraudes ou contato com predadores.

Como orientar seu filho para os bons usos

Selecionar os conteúdos e aplicativos

A primeira etapa para favorecer os bons usos é controlar o ambiente digital da criança. Para os mais jovens, isso significa selecionar pessoalmente os aplicativos instalados, os sites acessíveis e os conteúdos disponíveis. Para os mais velhos, trata-se de definir juntos um quadro e critérios de seleção.

Reserve um tempo para explorar os aplicativos antes de oferecê-los ao seu filho. Teste-os você mesmo, leia as opiniões de outros pais, informe-se sobre as práticas de coleta de dados e os mecanismos de monetização. Os aplicativos gratuitos financiados por publicidade ou compras integradas merecem uma vigilância especial.

Priorize os aplicativos desenvolvidos por atores comprometidos com a educação e o bem-estar das crianças, que não buscam maximizar o tempo gasto, mas trazer um valor real.

Estabelecer regras claras e coerentes

Regras familiares claras sobre o uso das telas ajudam a criança a desenvolver bons hábitos. Essas regras podem abranger os momentos de uso permitidos (não durante as refeições, não antes dos deveres, não após uma certa hora), a duração diária ou semanal, os tipos de conteúdos acessíveis e os espaços da casa onde as telas estão presentes.

O importante é que essas regras sejam coerentes (as mesmas regras se aplicam todos os dias), explicadas (a criança entende por que elas existem) e aplicadas com consistência (sem exceções que esvaziariam as regras de seu sentido). As regras podem evoluir com a idade da criança e seu nível de maturidade digital.

Acompanhar e dialogar

Além do controle, o acompanhamento parental é o recurso mais poderoso para orientar a criança para bons usos. Interessa-se pelo que seu filho faz nas telas. Faça perguntas abertas: o que ele assistiu, aprendeu, criou? Com quem ele jogou ou trocou ideias? O que ele gostou ou não gostou?

Essas conversas permitem compreender seu universo digital, orientá-lo para conteúdos de melhor qualidade, detectar possíveis problemas e transmitir progressivamente os critérios de avaliação que lhe permitirão fazer suas próprias escolhas a longo prazo.

Assistam a conteúdos juntos, joguem jogos em família, explorem aplicativos lado a lado. Esses momentos compartilhados criam oportunidades de discussão e mostram à criança que você se interessa por seus interesses digitais.

Para desenvolver suas habilidades de acompanhamento digital parental, DYNSEO oferece uma formação online completa “Sensibilizar sobre as telas: compreender, agir, acompanhar”. Esta formação fornece as chaves para entender os desafios das telas, avaliar a qualidade dos usos e implementar uma educação digital eficaz dentro de sua família.

Dar o exemplo

As crianças aprendem mais pela observação do que pelos discursos. Sua própria relação com as telas influencia profundamente os hábitos que seu filho desenvolverá. Se você passa suas noites rolando seu telefone, se está constantemente interrompido por notificações, se tem dificuldade em desconectar durante os momentos familiares, a mensagem implícita que você envia contradiz suas recomendações verbais.

Questione-se honestamente sobre seus próprios usos digitais. Eles são exemplares? Refletem os valores que você deseja transmitir? Se não for o caso, trabalhar em seus próprios hábitos pode ser o primeiro passo para uma educação digital familiar bem-sucedida.

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Sensibilizar as crianças a distinguir os usos

Desenvolver seu espírito crítico

Além de controlar e acompanhar, um objetivo educativo central é desenvolver na criança a capacidade de distinguir por si mesma os bons dos maus usos. Essa competência de autorregulação será valiosa ao longo de sua vida, muito depois de ter deixado o lar familiar.

Para isso, envolva progressivamente a criança na avaliação dos conteúdos e aplicativos. Pergunte a ela: “O que você aprendeu com este jogo?”, “Como você se sente depois de assistir a este vídeo?”, “Este aplicativo te ajuda em algo ou apenas te faz perder tempo?”. Essas perguntas a levam a refletir sobre seus usos em vez de os suportar passivamente.

Ensine-a os critérios de avaliação: engajamento cognitivo, valor educativo, impacto social, efeitos na saúde, potencial aditivo. Adapte o vocabulário e as explicações à sua idade, mas não hesite em abordar esses conceitos que estão ao seu alcance.

Organizar atividades de sensibilização

Atividades estruturadas de sensibilização podem complementar as discussões informais. Analise juntos uma propaganda de um aplicativo e identifique as técnicas usadas para atrair os usuários. Compare dois jogos diferentes e discuta suas qualidades e defeitos respectivos. Leiam juntos os termos de uso de um aplicativo e discutam o que eles implicam.

DYNSEO desenvolveu um workshop de sensibilização sobre o uso das telas especialmente projetado para escolas primárias, acompanhado de recursos pedagógicos gratuitos. Este workshop propõe atividades lúdicas e acessíveis para abordar com as crianças a questão dos bons e maus usos. Ele pode ser utilizado em sala de aula, em centros de lazer ou até mesmo em casa. Descubra o workshop de sensibilização sobre telas

Perguntas frequentes dos pais

Os videogames são todos ruins?

Não, os videogames não são todos ruins. Como vimos, o que importa é a natureza do jogo e o contexto de uso. Um jogo de estratégia que exige reflexão e planejamento, um jogo criativo que permite construir e inventar, um jogo cooperativo que favorece o trabalho em equipe são exemplos de jogos potencialmente benéficos.

Por outro lado, os jogos projetados principalmente para maximizar o engajamento através de mecanismos aditivos, os jogos que expõem a conteúdos violentos ou inadequados, os jogos que incentivam compras compulsivas merecem uma vigilância especial.

Como saber se um aplicativo é de qualidade?

Vários indícios podem ajudá-lo a avaliar a qualidade de um aplicativo. Verifique quem o desenvolveu: uma equipe que inclui profissionais da educação ou da saúde é um sinal de seriedade. Leia as opiniões, priorizando aquelas que são detalhadas e argumentadas. Teste o aplicativo você mesmo antes de oferecê-lo ao seu filho.

Desconfie de aplicativos gratuitos cujo modelo econômico se baseia na publicidade ou compras integradas: seus criadores têm interesse em maximizar o tempo gasto em vez de trazer um valor real. Aplicativos pagos ou desenvolvidos por organizações sem fins lucrativos geralmente têm incentivos mais alinhados com o bem-estar do usuário.

Meu filho só quer usos “ruins”, o que fazer?

Essa situação é comum e pode parecer desencorajadora. Várias estratégias podem ajudar. Primeiro, evite a proibição brusca que pode criar um apelo ainda maior pelo proibido. Em vez disso, proceda com uma redução progressiva e substituição.

Ofereça alternativas atraentes: um jogo de qualidade que aborda um tema semelhante ao que ele gosta, uma atividade criativa relacionada aos seus interesses. Envolva-o na descoberta de novos aplicativos ou conteúdos. Estabeleça limites claros sobre os usos problemáticos, enquanto deixa uma margem de liberdade para os usos aceitáveis.

Seja paciente: os hábitos não mudam da noite para o dia. Cada pequeno passo em direção a melhores usos é uma vitória a ser celebrada.

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As ferramentas tecnológicas a serviço de usos de qualidade

Os controles parentais: úteis, mas insuficientes

As ferramentas de controle parental podem ajudar a limitar o acesso a certos conteúdos e a definir limites de tempo. Elas constituem uma rede de segurança útil, especialmente para crianças pequenas. No entanto, não são suficientes para garantir usos de qualidade.

Um controle parental que limita o tempo de tela a uma hora por dia não distingue se essa hora é passada em um aplicativo educativo ou em vídeos sem valor. Além disso, as crianças crescem, tornam-se mais habilidosas tecnicamente e aprendem a contornar as restrições. Uma educação baseada apenas no controle não prepara para a autonomia.

Aplicativos projetados para o bem-estar

Felizmente, alguns desenvolvedores criam aplicativos integrando o bem-estar do usuário em sua própria concepção. Esses aplicativos não buscam maximizar o tempo gasto, mas trazer um valor real, incluem mecanismos de regulação naturais e são transparentes sobre suas práticas.

COCO PENSE e COCO BOUGE da DYNSEO é um excelente exemplo dessa abordagem responsável. Ao impor pausas esportivas regulares, o aplicativo estruturalmente impede o uso excessivo, ao mesmo tempo em que traz um benefício adicional (a atividade física). Esse tipo de design ético deve ser um critério de seleção para os pais.

Conclusão: educar em vez de proibir

A distinção entre bons e maus usos das telas é a chave para uma educação digital bem-sucedida. Em vez de demonizar as telas ou tentar eliminá-las, aprendamos a nossos filhos a usá-las de maneira esclarecida e equilibrada.

Essa educação passa pela seleção de conteúdos e aplicativos de qualidade, o estabelecimento de regras claras e coerentes, o acompanhamento benevolente dos usos, o exemplo parental e o desenvolvimento progressivo do espírito crítico da criança. Ela visa formar usuários autônomos e responsáveis, capazes de tirar o melhor proveito das tecnologias digitais enquanto evitam suas armadilhas.

As ferramentas e recursos oferecidos pela DYNSEO, seja a formação “Sensibilizar sobre as telas: compreender, agir, acompanhar”, o workshop de sensibilização para escolas primárias ou o aplicativo COCO PENSE e COCO BOUGE, acompanham os pais e os profissionais da infância nessa missão educativa essencial.

Ao aprender a distinguir os bons dos maus usos, damos a nossos filhos as chaves para navegar no mundo digital com discernimento. Esse é o fundamento de uma parentalidade digital esclarecida e responsável.

Este artigo foi útil para você? Descubra outros recursos sobre educação digital e parentalidade no blog DYNSEO. Para aprofundar esses temas, explore nossa formação completa e nossos aplicativos educativos projetados para um uso saudável e enriquecedor das telas.

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