Ortofonia e Doença de Alzheimer: Adaptar sua Abordagem

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👴 Prática Clínica - Adultos e Idosos

Fonoaudiologia e Doença de Alzheimer: Adaptar o Atendimento

A doença de Alzheimer altera progressivamente a linguagem e a comunicação. O fonoaudiólogo desempenha um papel essencial na manutenção das capacidades e no acompanhamento do paciente e de seu entorno.

Com mais de um milhão de pessoas afetadas na França, a doença de Alzheimer representa um grande desafio de saúde pública. Os distúrbios da linguagem, presentes desde os estágios iniciais, impactam profundamente a comunicação e a qualidade de vida. A intervenção fonoaudiológica visa preservar as capacidades pelo maior tempo possível e manter o vínculo com o entorno.

🧠 Distúrbios de linguagem na doença de Alzheimer

Os distúrbios da linguagem aparecem precocemente na doença de Alzheimer e evoluem progressivamente. Eles afetam primeiro o lado léxico-semântico antes de impactar todas as componentes linguísticas em estágios mais avançados.

📝

Falta da palavra

Dificuldade crescente em encontrar as palavras, perífrases, palavras vazias ("coisa", "negócio")

🔄

Distúrbios semânticos

Perda de conhecimento sobre as palavras, confusões de sentido, empobrecimento do vocabulário

💬

Discurso desorganizado

Dificuldades em manter o fio da conversa, divagações, repetições, perda do tema

1.2M
pessoas afetadas na França
80%
com distúrbios da linguagem
65+
anos de idade média no diagnóstico
3M
de pessoas envolvidas (pacientes + cuidadores)

📊 Evolução segundo os estágios

🟢 Estágio leve

Linguagem: Falta da palavra ocasional, leves distúrbios de fluência, compreensão preservada para trocas simples.

Intervenção: Estimulação ativa, reforço das estratégias compensatórias, manutenção das atividades sociais.

🟡 Estágio moderado

Linguagem: Falta da palavra frequente, parafásias, dificuldades de compreensão de enunciados complexos, repetições.

Intervenção: Adaptação das atividades, suportes visuais, simplificação da comunicação, orientação do entorno.

🔴 Estágio severo

Linguagem: Expressão muito reduzida ou até mutismo, compreensão limitada ao contexto, comunicação não verbal predominante.

Intervenção: Manutenção do contato, comunicação não verbal, qualidade de vida, acompanhamento do entorno.

🎯 Objetivos da intervenção fonoaudiológica

Ao contrário das patologias de desenvolvimento onde se busca a aquisição de novas competências, a intervenção na doença de Alzheimer persegue objetivos de manutenção e adaptação progressivos.

🛡️

Manter

Preservar as capacidades linguísticas e comunicativas pelo maior tempo possível

⚙️

Adaptar

Ajustar o ambiente e as estratégias de comunicação à evolução

💚

Acompanhar

Sustentar o paciente e seus familiares ao longo do percurso

⚠️ Mudar de paradigma

A intervenção junto a pacientes com Alzheimer não visa a "reeducação" no sentido clássico. Não se trata de restaurar funções perdidas, mas de retardar o declínio, otimizar as capacidades restantes e manter a qualidade de vida. Essa mudança de perspectiva é fundamental para uma prática adequada.

🎮 Atividades terapêuticas adaptadas

Evocação e fluência verbal

Atividades de categorização semântica, evocações sobre temas (frutas, animais, profissões), trabalho da ligação palavra-conceito. Estimula o acesso lexical e mantém o estoque semântico.

Reminiscência

Utilização de fotos antigas, músicas do passado, objetos evocativos para solicitar a memória autobiográfica e a linguagem associada. Valoriza a identidade e as competências preservadas.

Leitura e escrita

Manutenção das atividades de leitura (textos adaptados, jornais, correspondência) e de escrita (assinatura, cartões, listas) sempre que possível. Preserva os automatismos.

Canto e música

As capacidades musicais são frequentemente preservadas até tarde. Cantar músicas conhecidas estimula a linguagem automática e proporciona prazer.

Jogos adaptados

Jogos de tabuleiro simplificados, lotos, jogos de reconhecimento (imagens, sons). O aspecto lúdico favorece o engajamento e as interações sociais.

🎯 EDITH: o aplicativo dedicado aos idosos

EDITH da DYNSEO foi especialmente concebido para acompanhar pessoas com distúrbios cognitivos. Mais de 30 jogos adaptados, interface simplificada, progressão personalizada.

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✨ Princípios de intervenção

✅ As chaves de uma intervenção respeitosa

  • Adaptar constantemente: Ajustar a dificuldade ao estado do dia
  • Valorizar os sucessos: Destacar o que funciona, não os fracassos
  • Evitar a frustração: Propor atividades acessíveis
  • Respeitar o ritmo: Dar tempo, não apressar
  • Preservar a dignidade: Dirigir-se a um adulto, não a uma criança
  • Manter o prazer: O tédio e a obrigação são contraproducentes
  • Basear-se no passado: A memória antiga é melhor preservada
  • Utilizar o não verbal: Sorriso, toque, olhar permanecem compreendidos

💡 O princípio do erro positivo

Diante de um erro do paciente, evite corrigir diretamente ("Não, não é isso"). Reformule positivamente integrando a resposta correta: "Ah sim, é um pouco como uma laranja, é uma maçã". Essa abordagem preserva a autoestima e mantém a vontade de participar.

💬 Adaptar a comunicação

Facilitar a compreensão

  • Frases curtas e simples
  • Uma informação de cada vez
  • Falar de frente para o paciente, captar o olhar
  • Utilizar suportes visuais
  • Evitar perguntas abertas complexas
  • Reformular em vez de repetir exatamente

Facilitar a expressão

  • Dar tempo para encontrar as palavras
  • Propor escolhas ("Você quer café ou chá?")
  • Aceitar gestos e mímicas
  • Completar discretamente se necessário
  • Não fingir entender

👨‍👩‍👧 Acompanhar os cuidadores

Os familiares estão na linha de frente diante da doença. Eles precisam ser informados, orientados e apoiados para adaptar sua comunicação e preservar seu próprio equilíbrio.

🤝 O papel do fonoaudiólogo junto aos cuidadores

  • Psychoeducação: Explicar os distúrbios, seus mecanismos, a evolução esperada
  • Formação prática: Transmitir as estratégias de comunicação adaptadas
  • Desculpabilização: Os distúrbios não são falta de vontade
  • Orientação: Para os recursos de ajuda aos cuidadores (associações, descanso)
  • Escuta: Receber a fadiga, o desencorajamento, o luto branco
📚

França Alzheimer

Associação de referência para as famílias afetadas pela doença

Cafés memória

Lugares de encontro e troca para pacientes e cuidadores

🏠

Atendimento diurno

Estruturas que permitem um descanso para os cuidadores

⚖️ Limites e questões éticas

O acompanhamento de pacientes com Alzheimer levanta questões éticas importantes sobre o sentido da intervenção, o respeito pela autonomia e os limites do atendimento.

⚠️ Questões a se perguntar

  • O paciente ainda se beneficia das sessões?
  • As sessões são fonte de prazer ou de estresse?
  • A intensidade do atendimento é adequada ao estágio?
  • Os objetivos são realistas e respeitosos?
  • A família tem expectativas desmedidas?

Não existe uma resposta universal. O essencial é manter uma reflexão ética ao longo do acompanhamento, sempre colocando o bem-estar do paciente no centro das decisões.

🎯 Conclusão

O acompanhamento fonoaudiológico de pacientes com doença de Alzheimer requer uma adaptação constante dos objetivos e dos meios à medida que a evolução ocorre. O desafio não é curar, mas preservar a comunicação, o vínculo social e a dignidade pelo maior tempo possível.

Esse atendimento, necessariamente inscrito na duração, implica uma colaboração estreita com o entorno e os outros profissionais. O fonoaudiólogo desempenha um papel essencial de intermediário, ajudando o paciente e seus familiares a manter o diálogo apesar da doença.

Preservar o vínculo, até o fim:
DYNSEO acompanha pacientes e famílias com EDITH.

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