Viver com um adulto com síndrome de Down em casa: organização e equilíbrio familiar

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título : Viver com um adulto com síndrome de Down em casa: organização e equilíbrio familiar

descrição : Guia prático para organizar a vida cotidiana com um adulto com síndrome de Down em casa: divisão de tarefas, autonomia, vida social, equilíbrio familiar, direitos e assistência para manter a harmonia e o bem-estar de todos.

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Tempo de leitura : 19 minutos

"Meu filho tem 30 anos e ainda vive em casa." "Como podemos organizar a vida cotidiana para que ele seja autônomo?" "Minha vida de casal está sofrendo; estamos sempre concentrados em nossa filha." "É normal que ele viva conosco a essa idade?" "Como encontrar o equilíbrio entre ajudá-lo e viver minha própria vida?"

Numerosos adultos com síndrome de Down vivem com seus pais - por escolha, devido à falta de alternativas ou por razões de segurança. Essa situação pode ser fonte de realização para todos se bem organizada, mas também pode levar a tensões, esgotamento e um desequilíbrio familiar se imposta.

Como organizar a vida cotidiana? Como promover a autonomia do adulto com síndrome de Down enquanto preserva a vida de casal e a vida familiar? Como não se esquecer de si mesmo? Como antecipar o futuro?

Este guia ajuda você a criar um equilíbrio harmonioso para viver pacificamente com um adulto com síndrome de Down em casa.

Tabela de conteúdos

1. Viver juntos: escolha ou obrigação?

2. Promover a autonomia do adulto

3. Organização cotidiana

4. Preservar o equilíbrio familiar

5. Antecipar o futuro

Viver juntos: escolha ou obrigação? {#choix-ou-contrainte}

As diferentes situações

Escolha mútua:

O adulto com síndrome de Down e os pais desejam viver juntos. Relação harmoniosa e enriquecedora.

Por default:

Falta de vagas em lares, vida autônoma financeiramente ou cognitivamente inacessível.

Temporário:

Aguardando uma solução de moradia adequada.

Permanente:

Escolha familiar de manter o adulto em casa para a vida.

Não há solução "certa" ou "errada"

Cada família é única.

O que importa:

  • O bem-estar do adulto com síndrome de Down
  • O bem-estar dos pais
  • O equilíbrio familiar global
  • Se a coabitação é serena e enriquecedora: É perfeito.

    Se é fonte de sofrimento e esgotamento: Soluções alternativas ou ajustes devem ser buscados.

    Legitimidade das questões

    É normal se perguntar:

    "Isso é bom para ele/ela?"

    "Isso é bom para nós?"

    "Até quando?"

    Não há culpa em querer uma vida autônoma, uma moradia separada para seu filho adulto.

    Isso não é um abandono, é permitir que cada um se desenvolva.

Promover a autonomia do adulto {#autonomie}

O adulto com síndrome de Down ≠ criança eterna

Erro comum: Tratá-los como crianças mesmo aos 30, 40 anos.

Consequência: Infantilização, perda de autonomia, frustração.

Princípio: Mesmo com uma deficiência, é um adulto. Respeite seu status.

Promover a autonomia cotidiana

Higiene pessoal:

  • Tomar banho sozinho (com uma lista de verificação visual, se necessário)
  • Se barbear, se maquiar (conforme o desejo)
  • Escolher suas roupas
  • Tarefas domésticas:

  • Arrumar o quarto
  • Fazer a cama
  • Colocar/limpar a mesa
  • Carregar a máquina de lavar louça
  • Estender a roupa
  • Participação ativa em vez de ser um espectador passivo.

    Cozinha:

  • Preparar pratos simples (sanduíches, salada, macarrão)
  • Usar o micro-ondas
  • Colocar a mesa
  • Gestão do seu tempo livre:

  • Escolher suas atividades (TV, jogos, leitura)
  • Convidar amigos (com organização familiar)
  • Autonomia em mobilidade

    Se as capacidades permitirem:

  • Usar transporte público (com treinamento)
  • Ir sozinho a lugares familiares (trabalho, atividades)
  • Se não for o caso:

  • Organizar um transporte adaptado (família, serviços)
  • Vida social independente

    O adulto precisa de uma vida social fora da família.

    Incentivar:

  • Atividades de lazer (clube, associação)
  • Amizades (ver amigos sem os pais)
  • Saídas independentes (cinema, café)
  • Acompanhar sem sufocar.

    Intimidade e vida emocional

    Respeitar a intimidade: bater antes de entrar no quarto deles.

    Vida emocional: Se estiverem em um relacionamento, respeitar isso (ver artigo dedicado).

    Não negar a dimensão adulta da pessoa.

    ◆ ◆ ◆

    Organização cotidiana {#organisation}

    Divisão de tarefas

    Envolver o adulto com síndrome de Down nas tarefas domésticas.

    Tabela de tarefas (exibida, com pictogramas):

  • Segunda-feira: Colocar a mesa
  • Terça-feira: Estender a roupa
  • Quarta-feira: Arrumar a sala
  • Etc.
  • Cada um contribui de acordo com suas capacidades.

    Valorizar as contribuições: "Obrigado por ter colocado a mesa, é ótimo!"

    Rotinas claras

    Os adultos com síndrome de Down funcionam bem com rotinas.

    Estabelecer horários (acordar, refeições, hora de dormir, atividades).

    Planejamento visual semanal exibido.

    Previsibilidade = segurança = menos ansiedade.

    Espaços pessoais

    O adulto deve ter seu próprio espaço: seu quarto.

    Personalizado de acordo com seus gostos (pôsteres, cores, organização).

    Respeitar esse espaço (não revirar, bater antes de entrar).

    Os pais também precisam de seus próprios espaços (quarto, sala à noite).

    Definir: "Depois das 22h, é hora calma, cada um em seu espaço."

    Refeições

    Compartilhar as refeições = momento convivial.

    Mas também: Às vezes deixar o adulto comer sozinho (autonomia).

    Envolver na preparação, nas compras.

    Gestão financeira

    Se o adulto recebe a AAH (seu dinheiro):

    Dar uma parte da gestão:

  • Mesada semanal
  • Saídas, lazer
  • Pequenas compras
  • Aprender a gerenciar (com apoio):

  • Orçamento alimentar
  • Economizar para uma compra
  • Evitar: Controlar tudo, decidir tudo por eles.

    Preservar o equilíbrio familiar {#equilibre}

    Não se esquecer de si mesmo

    Risco: Vida centrada 100% no adulto com síndrome de Down.

    Consequências:

  • Esgotamento parental
  • Casal em dificuldade
  • Ressentimento
  • Soluções:

    1. Tempo a dois

    Saídas a dois (sem o adulto com síndrome de Down):

  • Restaurante, cinema, fim de semana
  • Prever cuidados (família, serviço de descanso)
  • Momentos íntimos: quarto separado, tranca na porta.

    2. Tempo pessoal

    Cada pai tem o direito a suas próprias atividades:

  • Esportes, lazer, amigos
  • Momentos de solidão
  • Recarregar as energias = estar disponível depois.

    3. Divisão equilibrada

    Não colocar tudo em um pai (geralmente a mãe).

    Compartilhar o apoio, as tarefas.

    Preservar as relações entre irmãos

    Se os irmãos ainda vivem em casa:

    Cuidar para não negligenciá-los.

    Momentos especiais com cada criança (sem o adulto com síndrome de Down).

    Envolver sem sobrecarregar: ajudar, mas não se tornar o segundo pai.

    Vida social dos pais

    Não se isolar por causa do adulto com síndrome de Down.

    Continuar a ver amigos, ter uma vida social.

    Convidar para casa: normalidade, convivialidade.

    Alguns amigos não entenderão: OK, cerque-se de pessoas solidárias.

    Grupos de apoio

    Grupos de apoio para pais de adultos com deficiência.

    Compartilhar experiências, conselhos, apoio mútuo.

    Associações (Trisomia 21 França, Unapei) organizam encontros.

    Serviços de descanso

    Alojamento temporário em lar (alguns dias, semanas):

  • Para as férias dos pais
  • Para fazer uma pausa
  • Acolhimento diurno (durante o dia):

  • Os pais trabalham ou descansam
  • Apoio domiciliar (algumas horas/semana):

  • Alívio para algumas tarefas
  • Informar-se junto à MDPH, associações.

    Financiamento: PCH (Prestação de Compensação da Deficiência), ajuda ao descanso.

    Antecipar o futuro {#anticiper}

    O que acontecerá quando não estivermos mais aqui?

    Pergunta angustiante, mas essencial.

    Soluções a antecipar:

    1. Moradia independente ou lar

    Preparar a transição agora (ver artigo dedicado sobre moradia independente).

    Inscrever-se em listas de espera (lares, moradias inclusivas).

    Familiarizar o adulto com a ideia (visitas, estadias temporárias).

    2. Tutela / Curatela

    Se o adulto não pode gerenciar seus assuntos sozinho:

    Medida de proteção jurídica:

  • Curatela: Assistência para certos atos (menos restritiva)
  • Tutela: Representação total
  • Designar um tutor:

  • Membro da família (irmão ou irmã, se concordar)
  • Tutor profissional (associação, representante judicial)
  • Antecipar: Discutir com os irmãos, escolher juntos.

    Processo: Tribunal judicial (juiz de tutelas).

    3. Testamento, herança

    Prever a herança para proteger o adulto com síndrome de Down.

    Consultar um notário: legado, doações, seguro de vida.

    Assegurar que o adulto terá recursos, uma moradia.

    4. Rede de apoio

    Criar uma rede em torno do adulto:

  • Irmãos
  • Tias/tios, primos
  • Amigos próximos
  • Profissionais (educadores, associações)
  • Quanto mais ampla a rede, mais o adulto estará cercado após a morte dos pais.

    Discutir com o adulto com síndrome de Down

    De acordo com suas capacidades de compreensão:

    Explicar simplesmente: "Um dia, mamãe e papai estarão muito velhos, não estaremos mais aqui. Mas você não estará sozinho. [Nome do tutor] cuidará de você. Você viverá [lugar previsto]. Você sempre terá seus amigos, sua família."

    Tranquilizar.

    Preparar gradualmente (visitas, estadias) para que não seja um choque.

    ◆ ◆ ◆

    Direitos e assistência

    AAH (Apoio ao Adulto com Deficiência)

    Valor máximo (2025): ~1 000 €/mês.

    Permite uma participação financeira na casa.

    PCH (Prestação de Compensação da Deficiência)

    Pode financiar:

  • Apoio humano (ajuda domiciliar)
  • Ajudas técnicas (equipamentos adaptados)
  • Adaptações da moradia
  • Custos adicionais relacionados à deficiência
  • Pedido: MDPH.

    Apoio à moradia

    Se o adulto vive com seus pais:

    APL possível de acordo com a renda da casa.

    Serviços de apoio

    SAVS / SAMSAH: Apoio domiciliar (ver artigo dedicado).

    Conclusão: Equilíbrio e antecipação

    Viver com um adulto com síndrome de Down em casa pode ser uma experiência enriquecedora, cheia de alegria e cumplicidade. Mas isso requer organização, respeito pela autonomia de cada um, preservação do equilíbrio familiar e antecipação do futuro.

    As chaves para uma coabitação harmoniosa:

    1. Promover a autonomia do adulto (tarefas, vida social)

    2. Respeitar seu status de adulto (intimidade, escolhas)

    3. Organizar a vida cotidiana (rotinas, divisão de tarefas)

    4. Preservar o equilíbrio familiar (tempo a dois, pessoal, social)

    5. Antecipar o futuro (moradia, tutela, rede de apoio)

    6. Utilizar as ajudas disponíveis (serviços de descanso, PCH)

    Viver juntos é possível. Viver bem juntos é um esforço diário. Mas com organização, benevolência e antecipação, a harmonia está ao alcance.

    Recursos DYNSEO para apoiar a autonomia:

  • Formação "Acompanhar uma criança com síndrome de Down: chaves e soluções para a vida cotidiana"
  • Guia gratuito: Acompanhar uma criança com síndrome de Down com COCO
  • COCO PENSE e COCO BOUGE: manter as capacidades cognitivas, estimulação lúdica
  • Viver juntos é um equilíbrio delicado. Com organização, respeito e amor, esse equilíbrio se torna harmonia.

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