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Autismo e uso de telas: encontrar o equilíbrio certo em família

Como regular o tempo de tela do seu filho autista enquanto aproveita o potencial positivo das ferramentas digitais

A questão das telas é motivo de preocupação para muitos pais, e ainda mais quando a criança é autista. As crianças autistas costumam ser particularmente atraídas pelas telas, que oferecem um ambiente previsível, controlável e menos exigente socialmente. Essa atração pode ser benéfica (aprendizados, regulação) ou problemática (isolamento, dificuldades para desconectar). O desafio não é proibir, mas encontrar o equilíbrio certo para um uso que beneficie o desenvolvimento da criança.

Por que as crianças autistas são atraídas pelas telas

A atração das crianças autistas pelas telas não é um capricho ou uma adição, mas responde a necessidades específicas. O ambiente digital apresenta características que correspondem às particularidades autísticas: previsibilidade (as ações produzem efeitos constantes), controle (a criança domina o ritmo), baixa exigência social (sem olhar a sustentar, sem implícitos a decifrar), estimulações sensoriais controladas e frequentemente agradáveis.

As telas também oferecem uma pausa no esforço constante de adaptação ao mundo social que as crianças autistas enfrentam. Após um dia exaustivo na escola, refugiar-se em uma atividade na tela permite recuperar energia. Essa função de regulação é importante e legítima, mesmo que deva ser equilibrada com outras atividades.

2x
mais tempo de tela em crianças autistas em média
70%
dos pais preocupados com o tempo de tela de seu filho com TEA
85%
também reconhecem benefícios nas telas

Os benefícios potenciais das telas

Aprendizados e desenvolvimento

Aplicativos educativos bem projetados podem apoiar os aprendizados das crianças autistas. O ambiente digital oferece repetição sem fadiga (o aplicativo nunca se cansa), feedback imediato e constante, adaptação ao ritmo da criança e ausência de julgamento social. Algumas crianças autistas aprendem a ler, a contar ou adquirem conhecimentos enciclopédicos graças aos suportes digitais.

Comunicação e expressão

Para crianças não verbais ou com dificuldades de comunicação, tablets e aplicativos de comunicação alternativa (CAA) são ferramentas valiosas. Mas mesmo para crianças verbais, os suportes digitais podem facilitar a expressão: algumas se expressam mais facilmente por escrito ou através de suportes visuais digitais do que na troca oral direta.

Regulação e acalmamento

As atividades na tela podem ter uma função de regulação emocional e sensorial. Aplicativos de relaxamento, vídeos repetitivos ou mesmo alguns jogos permitem que a criança se acalme, se reenergize e gerencie o estresse. Essa função é particularmente importante após momentos difíceis ou exigentes.

Os riscos de um uso excessivo

Isolamento social

Se as telas se tornam o refúgio exclusivo da criança, em detrimento de qualquer outra atividade e interação, podem agravar as dificuldades sociais. O desafio é que o tempo de tela não substitua as oportunidades de desenvolver habilidades sociais, mesmo que estas sejam mais difíceis e menos confortáveis para a criança.

Dificuldades para desconectar

A resistência à mudança, característica do autismo, torna muitas vezes difícil interromper uma atividade na tela. As crises no momento de guardar o tablet podem ser intensas. Essas dificuldades não significam uma "adição" no sentido clínico, mas revelam a dificuldade de transição, agravada pelo caráter muito atraente da atividade que está sendo interrompida.

Impacto no sono

O uso de telas à noite, especialmente as telas retroiluminadas, pode perturbar o sono ao atrasar a secreção de melatonina. As crianças autistas, que muitas vezes já têm distúrbios do sono, merecem atenção especial a essa dimensão. É recomendado parar de usar telas pelo menos uma hora antes de dormir.

Não é uma adição

Às vezes, ouve-se falar de "adição às telas" em crianças autistas. É importante nuançar esse termo. A atração intensa pelas telas e a dificuldade em se desligar geralmente não atendem aos critérios clínicos de adição. Elas se explicam pelas características do autismo (resistência à mudança, interesses intensos, função de regulação). Essa distinção é importante porque as respostas a serem dadas são diferentes das de uma adição.

Estabelecer um quadro equilibrado

Definir regras claras

Um quadro previsível ajuda a criança a aceitar os limites. Defina regras claras sobre o tempo de tela diário, os momentos de uso (não durante as refeições, não antes da escola, não à noite após tal hora) e os tipos de conteúdos permitidos. Essas regras, uma vez estabelecidas, devem ser mantidas com constância para se tornarem previsíveis e, portanto, mais aceitáveis.

  • Definir um tempo máximo de tela diário e cumpri-lo
  • Estabelecer momentos sem tela (refeições, hora de dormir, momentos familiares)
  • Utilizar um timer visual para materializar o tempo restante
  • Alertar várias vezes antes do fim do tempo de tela
  • Prever uma atividade alternativa atraente para a transição
  • Priorizar conteúdos educativos e interativos
  • Acompanhar o uso quando possível
  • Dar o exemplo limitando seu próprio uso

Preparar as transições

O momento de parar a tela é difícil, portanto, deve ser preparado. Avisos progressivos (daqui a 10 minutos, daqui a 5 minutos, daqui a 2 minutos) permitem que a criança antecipe o fim. Um timer visual (Time Timer ou equivalente) torna concreto o tempo restante. Prever uma atividade alternativa atraente logo após ajuda a aceitar a transição.

Priorizar a qualidade sobre a quantidade

Em vez de se concentrar apenas no tempo total de tela, considere também a qualidade do uso. Uma hora em um aplicativo educativo interativo não tem o mesmo impacto que uma hora assistindo a vídeos passivos. Direcione para conteúdos que envolvam ativamente a criança, desenvolvam habilidades ou apoiem seus aprendizados.

Tipo de usoExemplosA priorizar
Educativo interativoApps de aprendizado, jogos cognitivos (COCO), exercícios✓ Sim
CriativoDesenho, criação musical, programação✓ Sim
ComunicaçãoApps de CAA, trocas com familiares✓ Sim
Entretenimento ativoJogos de vídeo com reflexão, jogos de papelModeradamente
Visualização passivaVídeos, conteúdos sem interaçãoA limitar

"Lutamos por muito tempo contra as telas, com crises terríveis toda vez que precisávamos desligá-las. Desde que estabelecemos regras claras, um timer visual e sempre propomos uma atividade alternativa, está muito mais gerenciável. E descobrimos o COCO que obriga a pausas ativas: tornou-se a tela favorita do nosso filho, e a nossa também!”

— Pais de uma criança autista de 8 anos

Envolver a criança nas regras

Dependendo da idade e das habilidades da criança, envolvê-la na definição das regras aumenta sua adesão. Explicar por que os limites existem (para ter tempo para outras coisas, para proteger seu sono) e associá-la às escolhas (qual horário você prefere para seu tempo de tela?) responsabiliza a criança e facilita o respeito ao quadro.

💡 Recursos para as famílias

O guia DYNSEO para acompanhar crianças autistas propõe muitas estratégias práticas para o dia a dia. Para adolescentes e jovens adultos, para quem a questão das telas se apresenta de forma diferente, o guia para acompanhar adultos autistas oferece conselhos adequados.

Conclusão: uma ferramenta, não um inimigo

As telas não são nem boas nem más em si: tudo depende do uso que se faz delas. Para as crianças autistas, podem ser ferramentas valiosas de aprendizado, comunicação e regulação, mas também refúgios que acentuam o isolamento se forem usadas de forma exclusiva e passiva.

O desafio para as famílias é encontrar um equilíbrio que aproveite os benefícios das telas enquanto preserva outras dimensões do desenvolvimento: atividades físicas, interações sociais, jogos não digitais, tempo em família. Aplicativos como o COCO, que integram pausas ativas obrigatórias, ilustram que um uso consciente das telas é possível.

Um quadro claro, previsível e coerente, com regras compreendidas pela criança, ajuda a reduzir os conflitos em torno das telas e a aproveitar serenamente suas contribuições. A chave está no equilíbrio e na qualidade, não na proibição.

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