Autismo e uso de telas: encontrar o equilíbrio certo em família
Como regular o tempo de tela do seu filho autista enquanto aproveita o potencial positivo das ferramentas digitais
A questão das telas é motivo de preocupação para muitos pais, e ainda mais quando a criança é autista. As crianças autistas costumam ser particularmente atraídas pelas telas, que oferecem um ambiente previsível, controlável e menos exigente socialmente. Essa atração pode ser benéfica (aprendizados, regulação) ou problemática (isolamento, dificuldades para desconectar). O desafio não é proibir, mas encontrar o equilíbrio certo para um uso que beneficie o desenvolvimento da criança.
Por que as crianças autistas são atraídas pelas telas
A atração das crianças autistas pelas telas não é um capricho ou uma adição, mas responde a necessidades específicas. O ambiente digital apresenta características que correspondem às particularidades autísticas: previsibilidade (as ações produzem efeitos constantes), controle (a criança domina o ritmo), baixa exigência social (sem olhar a sustentar, sem implícitos a decifrar), estimulações sensoriais controladas e frequentemente agradáveis.
As telas também oferecem uma pausa no esforço constante de adaptação ao mundo social que as crianças autistas enfrentam. Após um dia exaustivo na escola, refugiar-se em uma atividade na tela permite recuperar energia. Essa função de regulação é importante e legítima, mesmo que deva ser equilibrada com outras atividades.
mais tempo de tela em crianças autistas em média
dos pais preocupados com o tempo de tela de seu filho com TEA
também reconhecem benefícios nas telas
Os benefícios potenciais das telas
Aprendizados e desenvolvimento
Aplicativos educativos bem projetados podem apoiar os aprendizados das crianças autistas. O ambiente digital oferece repetição sem fadiga (o aplicativo nunca se cansa), feedback imediato e constante, adaptação ao ritmo da criança e ausência de julgamento social. Algumas crianças autistas aprendem a ler, a contar ou adquirem conhecimentos enciclopédicos graças aos suportes digitais.
Comunicação e expressão
Para crianças não verbais ou com dificuldades de comunicação, tablets e aplicativos de comunicação alternativa (CAA) são ferramentas valiosas. Mas mesmo para crianças verbais, os suportes digitais podem facilitar a expressão: algumas se expressam mais facilmente por escrito ou através de suportes visuais digitais do que na troca oral direta.
Regulação e acalmamento
As atividades na tela podem ter uma função de regulação emocional e sensorial. Aplicativos de relaxamento, vídeos repetitivos ou mesmo alguns jogos permitem que a criança se acalme, se reenergize e gerencie o estresse. Essa função é particularmente importante após momentos difíceis ou exigentes.
COCO: um exemplo de uso benéfico das telas
O programa COCO PENSE e COCO BOUGE da DYNSEO ilustra perfeitamente o que pode ser um uso positivo das telas. Os jogos cognitivos estimulam a atenção, a memória e a lógica de forma lúdica e adaptada. A originalidade do COCO é impor uma pausa ativa a cada 15 minutos (COCO BOUGE): a criança deve sair da tela para fazer uma atividade física antes de retomar. Essa alternância integrada evita o tempo de tela contínuo e favorece a regulação.
Descubra o COCOOs riscos de um uso excessivo
Isolamento social
Se as telas se tornam o refúgio exclusivo da criança, em detrimento de qualquer outra atividade e interação, podem agravar as dificuldades sociais. O desafio é que o tempo de tela não substitua as oportunidades de desenvolver habilidades sociais, mesmo que estas sejam mais difíceis e menos confortáveis para a criança.
Dificuldades para desconectar
A resistência à mudança, característica do autismo, torna muitas vezes difícil interromper uma atividade na tela. As crises no momento de guardar o tablet podem ser intensas. Essas dificuldades não significam uma "adição" no sentido clínico, mas revelam a dificuldade de transição, agravada pelo caráter muito atraente da atividade que está sendo interrompida.
Impacto no sono
O uso de telas à noite, especialmente as telas retroiluminadas, pode perturbar o sono ao atrasar a secreção de melatonina. As crianças autistas, que muitas vezes já têm distúrbios do sono, merecem atenção especial a essa dimensão. É recomendado parar de usar telas pelo menos uma hora antes de dormir.
Não é uma adição
Às vezes, ouve-se falar de "adição às telas" em crianças autistas. É importante nuançar esse termo. A atração intensa pelas telas e a dificuldade em se desligar geralmente não atendem aos critérios clínicos de adição. Elas se explicam pelas características do autismo (resistência à mudança, interesses intensos, função de regulação). Essa distinção é importante porque as respostas a serem dadas são diferentes das de uma adição.
Estabelecer um quadro equilibrado
Definir regras claras
Um quadro previsível ajuda a criança a aceitar os limites. Defina regras claras sobre o tempo de tela diário, os momentos de uso (não durante as refeições, não antes da escola, não à noite após tal hora) e os tipos de conteúdos permitidos. Essas regras, uma vez estabelecidas, devem ser mantidas com constância para se tornarem previsíveis e, portanto, mais aceitáveis.
- Definir um tempo máximo de tela diário e cumpri-lo
- Estabelecer momentos sem tela (refeições, hora de dormir, momentos familiares)
- Utilizar um timer visual para materializar o tempo restante
- Alertar várias vezes antes do fim do tempo de tela
- Prever uma atividade alternativa atraente para a transição
- Priorizar conteúdos educativos e interativos
- Acompanhar o uso quando possível
- Dar o exemplo limitando seu próprio uso
Preparar as transições
O momento de parar a tela é difícil, portanto, deve ser preparado. Avisos progressivos (daqui a 10 minutos, daqui a 5 minutos, daqui a 2 minutos) permitem que a criança antecipe o fim. Um timer visual (Time Timer ou equivalente) torna concreto o tempo restante. Prever uma atividade alternativa atraente logo após ajuda a aceitar a transição.
Priorizar a qualidade sobre a quantidade
Em vez de se concentrar apenas no tempo total de tela, considere também a qualidade do uso. Uma hora em um aplicativo educativo interativo não tem o mesmo impacto que uma hora assistindo a vídeos passivos. Direcione para conteúdos que envolvam ativamente a criança, desenvolvam habilidades ou apoiem seus aprendizados.
| Tipo de uso | Exemplos | A priorizar |
|---|---|---|
| Educativo interativo | Apps de aprendizado, jogos cognitivos (COCO), exercícios | ✓ Sim |
| Criativo | Desenho, criação musical, programação | ✓ Sim |
| Comunicação | Apps de CAA, trocas com familiares | ✓ Sim |
| Entretenimento ativo | Jogos de vídeo com reflexão, jogos de papel | Moderadamente |
| Visualização passiva | Vídeos, conteúdos sem interação | A limitar |
"Lutamos por muito tempo contra as telas, com crises terríveis toda vez que precisávamos desligá-las. Desde que estabelecemos regras claras, um timer visual e sempre propomos uma atividade alternativa, está muito mais gerenciável. E descobrimos o COCO que obriga a pausas ativas: tornou-se a tela favorita do nosso filho, e a nossa também!”
Envolver a criança nas regras
Dependendo da idade e das habilidades da criança, envolvê-la na definição das regras aumenta sua adesão. Explicar por que os limites existem (para ter tempo para outras coisas, para proteger seu sono) e associá-la às escolhas (qual horário você prefere para seu tempo de tela?) responsabiliza a criança e facilita o respeito ao quadro.
Formação DYNSEO para os pais
A formação "Acompanhar uma criança com autismo: chaves e soluções no dia a dia" da DYNSEO aborda muitos aspectos da vida familiar, incluindo a gestão das telas. Ela propõe estratégias concretas para estabelecer um quadro aceito pela criança e transformar conflitos em cooperação.
Descubra a formação💡 Recursos para as famílias
O guia DYNSEO para acompanhar crianças autistas propõe muitas estratégias práticas para o dia a dia. Para adolescentes e jovens adultos, para quem a questão das telas se apresenta de forma diferente, o guia para acompanhar adultos autistas oferece conselhos adequados.
Conclusão: uma ferramenta, não um inimigo
As telas não são nem boas nem más em si: tudo depende do uso que se faz delas. Para as crianças autistas, podem ser ferramentas valiosas de aprendizado, comunicação e regulação, mas também refúgios que acentuam o isolamento se forem usadas de forma exclusiva e passiva.
O desafio para as famílias é encontrar um equilíbrio que aproveite os benefícios das telas enquanto preserva outras dimensões do desenvolvimento: atividades físicas, interações sociais, jogos não digitais, tempo em família. Aplicativos como o COCO, que integram pausas ativas obrigatórias, ilustram que um uso consciente das telas é possível.
Um quadro claro, previsível e coerente, com regras compreendidas pela criança, ajuda a reduzir os conflitos em torno das telas e a aproveitar serenamente suas contribuições. A chave está no equilíbrio e na qualidade, não na proibição.