Enfermeiros e Autismo: Formar-se nas Especificidades dos Cuidados para Pessoas com TSA | DYNSEO

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🏥 Cuidados e Saúde

Enfermeiros e Autismo: Formar-se nas Especificidades dos Cuidados para Pessoas com TSA

Guia completo para adaptar suas práticas de cuidado às necessidades dos pacientes autistas: comunicação adaptada, gestão sensorial, preparação para os cuidados e colaboração com as famílias.

As pessoas autistas representam quase 1% da população francesa, o que significa que cada enfermeiro, independentemente de seu serviço, terá que cuidar de pacientes com TSA ao longo de sua carreira. No entanto, as particularidades sensoriais, comunicativas e comportamentais do autismo exigem adaptações específicas para garantir cuidados de qualidade respeitando o paciente. Este artigo apresenta os conhecimentos essenciais e as formações recomendadas para enfermeiros que desejam desenvolver sua expertise no acompanhamento de pessoas autistas.

Compreender os desafios específicos dos cuidados a pessoas autistas

O ambiente médico concentra muitos fatores de estresse para as pessoas autistas: luzes brilhantes, ruídos de equipamentos, cheiros de produtos, espera imprevisível, contatos físicos com estranhos, mudança de rotina. Esses elementos, inofensivos para a maioria dos pacientes, podem gerar um sofrimento intenso em uma pessoa com TSA e comprometer a realização dos cuidados.

As dificuldades de comunicação amplificam esse desafio. Algumas pessoas autistas têm uma linguagem limitada ou ausente, outras se expressam verbalmente, mas têm dificuldade em descrever seus sintomas ou sentimentos. A compreensão literal da linguagem pode levar a mal-entendidos sobre as instruções ou explicações médicas.

As particularidades sensoriais a serem consideradas

A maioria das pessoas autistas apresenta particularidades no processamento sensorial que impactam diretamente a experiência dos cuidados. A hipersensibilidade tátil pode tornar doloroso um simples contato ou o uso de uma pulseira de identificação. A hipersensibilidade auditiva transforma o som de um monitor em uma agressão sonora insuportável.

Por outro lado, algumas pessoas apresentam hipossensibilidade à dor, o que pode atrasar a detecção de problemas médicos ou levar a uma subestimação de seu sofrimento. Essa variabilidade impõe uma avaliação individualizada das reações sensoriais de cada paciente autista.

80%
das pessoas com TSA têm particularidades sensoriais
40%
evitam ou atrasam os cuidados médicos
60%
das famílias relatam dificuldades nas emergências

As dificuldades de comunicação com o paciente

A comunicação representa um grande desafio nos cuidados a pessoas autistas. A coleta de sintomas pode ser complexa quando o paciente não verbaliza sua dor ou descreve suas sensações de maneira incomum. Perguntas abertas (“Onde você sente dor?”) podem ser mais difíceis de tratar do que perguntas fechadas ou de múltipla escolha.

A compreensão das instruções também requer adaptações. Expressões figuradas, linguagem implícita ou instruções múltiplas podem gerar confusão. Uma pessoa autista pode levar ao pé da letra uma instrução como “Não se mova” e ficar parada muito além do necessário.

As adaptações essenciais na prática de cuidados

Formar os enfermeiros nas especificidades do autismo permite implementar adaptações simples, mas eficazes, que melhoram consideravelmente a qualidade dos cuidados e a experiência do paciente. Essas adaptações dizem respeito ao ambiente, à comunicação, à preparação para os cuidados e à colaboração com os familiares.

Adaptar o ambiente de cuidados

A organização do ambiente é o primeiro passo para facilitar os cuidados. Reduzir as estimulações sensoriais prejudiciais (iluminação, ruídos, cheiros) cria um contexto mais favorável à cooperação do paciente. Oferecer uma sala individual em vez de uma sala de espera comum limita a exposição a estímulos imprevisíveis.

Adaptações ambientais recomendadas

  • Priorizar a iluminação natural ou suave em vez de néons
  • Reduzir os ruídos de fundo e avisar sobre sons que virão
  • Propor um espaço de espera calmo e previsível
  • Permitir que o paciente mantenha seus objetos reconfortantes
  • Minimizar os tempos de espera ou torná-los previsíveis
  • Autorizar a presença de um acompanhante durante todo o percurso

Comunicar-se efetivamente com o paciente autista

Adaptar a comunicação é uma habilidade chave para o enfermeiro que trabalha com pacientes autistas. Usar uma linguagem clara, concreta e literal evita mal-entendidos. Decompor as instruções em etapas simples facilita sua compreensão e execução.

Os suportes visuais representam ferramentas valiosas: imagens ilustrando as etapas de um cuidado, pictogramas indicando os locais, escalas visuais para avaliar a dor. Esses suportes compensam as dificuldades de compreensão verbal e permitem que o paciente antecipe melhor o que vai acontecer.

Princípios de comunicação adaptada

  • Falar calmamente, sem elevar a voz mesmo em caso de não-resposta
  • Usar frases curtas e um vocabulário concreto
  • Evitar linguagem figurada, ironia e expressões implícitas
  • Dar tempo ao paciente para processar a informação antes de repetir
  • Verificar a compreensão pedindo ao paciente para reformular
  • Usar suportes visuais para ilustrar as explicações
  • Respeitar a distância física preferida do paciente

Preparar o paciente para os cuidados

A preparação prévia para os cuidados reduz consideravelmente a ansiedade e melhora a cooperação. Explicar precisamente o que vai acontecer, em que ordem e quanto tempo isso vai durar permite que o paciente antecipe e se prepare mentalmente.

O uso de roteiros sociais, desenvolvidos em colaboração com a equipe educativa ou os familiares, é uma estratégia eficaz. Essas histórias ilustradas descrevem o desenrolar do cuidado etapa por etapa e ajudam o paciente a entender o que se espera dele.

Etapas de preparação recomendadas

  • Informar o paciente e sua família antes da consulta
  • Fornecer suportes visuais descrevendo o desenrolar dos cuidados
  • Propor uma visita prévia às instalações, se possível
  • Identificar fatores de estresse e estratégias de apaziguamento
  • Concordar com um sinal que permita ao paciente pedir uma pausa
  • Prever alternativas em caso de dificuldade (adiamento, sedação)

Colaborar com os familiares e os profissionais acompanhantes

As famílias e os profissionais que conhecem bem o paciente representam recursos valiosos para adaptar os cuidados. Eles podem informar a equipe de cuidados sobre as particularidades da pessoa, seus fatores de estresse, suas estratégias de apaziguamento e seus modos de comunicação.

Facilitar a presença de um acompanhante durante todo o percurso de cuidados tranquiliza o paciente e facilita a comunicação. Esse acompanhante pode ajudar a interpretar as reações do paciente e transmitir as informações essenciais à equipe de cuidados.

A gestão da dor em pacientes autistas

A avaliação e o manejo da dor apresentam particularidades em pessoas autistas. As dificuldades em verbalizar a dor, as reações atípicas e as particularidades sensoriais complicam o trabalho do enfermeiro e exigem vigilância redobrada.

As expressões atípicas da dor

Uma pessoa autista pode expressar sua dor de maneira incomum: retraimento social, aumento de comportamentos repetitivos, modificações no sono ou na alimentação, agressividade ou autoagressão. Esses sinais indiretos devem alertar a equipe de cuidados sobre um possível sofrimento físico.

Por outro lado, a ausência de queixa ou manifestação visível não significa ausência de dor. Algumas pessoas autistas apresentam uma expressão diminuída da dor, o que pode levar a uma subavaliação e a um tratamento insuficiente.

Os instrumentos de avaliação adaptados

As escalas de autoavaliação clássicas da dor podem ser difíceis de usar para pessoas autistas. As escalas visuais analógicas, as escalas de rostos ou as escalas numéricas exigem capacidades de abstração e comunicação que nem sempre estão presentes.

Instrumentos específicos foram desenvolvidos para pessoas com dificuldades de comunicação, como a escala FLACC para crianças ou a escala GED-DI para adultos com deficiência intelectual. Esses instrumentos baseados na observação do comportamento permitem uma avaliação mais confiável da dor.

Sinais de alerta que podem indicar dor em uma pessoa autista

  • Modificação do comportamento habitual (agitação, retraimento, agressividade)
  • Aumento das estereotipias ou comportamentos repetitivos
  • Dificuldades no sono ou na alimentação
  • Autolesão ou comportamentos de evitação do contato
  • Expressões faciais incomuns, mesmo discretas
  • Posição antálgica ou proteção de uma parte do corpo
  • Vocalizações atípicas (gemidos, grunhidos)

Formar-se nas especificidades do autismo: os percursos recomendados

A formação contínua permite que os enfermeiros desenvolvam as competências necessárias para o acompanhamento de pessoas autistas. Vários tipos de formações atendem a necessidades diferentes, desde a sensibilização básica até a expertise aprofundada.

As formações de sensibilização

As formações curtas de sensibilização ao autismo constituem um primeiro passo acessível a todos os cuidadores. Com duração de um a dois dias, elas permitem adquirir conhecimentos básicos sobre o transtorno, entender as dificuldades enfrentadas pelos pacientes autistas e descobrir as adaptações essenciais.

Essas formações são frequentemente oferecidas por instituições de saúde no âmbito do plano de formação contínua. Elas também podem ser ministradas por centros de recursos de autismo, associações especializadas ou organismos de formação profissional.

As formações aprofundadas

Para os enfermeiros que trabalham regularmente com pacientes autistas (pediatria, instituições médico-sociais, serviços especializados), formações mais aprofundadas permitem desenvolver uma verdadeira expertise. Os diplomas universitários em autismo oferecem ensinamentos completos sobre diagnóstico, intervenções e acompanhamento.

As formações específicas em gestão de crises, comunicação alternativa ou distúrbios de comportamento trazem competências direcionadas particularmente úteis em contexto de cuidados.

O aprendizado pela experiência

Além das formações formais, o aprendizado pela experiência desempenha um papel essencial. O acompanhamento por colegas experientes, as trocas com as equipes educativas das instituições médico-sociais e os feedbacks das famílias enriquecem continuamente as competências.

Participar de grupos de análise de práticas ou de sessões de supervisão permite tratar situações complexas encontradas e desenvolver estratégias adaptadas. Esses espaços de reflexão coletiva são valiosos para avançar no acompanhamento de pacientes autistas.

Os instrumentos de suporte ao acompanhamento de cuidados

Diferentes ferramentas facilitam a adaptação dos cuidados às pessoas autistas. Conhecê-las e saber usá-las faz parte das competências a serem desenvolvidas pelos enfermeiros formados.

Os suportes visuais e os roteiros sociais

Os pictogramas, as sequências fotográficas e os roteiros sociais constituem ferramentas valiosas para preparar e acompanhar os cuidados. Eles permitem que o paciente visualize o que vai acontecer e compreenda melhor o que se espera dele.

Existem recursos padronizados para situações de cuidados comuns (coleta de sangue, consulta médica, intervenção cirúrgica). Os enfermeiros também podem criar suportes personalizados em colaboração com as famílias e as equipes educativas.

As ferramentas digitais de acompanhamento

As aplicações digitais oferecem novas possibilidades para facilitar a comunicação e a espera durante os cuidados. Algumas aplicações permitem criar suportes visuais personalizados, outras oferecem atividades calmantes para ocupar o paciente durante a espera.

O programa COCO PENSE e COCO BOUGE, desenvolvido pela DYNSEO para crianças de 5 a 10 anos, pode ser usado como ferramenta de distração e apaziguamento durante os tempos de espera nas emergências ou durante as hospitalizações. Os jogos cognitivos capturam a atenção da criança e reduzem sua ansiedade.

Os passaportes de saúde e fichas de ligação

Os passaportes de saúde ou fichas de ligação são documentos sintéticos que reúnem as informações essenciais sobre o paciente: seu modo de comunicação, seus fatores de estresse, suas estratégias de apaziguamento, suas particularidades sensoriais, seus tratamentos. Esses documentos facilitam a transmissão de informações durante as passagens nas emergências ou as hospitalizações.

Incentivar as famílias a criar e manter esse tipo de documento atualizado melhora a qualidade do atendimento em cada contato com o sistema de saúde.

Depoimentos de enfermeiros formados em autismo

Antes da minha formação sobre autismo, eu frequentemente me sentia impotente diante dos pacientes com TSA nas emergências pediátricas. Eu não entendia suas reações e me sentia sem recursos. A formação abriu meus olhos para seu funcionamento diferente e me deu ferramentas concretas.

Agora, eu me dou tempo para preparar os cuidados, uso suportes visuais, adapto minha comunicação. Os atendimentos estão indo muito melhor e as famílias estão gratas por verem seus filhos acompanhados com compreensão.

Émilie
Enfermeira nas emergências pediátricas há 8 anos

Eu trabalho em um lar de acolhimento médico para adultos autistas. A formação inicial de enfermeiro não me preparou para as especificidades dessa população. Eu segui várias formações complementares que me permitiram me tornar referência em saúde dentro da instituição.

Acompanhar os residentes durante as consultas médicas ou hospitalizações faz parte das minhas missões. Meu conhecimento sobre suas particularidades e minhas competências em comunicação adaptada facilitam muito esses momentos, que muitas vezes são estressantes para eles.

Laurent
Enfermeiro em FAM, formado nas especificidades do autismo

Acompanhar as situações de crise

As situações de crise (agitação, agressividade, automutilação) podem ocorrer durante os cuidados, especialmente quando o paciente é confrontado com uma sobrecarga sensorial, uma incompreensão ou uma dor mal gerida. O enfermeiro treinado sabe reconhecer os sinais precoces e intervir de maneira adequada.

Reconhecer os sinais precoces

Antes de uma crise, a maioria das pessoas autistas apresenta sinais de alerta: aumento da agitação motora, intensificação das estereotipias, modificações no olhar ou na expressão facial, tentativas de fuga. Identificar esses sinais precocemente permite intervir antes da escalada.

Estratégias de apaziguamento

Diante de um aumento de estresse, várias estratégias podem ajudar a evitar a crise: reduzir as estimulações sensoriais, propor um momento de pausa em um local calmo, usar objetos ou atividades apaziguadoras, oferecer uma escuta tranquilizadora sem forçar o contato.

O conhecimento do paciente e de suas preferências é valioso nesses momentos. As informações transmitidas pelos familiares ou registradas no passaporte de saúde orientam a intervenção.

Intervenção em caso de crise

Quando a crise ocorre apesar das medidas preventivas, o objetivo é garantir a segurança de todos enquanto minimiza a contenção. Um ambiente calmo, uma atitude tranquilizadora, um tom de voz sereno e a ausência de ameaças favorecem o retorno à calma.

A análise posterior da crise com a equipe permite identificar os gatilhos e implementar medidas preventivas para os próximos cuidados. Essa abordagem de melhoria contínua é essencial.

Recursos complementares DYNSEO

Para aprofundar sua compreensão do autismo e dispor de ferramentas práticas:

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Acessar as formações

Conclusão: Formar para melhor cuidar

A formação nas especificidades do autismo representa um investimento essencial para todo enfermeiro preocupado em oferecer cuidados de qualidade a todos os seus pacientes. As adaptações necessárias não são complexas, mas exigem uma compreensão do funcionamento autista e uma disposição para ajustar suas práticas.

Ao se formar, você contribui para melhorar o acesso aos cuidados das pessoas autistas, frequentemente confrontadas com experiências médicas traumáticas devido à falta de adaptação. Você participa assim da redução das desigualdades de saúde que afetam essa população.

As ferramentas digitais como COCO podem facilitar o acompanhamento, oferecendo suportes de distração e apaziguamento adaptados. Combinadas a uma formação sólida e a uma colaboração com as famílias, elas contribuem para transformar a experiência dos cuidados para os pacientes autistas.

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