Ergoterapia Pediátrica: Especificidades e Abordagens
A ergoterapia pediátrica acompanha o desenvolvimento da criança e a aquisição de sua autonomia. Descubra as especificidades dessa prática fascinante, as abordagens terapêuticas e as ferramentas adequadas.
A ergoterapia pediátrica destina-se a crianças e adolescentes que apresentam dificuldades que impactam seu desenvolvimento, suas aprendizagens ou sua participação nas atividades diárias. Desde o recém-nascido até o adolescente, o ergoterapeuta adapta suas avaliações e intervenções ao estágio de desenvolvimento e às necessidades específicas de cada criança. Este guia completo explora os fundamentos, as abordagens e as ferramentas dessa especialidade em constante evolução.
🌟 Especificidades da ergoterapia pediátrica
A ergoterapia pediátrica difere fundamentalmente da prática com adultos. A criança é um ser em desenvolvimento cujas capacidades evoluem constantemente. O ergoterapeuta deve conhecer as etapas do desenvolvimento normal para identificar as discrepâncias e adaptar sua intervenção.
O desenvolvimento da criança: base da prática
O conhecimento aprofundado do desenvolvimento normal é indispensável para identificar as dificuldades e estabelecer objetivos adequados. As grandes etapas a serem conhecidas incluem:
- Desenvolvimento motor: Do controle da cabeça à marcha, da preensão reflexa à motricidade fina
- Desenvolvimento sensorial: Integração das informações visuais, auditivas, táteis, vestibulares, proprioceptivas
- Desenvolvimento cognitivo: Atenção, memória, funções executivas, capacidades de raciocínio
- Desenvolvimento do jogo: Do jogo sensório-motor ao jogo simbólico e, em seguida, ao jogo com regras
- Autonomia: Vestir-se, alimentação, higiene de acordo com as idades
A ocupação na criança
O jogo
Ocupação principal da criança, vetor de desenvolvimento e aprendizagem, suporte de reabilitação
A escolaridade
Aprendizagens escolares, grafismo, organização, participação em sala de aula
A vida cotidiana
Autonomia progressiva nos cuidados pessoais, nas refeições, na vestimenta
💡 O jogo como ferramenta terapêutica
Na pediatria, o jogo não é uma recompensa ou uma pausa: é o suporte principal da terapia. O ergoterapeuta utiliza o jogo para avaliar as capacidades, trabalhar os objetivos terapêuticos e manter a motivação da criança. Um exercício apresentado como um jogo será sempre mais eficaz do que uma tarefa percebida como onerosa.
🏥 Patologias e indicações
A ergoterapia pediátrica abrange uma ampla gama de patologias e situações, desde distúrbios do desenvolvimento até sequelas de patologias adquiridas.
Distúrbios neurodesenvolvimentais
- TDC (Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação): Antigamente dispraxia, dificuldades de coordenação e planejamento motor
- TDAH: Transtornos de atenção com ou sem hiperatividade, impactando as aprendizagens e a vida cotidiana
- TSA (Transtornos do Espectro do Autismo): Particularidades sensoriais, dificuldades de interação, comportamentos repetitivos
- Distúrbios de aprendizagem: Dislexia, disortografia, discalculia com seus impactos funcionais
- Deficiência intelectual: Acompanhamento do desenvolvimento da autonomia adaptada às capacidades
Patologias neurológicas e motoras
Paralisia cerebral
Acompanhamento do desenvolvimento motor, prevenção de deformidades, ajudas técnicas
Doenças neuromusculares
Preservação da autonomia, ajudas técnicas evolutivas, adaptação do ambiente
Patologias da mão
Malformações congênitas, traumas, reabilitação e aparelhamento
Outras indicações
- Atraso de desenvolvimento: Acompanhamento de crianças nascidas prematuramente ou apresentando atraso global
- Distúrbios sensoriais: Deficiência visual ou auditiva com seus impactos funcionais
- Doenças crônicas: Acompanhamento da criança doente em sua escolaridade e cotidiano
- Traumatismos cranianos: Reabilitação e readequação após lesão cerebral adquirida
⚠️ Triagem precoce
A triagem precoce dos distúrbios do desenvolvimento é crucial para um atendimento ideal. Quanto mais precoce a intervenção, mais ela se beneficia da plasticidade cerebral da criança. O ergoterapeuta desempenha um papel importante na avaliação diagnóstica dentro das equipes multidisciplinares.
🔍 Avaliação da criança
A avaliação ergoterápica da criança combina testes padronizados, observações clínicas e entrevistas com os pais e a escola. Deve ser adaptada à idade e às capacidades da criança.
Testes padronizados em pediatria
- M-ABC 2: Avaliação das competências motoras, triagem do TDC, 3-16 anos
- Beery VMI: Integração visuomotora, cópia de formas, 2-18 anos
- NEPSY-II: Bateria neuropsicológica completa, 3-16 anos
- BHK: Avaliação da escrita, qualidade e velocidade
- Perfil sensorial de Dunn: Questionário sobre o tratamento sensorial
- PEDI-CAT: Medida da independência funcional pediátrica
Domínios de avaliação
Motricidade global
Equilíbrio, coordenação, planejamento motor, tônus postural
Motricidade fina
Preensão, manipulação, destreza, coordenação olho-mão
Capacidades perceptivas
Percepção visual, visuoespacial, visuo-construtiva
Avaliação ecológica
- Observação em sala de aula: Comportamento, participação, interações, organização do trabalho
- Observação em casa: Autonomia, ambiente, dinâmica familiar
- Observação em sessão: Qualidade do jogo, interações, comportamento, fadiga
- Análise da escrita: Cadernos de classe, postura, pegada do lápis, qualidade do traçado
"A avaliação da criança não se limita aos testes. A observação em situação natural, a troca com os pais e a escola são indispensáveis para entender as dificuldades reais e seu impacto no dia a dia."
— Recomendações de boas práticas
🛠️ Ferramentas adequadas para crianças
COCO é um aplicativo de estimulação cognitiva especialmente projetado para crianças de 5 a 10 anos, com exercícios lúdicos e uma pausa esportiva integrada.
Descubra COCO →🎯 Abordagens terapêuticas
A ergoterapia pediátrica baseia-se em diferentes abordagens teóricas e práticas, frequentemente combinadas para atender às necessidades específicas de cada criança.
Abordagens desenvolvimentais
- Abordagem neurodesenvolvimental (Bobath): Facilitação dos movimentos normais, inibição dos padrões patológicos
- Abordagem CO-OP: Orientação Cognitiva para o Desempenho Ocupacional diário, estratégias cognitivas para aprender os gestos
- DIR/Floortime: Desenvolvimento através do jogo e da relação, particularmente utilizado no autismo
Abordagens centradas na ocupação
Abordagem de cima para baixo
Partir das atividades significativas para a criança e desenvolver as competências necessárias
Abordagem de baixo para cima
Trabalhar as funções deficitárias para melhorar o desempenho nas atividades
Abordagem mista
Combinar as duas abordagens de acordo com os objetivos e o perfil da criança
Modalidades de intervenção
- Sessões individuais: Trabalho personalizado nos objetivos específicos da criança
- Sessões em grupo: Trabalho das competências sociais, motivação pelos pares
- Orientação parental: Formação dos pais nas estratégias a serem utilizadas no dia a dia
- Intervenção em ambiente escolar: Adaptações, conselhos aos professores, inclusão
💡 A importância da motivação
Uma criança que não está motivada não aprenderá. O ergoterapeuta deve encontrar o que motiva a criança (jogos, temas, recompensas) e integrá-lo nas sessões. Aplicativos de estimulação cognitiva como COCO utilizam a gamificação para manter o engajamento dos jovens usuários.
🌈 Integração sensorial
A integração sensorial é uma área importante da ergoterapia pediátrica. Muitas crianças, especialmente aquelas com TSA ou TDAH, apresentam particularidades no tratamento das informações sensoriais.
Os sistemas sensoriais
- Sistema tátil: Toque, textura, temperatura, pressão
- Sistema vestibular: Equilíbrio, movimento, posição no espaço
- Sistema proprioceptivo: Posição do corpo, força, movimento das articulações
- Sistemas visuais e auditivos: Visão e audição com seus aspectos de discriminação e modulação
- Sistemas olfativo e gustativo: Cheiros e sabores, frequentemente envolvidos nas dificuldades alimentares
Perfis sensoriais
Hipersensibilidade
Reações excessivas aos estímulos, evitação, sobrecarga sensorial
Hipossensibilidade
Busca por sensações intensas, falta de resposta aos estímulos
Dificuldades de discriminação
Dificuldade em diferenciar os estímulos, má percepção do corpo
Abordagem de integração sensorial de Ayres
A abordagem desenvolvida por Jean Ayres propõe uma reabilitação em um ambiente rico em estimulações sensoriais, onde a criança é protagonista de sua experiência. Os princípios-chave são:
- Desafio adaptado: Atividades que desafiam a criança enquanto permanecem realizáveis
- Resposta adaptativa: A criança organiza seu comportamento em resposta aos desafios
- Motivação intrínseca: A criança escolhe as atividades que atendem às suas necessidades
- Ambiente enriquecido: Sala equipada com material sensorial variado
⚠️ Formação específica necessária
A prática da integração sensorial segundo Ayres requer uma formação complementar específica. Ela se distingue das atividades sensoriais gerais por sua rigor clínico e seu quadro teórico. Existem certificações para validar essa competência.
🧰 Ferramentas e materiais em pediatria
O ergoterapeuta em pediatria utiliza um material específico adaptado às crianças. O aspecto lúdico é essencial para manter a motivação e o engajamento terapêutico.
Material de motricidade fina
- Jogos de manipulação: Contas, massa de modelar, jogos de construção, quebra-cabeças
- Ferramentas gráficas: Lápis adaptados, guias para os dedos, planos inclinados
- Jogos de destreza: Pinças, pinçetas, jogos de encaixe
- Atividades de recorte: Tesouras adaptadas, material de colagem
Material sensorial
Equipamento vestibular
Gangorras, redes, pranchas de equilíbrio, trampolins
Material proprioceptivo
Bolas pesadas, cobertores pesados, coletes pesados
Material tátil
Bacias sensoriais, texturas variadas, pincéis, objetos vibrantes
Ajudas técnicas pediátricas
- Ajudas à escrita: Mangas, guias para os dedos, apoios para as mãos, réguas adaptadas
- Ajudas ao posicionamento: Assentos adaptados, planos inclinados, apoios para os pés
- Ajudas à autonomia: Talheres adaptados, roupas adaptadas, fechos fáceis
- Ferramentas informáticas: Teclados adaptados, mouses ergonômicos, softwares de ajuda
🤝 Colaboração e parceria
A ergoterapia pediátrica é sempre exercida em estreita colaboração com os pais, a escola e outros profissionais. Este trabalho em rede é indispensável para a coerência do acompanhamento.
Parceria com os pais
- Informação e educação: Explicar as dificuldades da criança, os objetivos, as estratégias
- Orientação parental: Transmitir exercícios e estratégias a serem utilizadas no dia a dia
- Co-construção dos objetivos: Envolver os pais na definição das prioridades
- Apoio emocional: Acompanhar os pais na aceitação e adaptação
Colaboração com a escola
Adaptações
Recomendação de adaptações pedagógicas e materiais para a sala de aula
Conselho aos professores
Explicação das dificuldades da criança, estratégias adaptadas em sala de aula
Reuniões ESS
Participação nas equipes de acompanhamento escolar, elaboração do PPS
Trabalho multidisciplinar
- Fonoaudiólogo: Coordenação sobre os distúrbios da linguagem, leitura, escrita
- Psicomotricista: Complementaridade sobre a motricidade, o esquema corporal
- Psicólogo/neuropsicólogo: Compartilhamento sobre os aspectos cognitivos e emocionais
- Médico: Coordenação médica, prescrições, acompanhamento global
"Uma criança em dificuldade precisa de uma equipe coerente ao seu redor. A coordenação entre profissionais, pais e escola é a chave para um acompanhamento eficaz."
— Princípios do acompanhamento pediátrico
📱 Ferramentas digitais em pediatria
As ferramentas digitais oferecem novas possibilidades para a ergoterapia pediátrica. As crianças, frequentemente atraídas pelas telas, podem se engajar facilmente em exercícios apresentados na forma de jogos digitais.
Aplicativos de estimulação cognitiva
O aplicativo COCO da DYNSEO é especialmente projetado para crianças de 5 a 10 anos. Ele oferece exercícios lúdicos que trabalham diferentes funções cognitivas, com uma particularidade única: a integração de uma pausa esportiva obrigatória para favorecer o equilíbrio entre tela e atividade física.
Exercícios cognitivos
Memória, atenção, lógica, linguagem adaptados ao nível da criança
Pausa esportiva
Exercícios físicos integrados para equilibrar o tempo de tela
Acompanhamento do progresso
Dashboard para acompanhar a evolução e adaptar os exercícios
Indicações em pediatria
- TDAH: Treinamento da atenção, inibição, memória de trabalho
- Distúrbios de aprendizagem: Exercícios de memória, lógica, percepção
- TSA: Atividades estruturadas, previsíveis, motivadoras
- Atraso de desenvolvimento: Estimulação adaptada ao nível da criança
💡 Regular o uso das telas
As ferramentas digitais devem ser integradas em uma abordagem equilibrada. COCO integra uma pausa esportiva obrigatória para limitar o tempo de tela passivo. O ergoterapeuta orienta os pais sobre o uso razoável dessas ferramentas, em complemento às atividades não digitais.
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A DYNSEO oferece formações para otimizar o uso das ferramentas digitais no atendimento às crianças.
Descubra nossas formações →🎯 Conclusão
A ergoterapia pediátrica é uma especialidade rica e fascinante que acompanha o desenvolvimento da criança em todas as suas dimensões. Da avaliação à intervenção, o ergoterapeuta adapta suas ferramentas e abordagens ao estágio de desenvolvimento e às necessidades específicas de cada criança.
O jogo continua sendo o suporte privilegiado da terapia, seja ele tradicional ou digital. Aplicativos de estimulação cognitiva como COCO oferecem novas possibilidades para engajar as crianças em exercícios lúdicos e acompanhar seu progresso de forma objetiva.
A parceria com os pais, a escola e outros profissionais é indispensável para garantir a coerência e a eficácia do acompanhamento. O ergoterapeuta em pediatria é um elo essencial dessa cadeia de cuidado, contribuindo para o florescimento e a autonomia das crianças que acompanha.
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