Os residentes com doença de Alzheimer ou outra demência caem de 2 a 3 vezes mais frequentemente do que os residentes sem distúrbios cognitivos. Eles também são mais propensos a não chamar após uma queda, a não conseguir descrever o que aconteceu e a não entender ou memorizar as instruções de segurança que lhes são dadas. A prevenção de quedas em pessoas com demência não pode ser idêntica à dos outros residentes — deve ser pensada de forma diferente, adaptada às especificidades da demência, e deve se basear mais no ambiente e na presença humana do que na conformidade do residente.

1. Um risco de queda multiplicado por 2 a 3

Esse número — duas a três vezes mais quedas — merece ser destacado. Isso significa que em um Lar de idosos onde a média é de 1,5 queda por residente por ano, um residente com demência pode ter de 3 a 5. E cada uma dessas quedas expõe a uma fratura, a uma hospitalização, a uma perda adicional de autonomia, a uma agravamento dos distúrbios cognitivos pelo estresse e pela mudança de referências que uma hospitalização implica.

Compreender por que esse risco é tão elevado — e não apenas aceitá-lo como uma fatalidade — é indispensável para construir uma prevenção eficaz e adaptada.

2. Por que a demência aumenta tanto o risco de queda

🧠 Alteração do julgamento e da consciência dos riscos

A pessoa com demência não percebe mais as situações perigosas como tais. Ela se levanta sem ajuda, mesmo não conseguindo ficar em pé sozinha. Ela ultrapassa obstáculos sem vê-los. Ela esquece que deve chamar antes de se levantar.

🚶 Distúrbios da marcha relacionados a lesões cerebrais

A demência altera diretamente a marcha — passos pequenos, marcha larga, hesitações, freezing (bloqueio súbito da marcha), especialmente na doença de Parkinson-demência. Esses distúrbios são independentes da força muscular.

💊 Medicamentos psicotrópicos

Os residentes com demência frequentemente recebem neurolépticos, ansiolíticos ou antidepressivos para gerenciar os distúrbios comportamentais — medicamentos que aumentam todos o risco de queda.

🌙 Deambulação noturna e confusão

A inversão do ritmo dia/noite, frequente em demências avançadas, leva os residentes a deambular à noite em um ambiente pouco seguro e sem supervisão suficiente.

🦯 Incapacidade de usar ajudas técnicas

O residente com demência esquece de usar sua bengala, seu andador, seu botão de chamada. Mesmo treinado, ele não memoriza a instrução. As ajudas técnicas convencionais pressupõem uma conformidade que a demência torna impossível de manter.

⚡ Impulsividade e comportamentos de risco

Alguns residentes com demência apresentam uma impulsividade aumentada — levantam-se abruptamente, reagem a estímulos internos (dor, agitação, alucinações) sem tempo de adaptação, assumem riscos sem medir as consequências.

3. Detectar o risco em residentes com demência

A avaliação padronizada do risco de queda (Morse, Tinetti) continua sendo útil em residentes com demência — mas deve ser complementada por uma observação atenta dos comportamentos específicos da demência. Alguns sinais comportamentais são preditores de queda a curto prazo que os cuidadores próximos estão em melhor posição para identificar.

Sinais comportamentais precursores de queda em residentes com demência : Aumento súbito da agitação ou da deambulação. Tentativas repetidas de se levantar sozinho apesar da impossibilidade demonstrada. Abandono inexplicável da ajuda técnica normalmente utilizada. Queixas atípicas (dor, desconforto) que o residente não consegue localizar precisamente. Modificação dos hábitos de deambulação (nova frequência, novo trajeto). Sinais de infecção urinária (confusão aumentada, agitação) — primeiro fator desencadeante de queda em residentes com demência. Essas observações devem ser comunicadas imediatamente ao enfermeiro.

4. Segurança do ambiente para residentes com demência

Para os residentes com demência, a segurança do ambiente é ainda mais importante do que para os outros residentes — porque não se pode contar com sua conformidade às instruções verbais. O ambiente deve ser seguro por si só, sem que o residente tenha que se lembrar de nada.

✦ Princípios de arranjo específicos para residentes com demência

  • Pontos de referência visuais contrastantes — sinalizar a borda da cama, a entrada do banheiro, os obstáculos com contrastes de cores que até mesmo uma pessoa desorientada pode perceber
  • Ambiente simplificado — reduzir ao mínimo os objetos no chão e os obstáculos; o residente com demência não pode antecipá-los ou evitá-los
  • Móveis estáveis e sem rodas — tudo que pode servir de apoio deve suportar o peso do residente sem se mover
  • Sensores de saída de cama — alertam a equipe assim que o residente sai da cama, permitindo uma intervenção preventiva antes da queda
  • Luz suave permanente à noite — os residentes com demência não pensam em acender; a iluminação automática ou permanente é indispensável
  • Segurança das áreas de risco — acesso limitado às escadas, sinalização clara das áreas perigosas com pontos de referência compreensíveis mesmo para uma pessoa desorientada

5. A abordagem não verbal: o que funciona quando as palavras não são suficientes

Nos estágios avançados da demência, as instruções verbais de segurança não são mais memorizadas nem seguidas. O que permanece acessível é a emoção, a relação, a presença física — e métodos de comunicação adaptados como a abordagem Montessori ou o método Humanitude.

🤝 O contato e a presença física

Uma mão suavemente colocada no ombro, um contato visual mantido, uma voz calma e lenta — esses sinais relacionais podem ser suficientes para desacelerar um residente que está prestes a se levantar de forma impulsiva, enquanto um cuidador o ajuda a fazê-lo com segurança. A presença humana continua sendo a primeira ajuda técnica.

🎵 A música e os pontos de referência sensoriais

A música conhecida e amada pelo residente pode reduzir a agitação e a deambulação ansiosa — dois precursores de queda. Pontos de referência olfativos (lavanda, perfume conhecido) no quarto podem ajudar alguns residentes com demência a se sentirem mais seguros e menos propensos a deambular.

📋 A rotina e a previsibilidade

Os residentes com demência estão menos em risco em ambientes previsíveis — mesmos horários, mesmos cuidadores, mesmos espaços. Mudanças na rotina (quarto diferente, cuidador desconhecido, horários alterados) aumentam a agitação e o risco de queda. A continuidade é uma medida de prevenção.

6. A deambulação: entre risco e necessidade

A deambulação — movimento contínuo e repetitivo, muitas vezes sem um objetivo aparente — é um dos sintomas comportamentais mais frequentes nas demências avançadas. Ela representa um risco real de queda (fadiga, obstáculos, queda ao fazer meia-volta). Mas também responde a uma necessidade — necessidade de movimento, de estimulação sensorial, de segurança pela marcha.

A resposta à deambulação não pode ser a proibição ou a contenção — além da ética, essas medidas aumentam a agitação e, em última análise, o risco de queda. Deve ser o acompanhamento seguro : espaços dedicados à deambulação (circuitos de caminhada seguros em Lar de idosos), uma supervisão adequada e uma busca sistemática pela causa (dor não expressa, necessidade de urinar, ansiedade) para tratar a fonte em vez do sintoma.

7. Agitação, impulsividade e quedas

A agitação psicomotora — forma de hiperatividade ansiosa frequente nas demências — é um fator de risco de queda importante. O residente agitado se levanta abruptamente, anda rápido, muda de direção sem antecipar, pode derrubar móveis. Cada episódio de agitação é uma janela de alto risco.

« Aprendemos a ler os sinais precursores de agitação na Sra. G. Ela começa a esfregar as mãos, a olhar para a porta. Quando vemos isso, antecipamos — oferecemos uma caminhada acompanhada ou uma atividade. Evitamos a escalada. E as quedas diminuíram. »

— Auxiliar de enfermagem, unidade Alzheimer, Lar de idosos Normandia

8. A contenção: uma falsa solução

A tentação da contenção — amarrar o residente à sua cadeira ou à sua cama para evitar que ele caia — é compreensível em equipes exaustas diante de residentes de muito alto risco. No entanto, é contraproducente e eticamente inaceitável. A contenção aumenta a agitação e as tentativas de fuga, agrava a dependência física pelo descondicionamento, provoca complicações (escara, síndrome de deslizamento) e não reduz o risco de queda — pode até aumentá-lo durante as tentativas de se libertar.

As alternativas à contenção existem e são eficazes : ambiente seguro, sensores de saída, presença humana reforçada em momentos de risco, atividades adaptadas, revisão medicamentosa. As recomendações nacionais e internacionais são claras e concordantes : a contenção não deve ser utilizada como medida de prevenção de quedas.

9. O exercício físico em residentes com demência

Ao contrário de uma ideia preconcebida, os residentes com demência podem se beneficiar de exercícios físicos adaptados — mesmo em estágios avançados. Esses exercícios não podem ser os mesmos que com residentes cognitivos — devem ser curtos, repetitivos, integrados em atividades que fazem sentido (andar para ir à sala de jantar em vez de andar por andar) e realizados em um contexto relacional forte (presença física do cuidador, encorajamento, valorização).

👨‍👩‍👧 O que as famílias frequentemente vivenciam
« Temos medo de deixá-lo andar sozinho desde que ele caiu. »

Esse medo é legítimo — e ao mesmo tempo, imobilizá-lo por medo da queda agrava a sarcopenia e o risco futuro. O equilíbrio é difícil de encontrar, e as famílias precisam ser orientadas pela equipe sobre o que seu ente querido pode fazer sem perigo.

✦ O que a equipe pode dizer às famílias

Explicar que mover-se — mesmo com um risco residual — é menos perigoso do que não se mover de forma alguma. Dar às famílias instruções concretas sobre como acompanhar seu ente querido durante uma caminhada (lado, pegando o braço, ritmo). Valorizar seu papel ativo na manutenção da mobilidade.

10. Apoiar as famílias na prevenção

As famílias de residentes com demência frequentemente vivem um medo duplo — o medo da queda e o medo da contenção ou da imobilização. Essa tensão merece ser nomeada e trabalhada com elas. A equipe tem um papel pedagógico importante : explicar por que algumas medidas que parecem proteger (amarrar, imobilizar, eliminar os deslocamentos) são na verdade contraproducentes, e quais alternativas estão sendo implementadas.

Essa explicação — honesta, transparente, sem minimizar o risco real — é a condição para uma aliança familiar sólida. Uma família que compreende a abordagem da equipe estará mais disposta a cooperar, observar e sinalizar, e a valorizar as medidas de prevenção junto ao seu ente querido — mesmo quando esse ente querido não compreende mais por que essas medidas estão lá.

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