Na Dynseo, acreditamos que cada criança possui um potencial único que só precisa de espaço para florescer. No entanto, para alguns alunos, o caminho da aprendizagem é repleto de obstáculos invisíveis: os transtornos "DYS". Longe de ser um fardo, essas particularidades cognitivas exigem uma resposta pedagógica adaptada, acolhedora e equipada. É com essa visão que desenvolvemos nossas soluções, incluindo nosso aplicativo ludo-educativo COCO PENSE e COCO BOUGE e nossa formação dedicada aos professores do ensino fundamental.
Nossa missão é construir pontes onde alguns veem barreiras. Não se trata de "consertar" um aluno, mas de fornecer a ele ferramentas e um ambiente que respeitem seu modo de funcionamento. Este artigo tem como objetivo abrir as portas do nosso ateliê e mostrar como projetamos especificamente os exercícios cognitivos do COCO PENSE para que se tornem verdadeiros aliados para os alunos com transtornos DYS. Abordaremos como ajustes aparentemente simples podem transformar uma experiência de aprendizagem frustrante em uma aventura estimulante e gratificante.
Antes de mergulhar nas funcionalidades do nosso aplicativo, parece essencial estabelecer as bases. Compreender a natureza dos transtornos DYS é o primeiro passo para poder respondê-los de forma eficaz. É essa compreensão que guia toda a nossa abordagem, desde a concepção de nossos jogos até a elaboração de nossos programas de formação.
O que é um transtorno "DYS"?
O termo "DYS" é um prefixo que agrupa uma família de transtornos específicos de aprendizagem. Não se trata de falta de inteligência, preguiça ou um problema de motivação. Trata-se de transtornos do neurodesenvolvimento, ou seja, maneiras diferentes de como o cérebro processa certas informações.
- A dislexia afeta principalmente a aprendizagem da leitura, o reconhecimento de palavras e a ortografia.
- A disortografia está especificamente relacionada à aquisição e ao domínio da ortografia.
- A discalculia diz respeito às dificuldades em compreender e manipular números e conceitos matemáticos.
- A dispraxia impacta o planejamento, a coordenação e a automatização de gestos, sejam eles finos (escrita) ou globais.
- A disfasia é um transtorno do desenvolvimento da linguagem oral.
- O transtorno do déficit de atenção com ou sem hiperatividade (TDA/H), embora não seja um "DYS" no sentido estrito, é frequentemente associado devido ao seu impacto significativo nas funções atencionais e executivas, cruciais para a aprendizagem.
Cada um desses transtornos se manifesta de maneira única e em graus diversos, criando um perfil de aprendizagem singular para cada aluno.
O impacto na aprendizagem cognitiva
Um exercício que parece simples para um aluno neurotípico pode representar uma montanha para um aluno DYS. Uma instrução escrita pode ser um código indecifrável para um disléxico. Um exercício de lógica envolvendo cálculos mentais pode paralisar um discalculico. Um jogo que exige clicar rapidamente em pequenos alvos pode ser fonte de grande frustração para um dispraxico.
Essa "dupla tarefa" é um conceito chave: o aluno DYS gasta uma energia cognitiva considerável apenas para decodificar a informação básica (ler a instrução, identificar os números), o que deixa menos recursos disponíveis para a tarefa principal (resolver o problema, memorizar a informação). É como tentar correr uma maratona carregando uma mochila pesada: o esforço é multiplicado e o cansaço chega muito mais rápido.
Nosso compromisso: da observação à ação
É com base nessa constatação que agimos. Acreditamos firmemente que a tecnologia não deve ser um obstáculo a mais, mas um alavanca. Ela deve se adaptar à criança, e não o contrário. É por isso que a concepção do COCO PENSE é fruto de uma colaboração com profissionais (fonoaudiólogos, neuropsicólogos, terapeutas ocupacionais) e de uma escuta atenta das necessidades do campo. Paralelamente, desenvolvemos nosso programa de formação para os professores, pois sabemos que a ferramenta mais poderosa continua sendo um professor informado, confiante e capaz de fazer o diagnóstico pedagógico correto.
COCO PENSE: uma caixa de ferramentas cognitivas pensada para todos
Nosso aplicativo, COCO PENSE e COCO BOUGE (disponível aqui: https://www.dynseo.com/version-coco/), não foi criado "para os DYS", mas pensado para ser "inclusivo". Essa nuance é fundamental. Nosso objetivo é oferecer um ambiente de aprendizagem estimulante para todos, com portas de entrada e percursos adaptáveis que permitem aos alunos DYS participar plenamente, sem serem estigmatizados.
A filosofia do COCO PENSE e COCO BOUGE
Nossa abordagem se baseia em dois pilares complementares: a cognição (PENSE) e o movimento (BOUGE). Sabemos hoje que o corpo e a mente estão intimamente ligados. A atividade física (COCO BOUGE) favorece a concentração, a gestão da energia e a coordenação motora, aspectos particularmente benéficos para alunos com TDA/H ou dispraxia.
COCO PENSE, por sua vez, é uma coleção de mais de 30 jogos projetados para estimular de maneira lúdica as funções cognitivas essenciais. O jogo desdramatiza o erro, encoraja a tentativa e erro e favorece o engajamento. Para um aluno que vive o fracasso escolar diariamente, reencontrar o prazer de aprender e o orgulho de ter sucesso é uma vitória inestimável.
Os grandes domínios cognitivos abordados
Nossos jogos não são simples passatempos. Cada um é projetado para direcionar funções específicas, que muitas vezes são as fundações sobre as quais se constroem aprendizagens escolares mais complexas.
- A memória: memória de trabalho (reter uma informação para usá-la imediatamente), memória de curto prazo, memória visual e auditiva.
- A atenção: atenção seletiva (concentrar-se em uma informação relevante ignorando os distraidores), atenção compartilhada e concentração sustentada.
- As funções executivas: planejamento (organizar as etapas para alcançar um objetivo), flexibilidade mental (mudar de estratégia), inibição (controlar os impulsos).
- A linguagem: vocabulário, compreensão de instruções, categorização.
- As habilidades visuo-espaciais: orientação no espaço, reconhecimento de formas, percepção das relações espaciais.
- A lógica e o raciocínio.
Ao trabalhar essas funções fundamentais de maneira transversal, ajudamos o aluno a fortalecer suas fundações cognitivas, o que terá um impacto positivo em toda a sua escolaridade.
As adaptações específicas para os alunos DYS no COCO PENSE
É aqui que nossa abordagem ganha todo o seu sentido. Como fazer para que essa "caixa de ferramentas" seja acessível e eficaz para um aluno disléxico, dispraxico ou discalculico? Integramos vários níveis de adaptação, funcionando como rampas de acesso ou ajustes de conforto.
Reduzir a carga cognitiva relacionada à leitura
Para um aluno disléxico, o texto é frequentemente o inimigo. Portanto, buscamos contorná-lo ou torná-lo mais acessível.
- Instruções orais sistemáticas: Todas as instruções de nossos jogos são lidas em voz alta por uma voz clara e calma. O aluno pode ouvi-las quantas vezes forem necessárias. A energia que teria sido gasta decifrando o texto é assim preservada para a resolução do exercício em si.
- Primazia do visual: Priorizamos o uso de ícones, pictogramas e imagens em vez de palavras. Em um jogo de categorização, por exemplo, usaremos imagens de animais, frutas ou veículos em vez de seus nomes escritos.
- Tipografia cuidadosa: Quando o texto é inevitável, utilizamos fontes sem serifa, com espaçamento generoso entre as letras e linhas para melhorar a legibilidade.
Adaptar o ritmo e a dificuldade
A pressão do tempo é uma fonte de estresse imensa para muitos alunos DYS que precisam de mais tempo para processar a informação.
- Níveis de dificuldade adaptativos: O aplicativo ajusta automaticamente a dificuldade dos jogos com base nos sucessos e fracassos do aluno. Se ele tem sucesso, o nível aumenta gradualmente. Se ele falha, o aplicativo propõe um nível ligeiramente mais simples para evitar a frustração e o desânimo. É um tutor paciente que se adapta em tempo real.
- Modos sem cronômetro: Muitos jogos podem ser jogados sem limite de tempo. O objetivo não é a velocidade, mas a reflexão e o sucesso. Isso permite que o aluno leve o tempo necessário para analisar, planejar sua resposta e validá-la.
Solicitar vários canais sensoriais
A aprendizagem é mais robusta quando passa por várias portas de entrada sensoriais. Este é um princípio fundamental da pedagogia adaptada.
- Feedback visual e auditivo: Uma boa resposta não é validada apenas por um texto. Ela é acompanhada de um sinal visual claro (uma marca verde, uma animação positiva) e de um som gratificante. Inversamente, um erro é sinalizado de maneira neutra e não punitiva, muitas vezes com um som suave e uma indicação visual, convidando a tentar novamente.
- Associação imagem-som: Nos jogos de memória ou de vocabulário, associamos sistematicamente a imagem ao seu nome pronunciado em voz alta. Isso cria uma dupla âncora memorável, visual e auditiva, particularmente eficaz para alunos com dificuldades com a linguagem escrita.
Um ambiente visual limpo e estruturado
Para um aluno com transtorno de atenção ou dificuldades de processamento visual, uma tela sobrecarregada é como uma sala bagunçada onde nada pode ser encontrado.
- Interface minimalista: Evitamos qualquer distração visual desnecessária. Os fundos são neutros, as cores são usadas para guiar a atenção e não para decorar. Não há animações desnecessárias ou anúncios.
- Uma única tarefa por tela: Apresentamos as informações de maneira sequencial. O aluno se concentra em uma única instrução e uma única ação por vez. Isso estrutura seu pensamento e o ajuda a não se sentir sobrecarregado por um fluxo de informações.
Além da ferramenta: a formação dos professores, chave de volta do acompanhamento
Estamos convencidos de que um aplicativo, por mais bem projetado que seja, só pode expressar seu pleno potencial se estiver integrado em uma abordagem pedagógica reflexiva e apoiada por um professor treinado. A ferramenta digital é um violino; o professor é o arco.
Por que uma ferramenta sozinha não é suficiente
Confiar um tablet com COCO PENSE a um aluno DYS sem acompanhamento é como dar a ele um livro sem tê-lo ensinado a ler. O professor desempenha um papel crucial para:
- Escolher os jogos mais relevantes com base nas dificuldades específicas do aluno.
- Definir objetivos claros e alcançáveis.
- Verbalizar com o aluno as estratégias que ele está implementando para ter sucesso.
- Fazer a conexão entre as competências trabalhadas no jogo e as aprendizagens em sala de aula.
- Valorizar os progressos e reforçar a autoestima da criança.
Nossa formação "Identificar e acompanhar os transtornos DYS"
É para fornecer aos professores as chaves para esse acompanhamento que criamos nossa formação "Identificar e acompanhar os transtornos DYS na escola primária" (detalhes aqui: https://www.dynseo.com/courses/identifier-et-accompagner-les-troubles-dys-a-lecole-primaire/). Este programa visa equipar os profissionais da educação para que se sintam mais à vontade e mais eficazes diante desses alunos. Os objetivos são concretos:
- Sabendo identificar: Aprender a reconhecer os sinais de alerta dos diferentes transtornos DYS no contexto da sala de aula.
- Compreender: Entender os mecanismos cognitivos subjacentes para interpretar melhor as dificuldades do aluno.
- Agir: Descobrir uma gama de estratégias pedagógicas, adaptações e ferramentas (incluindo a integração de soluções digitais como a nossa) a serem implementadas no dia a dia.
Criar um ecossistema acolhedor
Nossa visão é a de um ecossistema virtuoso. O professor treinado pode entender melhor seu aluno. Ele pode então usar o COCO PENSE não como uma solução mágica, mas como um instrumento de precisão dentro de sua pedagogia diferenciada. O aluno, sentindo-se compreendido e usando uma ferramenta adequada, recupera a confiança, progride e se engaja mais serenamente em suas aprendizagens. É esse círculo virtuoso que buscamos iniciar.
Exemplos concretos de exercícios adaptados no COCO PENSE
Para ilustrar nosso ponto, aqui está como alguns de nossos jogos clássicos são pensados para serem inclusivos.
O jogo da memória das pares (para dislexia e dispraxia)
Na sua versão clássica, um jogo de memória pode usar palavras. Para um aluno disléxico, isso equivale a memorizar hieróglifos.
- Nossa adaptação: Oferecemos versões com imagens (animais, objetos), formas geométricas ou até sons. O aluno deve associar dois sons idênticos ou uma imagem e o som correspondente. A leitura não é mais um pré-requisito. Para o aluno dispraxico, as cartas a serem viradas são grandes, com áreas de clique amplas e tolerantes, não exigindo uma motricidade fina perfeita.
As sequências lógicas (para discalculia)
As sequências numéricas podem ser um verdadeiro pesadelo para um aluno discalculico.
- Nossa adaptação: Substituímos os números por sequências de cores, formas ou objetos. O aluno deve identificar o padrão lógico (ex: quadrado vermelho, círculo azul, quadrado vermelho, ...) e completá-lo. A competência de raciocínio lógico é trabalhada independentemente da manipulação de números. A progressão é muito lenta, consolidando cada etapa antes de passar para a seguinte.
O exercício de atenção visual (para TDA/H)
Um exercício do tipo "Onde está o Charlie?" pode ser visualmente complexo demais para um aluno com transtorno de atenção.
- Nossa adaptação: No nosso jogo "O Intruso", apresentamos uma grade de objetos quase idênticos, exceto um. O fundo é uniforme. O número de elementos é baixo nos primeiros níveis e aumenta muito gradualmente. O feedback é imediato para manter o engajamento. O objetivo é canalizar a atenção visual para uma tarefa precisa e delimitada, sem sobrecarga sensorial.
Em conclusão, nossa abordagem na Dynseo não é oferecer uma solução mágica, mas fornecer uma paleta de ferramentas e conhecimentos. O COCO PENSE é projetado como um canivete suíço cognitivo, cuja lâmina foi pensada para ser segura, acessível e eficaz para todos os perfis de alunos. As adaptações para os alunos DYS não são "gadget", mas o coração da nossa filosofia de design: a inclusão pelo design.
Associado a uma formação que dá aos professores a confiança e as competências necessárias, essa ferramenta pode se tornar um poderoso catalisador de progresso. Ela permite transformar o obstáculo em desafio, a frustração em orgulho e lembrar a cada criança, independentemente de suas dificuldades, que seu cérebro é um músculo formidável, capaz de aprender e crescer. Nossa maior satisfação é saber que, graças a essas adaptações, estamos dando a cada aluno a chave certa para abrir a porta de seu próprio potencial.
O artigo "COCO PENSE para os alunos DYS: adaptação dos exercícios cognitivos" destaca a importância de adaptar os exercícios cognitivos para alunos com transtornos DYS. Em um contexto semelhante, é interessante consultar outro artigo que aborda o acompanhamento de pessoas com doenças neurodegenerativas. Por exemplo, o artigo sobre como preservar a dignidade de um ente querido com Alzheimer explora estratégias para apoiar pessoas afetadas por essa doença, respeitando sua dignidade. Esses dois artigos ressaltam a importância da adaptação e do apoio personalizado no campo dos transtornos cognitivos.