Apoiar um adolescente com trissomia: 10 situações difíceis do dia a dia e como responder
Apoiar um adolescente com trissomia no dia a dia, o que fazer quando a situação sai do controle ? A questão quase nunca surge nos grandes momentos, aqueles que tememos antecipadamente. Ela aparece nos micro-momentos que se repetem a cada dia : uma manhã que se eterniza, uma crise no caixa do supermercado, um « não » que estala quando não pedimos nada complicado, uma palavra que não entendemos e que termina em lágrimas de ambos os lados.
Aqui estão dez dessas cenas, descritas como realmente acontecem na adolescência. Para cada uma: o que realmente acontece do lado do jovem, a reação espontânea que quase sempre agrava a situação — você provavelmente já a teve, e não tem problema — e a resposta passo a passo que funciona, com as palavras exatas a serem usadas e o gesto a ser feito. O objetivo não é se tornar um acompanhante perfeito, mas transformar cenas que desgastam em cenas que são atravessadas.
O essencial em 30 segundos
Na adolescência, a maioria das situações difíceis com um jovem portador de síndrome de Down não são "caprichos" nem má vontade: são respostas a um ambiente muito rápido, muito barulhento ou muito imprevisível para um ritmo de processamento diferente.
- Três reflexos válidos em qualquer lugar — desacelerar, dar uma instrução de cada vez, deixar um verdadeiro tempo de resposta antes de repetir.
- O que quase sempre agrava — elevar o tom, encadear as frases, fazer por ele, argumentar no momento da crise, comparar com os outros.
- O "não" nem sempre é uma recusa — muitas vezes é cansaço, uma instrução mal compreendida, uma transição muito brusca ou uma necessidade de existir como adolescente.
- O transbordamento emocional se prepara e se previne mais do que se raciocina uma vez instalado.
- Você tem o direito de estar exausto e de não encontrar a resposta certa na primeira tentativa. A regularidade conta mais do que a perfeição.
1. A manhã que se eterniza e o atraso que aumenta
7h20. Ele ainda está de pijama, uma meia na mão, o olhar perdido para a janela. Você repete pela terceira vez "vamos, vamos nos vestir, vamos nos atrasar". Ele não se mexe. Você acaba colocando o suéter nele sozinha, irritada, e o dia já começa mal para os dois.
O que acontece: se vestir de manhã é encadear uma longa série de ações na ordem correta, sob pressão de tempo, enquanto o cérebro ainda está lento ao acordar. Em muitos adolescentes com síndrome de Down, o planejamento de uma sequência de ações e a transição de uma tarefa para outra exigem mais etapas e mais tempo. A instrução global "vista-se" é na verdade uma dezena de micro-instruções empilhadas. E o atraso que aumenta se lê na sua voz muito antes das suas palavras: o estresse se transmite, ele desacelera ainda mais.
- Divida em uma única ação de cada vez. Diga "coloque sua primeira meia", espere, depois "agora a segunda". Uma instrução, um resultado, a próxima depois.
- Deixe a sequência visível. Uma faixa de imagens exibida na porta do quarto — levantar, roupa íntima, calça, camiseta, sapatos — permite seguir a ordem sem lhe solicitar. O quadro de rotinas ilustradas serve exatamente para isso.
- Antecipe o despertar, não a pressão. Quinze minutos a mais pela manhã custam menos do que um conflito diário. Ganha-se tempo ao dar.
- Nomeie o fim, não o atraso. "Quando você estiver vestido, tomaremos café da manhã juntos" orienta para um objetivo agradável em vez de uma ameaça.
❌ A evitar: repetir a mesma instrução cada vez mais alto, fazer por ele "para ir mais rápido" (isso ensina que ele não precisa fazer), e comentar sobre a lentidão — "você sempre é o último" — que instala uma imagem negativa de si mesmo sem acelerar nada.
Para que isso aconteça menos: prepare na noite anterior as roupas do dia seguinte, dispostas na ordem de vestir em uma cadeira. De manhã, metade do trabalho cognitivo — escolher, procurar, ordenar — já está feito. Uma rotina estável, com os mesmos gestos todos os dias, acaba funcionando quase sozinha: a repetição é a melhor aliada da autonomia.
2. A crise no meio da loja
Corredor das compras, um sábado lotado. Ele queria o pacote de biscoitos vermelho, você disse não. Ele se joga no chão, grita, bate os pés. Os olhares se voltam para você. Você se sente julgada, cede ou o puxa pelo braço em direção à saída.
O que acontece: um supermercado é um ambiente saturado — luz, barulho, multidão, múltiplas escolhas. A essa sobrecarga sensorial se soma uma frustração imediata e uma dificuldade frequente em colocar em palavras o que transborda por dentro. A crise não é dirigida contra você: é um transbordamento que sai pelo único canal disponível. O olhar dos outros é seu problema, não o dele; ele está sobrecarregado.
- Abaixe-se à altura dele e fale baixo. Colocar-se no nível dele e desacelerar a voz acalma mais seguramente do que se erguer acima dele. "Vejo que é demais para você. Vamos respirar."
- Saia da zona de sobrecarga. Vá para um lugar mais calmo — um canto da loja, o exterior — sem fazer disso uma punição: "vamos ao silêncio por dois minutos".
- Espere a calmaria antes de falar sobre o fundo. Durante a crise, nenhum raciocínio passa. Vamos falar sobre o pacote de biscoitos depois, em calma.
- Prepare a próxima saída. Anuncie o quadro antes de entrar: "vamos comprar o que está na lista, e você escolhe uma coisa". A roda de escolhas ajuda a enquadrar uma decisão única e torná-la aceitável.
❌ A evitar: ceder no meio da crise (isso ensina que gritar funciona), raciociná-lo em voz alta na frente de todo mundo, ou ameaçá-lo com uma sanção desproporcional que você não poderá cumprir.
3. A tela que não conseguimos desligar
Ele está na tablet há duas horas. Você anuncia "acabou, vamos desligar". Ele faz como se não ouvisse, depois se fecha, e chora quando você pega o aparelho. Cada fim de tela se torna uma batalha, e você começa a temer o momento de desligar.
O que acontece: a tela oferece um mundo previsível, repetitivo e sem julgamento, o que é profundamente reconfortante. A transição brusca entre um universo absorvente e o retorno à realidade é difícil para muitos jovens que precisam de tempo para mudar de atividade. O "vamos desligar agora" chega como uma ruptura, não como um fim anunciado.
- Anuncie o fim com antecedência, duas vezes. "Mais dois vídeos e paramos", depois "esta é a última". A consideração transforma uma ruptura em transição.
- Use um marcador concreto de tempo. Um temporizador visual ou uma música que marca o fim funciona melhor do que uma duração abstrata, difícil de imaginar.
- Preveja o que vem a seguir. É mais fácil soltar uma tela para ir a algo do que para ir a nada: "depois da tablet, vamos pôr a mesa juntos".
- Proponha conteúdos que tenham um fim. Um jogo que termina, como as atividades do aplicativo COCO, é mais fácil de desligar do que um fluxo de vídeos sem fim, projetado para nunca parar.
❌ A evitar: arrancar o aparelho sem avisar, negociar sem fim "mais cinco minutos" que se transformam em trinta, e usar a tela como única resposta ao tédio — o que reforça a dependência do silêncio que ela proporciona.
4. O "não" a tudo, a oposição sistemática
"Você vem comer?" — "Não." "Vamos escovar os dentes." — "Não." Tudo se torna uma disputa. Você tem a impressão de que ele está te provocando, e você aumenta a voz a cada recusa.
O que acontece: a adolescência é a idade da afirmação de si, em todos os jovens. Dizer "não" é uma maneira de existir, de testar limites, de reivindicar um pouco de poder sobre sua vida — uma necessidade ainda mais forte quando raramente se decide sobre o cotidiano. Às vezes também, o "não" significa "não entendi", "não agora" ou "estou cansado". A recusa nem sempre é o que parece.
- Ofereça uma escolha enquadrada em vez de uma ordem. "Você quer escovar os dentes antes ou depois do pijama?" O jovem mantém uma decisão, você mantém o rumo.
- Verifique se a instrução foi compreendida. Reformule de forma simples, uma ideia de cada vez, e deixe tempo para a resposta. Um "não" rápido muitas vezes esconde uma instrução muito longa.
- Confie responsabilidades reais. Um adolescente que decide coisas reais durante o dia tem menos necessidade de dizer não para se sentir existente.
- Escolha suas batalhas. Duas ou três regras não negociáveis (segurança, respeito), e flexibilidade sobre o restante. Nem tudo merece um confronto.
❌ A evitar: transformar cada recusa em uma prova de força, ceder por cansaço após ter aguentado dez minutos (o pior dos dois mundos), e interpretar sistematicamente o "não" como uma provocação dirigida contra você.
Para que isso aconteça menos: dê a cada dia verdadeiras oportunidades de decidir — a refeição, a roupa, a atividade do fim de semana. Quando um adolescente sente que tem poder sobre sua vida em assuntos que importam para ele, a necessidade de se opor em tudo o mais diminui consideravelmente. A oposição diminui quando a autonomia aumenta.
5. Ele quer fazer sozinho o que ainda não é seguro
Ele quer ir comprar pão sozinho, como seu primo. Ou atravessar sem dar a mão. Você sabe que ele ainda não avalia bem o perigo da estrada, e você responde "não, você é muito pequeno para isso". Ele se ofende: "não sou um bebê."
O que acontece: o desejo de autonomia é saudável e essencial na adolescência. Recusá-lo de forma total machuca e freia os aprendizados. Mas algumas competências — antecipar um perigo, gerenciar um imprevisto — se constroem gradualmente e em um ritmo próprio. A resposta certa não é a proibição total nem a liberação total, mas a autonomia graduada: ampliamos o perímetro por etapas, uma vez que cada etapa esteja dominada.
- Divida a autonomia em etapas alcançáveis. Primeiro ir até o final da rua enquanto você observa, depois com um marcador, depois sozinho em um trajeto conhecido e seguro.
- Formule em "ainda não", nunca em "nunca". "Vamos treinar, e em breve você fará isso sozinho" abre o futuro; "você é muito pequeno" o fecha.
- Treine a competência, não apenas a proibição. Repitam juntos a travessia, o pagamento, a frase a ser dita ao comerciante. Garantimos segurança aprendendo, não impedindo.
- Faça as etapas serem validadas por um terceiro. O terapeuta ocupacional, o educador ou o professor podem objetivar o que foi adquirido e o que ainda não foi, o que acalma os desentendimentos em casa.
❌ A evitar: a proibição global que humilha, o "você é muito pequeno" para um adolescente, e, inversamente, a liberação brusca sobre uma competência de segurança que ainda não foi adquirida. Para tudo que diz respeito à segurança, baseie-se na avaliação dos profissionais que o acompanham.
Essas situações, decifradas e trabalhadas passo a passo
A formação DYNSEO « Apoiar um adolescente com síndrome de Down : vida social, emoções, autonomia » retoma essas cenas do cotidiano e dá respostas concretas : comunicação adaptada, gestão das emoções, construção da autonomia passo a passo. 17 lições curtas, 100 % online, no seu ritmo, acesso ilimitado.
Descobrir a formação — 20 €6. Não entendemos o que ele diz
Ele está contando algo importante, visivelmente, com energia e gestos. Mas você não consegue entender as palavras. Você pede para repetir duas vezes, então diz « sim, sim » balançando a cabeça. Ele percebe que você não entendeu, e se fecha.
O que está em jogo : em muitos adolescentes com síndrome de Down, a articulação e o ritmo podem tornar a fala difícil de decifrar, mesmo quando o pensamento e a vontade de se comunicar estão plenamente presentes. Fingir que entende é percebido imediatamente : é o que mais desanima a continuar a falar. A mensagem conta mais do que a perfeição da palavra.
- Seja honesto sem desvalorizar. « Quero entender bem, você pode me mostrar de novo? » é melhor do que o « sim, sim » que fecha a porta.
- Abra outros canais. « Você pode me mostrar? », « nós desenhamos? », ou passar por imagens : o gesto e o pictograma complementam a fala.
- Reformule o que você entendeu. « Entendi que você está falando da escola… é isso? » Uma pergunta fechada exige muito menos esforço do que uma palavra a reformular.
- Ferramentas para a comunicação do dia a dia. Um aplicativo de comunicação por imagens como MEU DICIONÁRIO, ou a ficha de comunicação adaptada, fornecem apoios concretos para se fazer entender.
❌ A evitar : fingir que entendeu, terminar suas frases no lugar dele sistematicamente, falar mais alto (o problema não é o volume), e corrigi-lo na pronúncia durante a conversa — a casa é o lugar onde se mantém a vontade de falar, a reabilitação fonoaudiológica é onde se trabalha a precisão.
7. As tarefas bloqueiam e « eu sou ruim » volta
Folha de exercícios na mesa. Após cinco minutos, ele empurra o caderno : « não consigo, eu sou ruim. » Você insiste « mas sim, concentre-se », ele se fecha, a sessão termina em lágrimas ou em briga.
O que está em jogo : um exercício muito difícil confronta com o fracasso, e o fracasso repetido prejudica a autoestima muito mais do que faz progredir. Muitos adolescentes internalizaram, a força de comparações, uma imagem desvalorizada de si mesmos na escola. O « eu sou ruim » não é uma negociação : é um sofrimento que busca evitar uma nova ferida.
- Reduza a dificuldade até o sucesso. Um exercício bem-sucedido três vezes é melhor do que um exercício mal sucedido dez vezes. Comece com o que funciona, depois aumente gradualmente.
- Fraccione e limite a duração. « Dez minutos, depois paramos » é viável ; uma hora seguida não é. Fracionar protege a atenção e o humor.
- Mostre o progresso. Uma cruz por dia, uma conquista destacada : mostramos o caminho percorrido que a memória do cotidiano apaga.
- Use o jogo. Aplicativos de treinamento cognitivo adaptados, como COCO, ajustam o nível para evitar o fracasso repetido ; o guia de adaptação pedagógica ajuda a repensar os suportes.
❌ A evitar : « concentre-se » (se ele pudesse, ele faria), comparar com um irmão ou um colega, prolongar a sessão « até que esteja feito », e você se transformar em professor em tempo integral ao risco de prejudicar a relação. Em caso de bloqueio duradouro ou perda de confiança acentuada, converse com o professor, o psicólogo ou a equipe que o acompanha.
8. As zombarias e o sentimento de ser excluído
Ele volta de uma saída, com o rosto fechado. Após muitas perguntas, ele acaba revelando que ninguém quis brincar com ele, ou que zombaram dele. Com o coração apertado, você responde « não ligue » ou « não tem problema ». Ele se sente ainda mais sozinho.
O que está em jogo : a necessidade de pertencimento e amizade é central na adolescência, e a exclusão causa uma verdadeira ferida. Um adolescente com síndrome de Down percebe muito bem a rejeição, mesmo quando tem dificuldade em expressá-la. Minimizar (« não é nada ») é como dizer que o que ele sente não importa ; ele precisa primeiro ser ouvido, não consolado rapidamente.
- Receba a emoção antes de resolver. « Isso te machucou, eu entendo » valida o que ele está vivendo. Nomeie, não varra para debaixo do tapete.
- Ajude a colocar em palavras. Um suporte como o termômetro das emoções permite situar o que ele sente quando as palavras faltam.
- Crie espaços onde ele se sinta à vontade. Atividades inclusivas, associações, esporte adaptado, irmãos, primos : multiplicar os lugares onde ele tem sucesso socialmente compensa os lugares onde ele se sente excluído.
- Trabalhe algumas habilidades sociais concretas. Como propor um jogo, como responder a uma zombaria : frases repetidas em casa dão apoios para a próxima vez.
❌ A evitar : minimizar (« não tem problema »), resolver o problema no lugar dele intervindo frontalmente sem ele, e superproteger a ponto de impedi-lo de viver relacionamentos. Se o sofrimento persistir, se o humor mudar de forma duradoura ou se o isolamento se instalar, converse com o médico ou o psicólogo.
Para que isso aconteça menos : invista nos lugares onde ele é acolhido pelo que é — clubes de esporte adaptado, oficinas artísticas, associações, grupos de pares. Um adolescente que tem um ou dois lugares onde ele é valorizado e onde tem sucesso socialmente lida muito melhor com rejeições pontuais. Não se protege da zombaria isolando, mas multiplicando as pertenças.
9. A puberdade, o corpo e os gestos inadequados em público
Você está na casa de amigos. Ele se aproxima demais, ou coloca a mão em seu corpo na frente de todo mundo. Você fica constrangida, e o corrige severamente « pare, isso é sujo », ele não entende o que fez de errado e se fecha.
O que está em jogo : a puberdade chega com suas transformações, suas pulsões e suas novas emoções, como para todos os adolescentes. A diferença está principalmente na compreensão dos códigos sociais — o que é privado, o que é público — que não se aprendem sozinhos e merecem ser ensinados claramente, sem vergonha. O gesto não é « sujo » : está apenas no lugar errado, e isso pode ser explicado.
- Distinguir o lugar, não o ato. « Isso é algo que se faz sozinho, no seu quarto, não na frente dos outros. » Estabeleça uma regra clara, sem culpabilizar.
- Nomeie as partes do corpo e a intimidade de forma simples. Um vocabulário preciso e sem constrangimento ajuda a entender e também protege de situações de risco.
- Ensine os códigos do contato. A quem se dá um abraço, a quem se aperta a mão, qual a distância com os outros : essas regras se repetem e se reencenam, não são automáticas.
- Baseie-se em recursos adequados. Existem materiais de educação para a vida afetiva e sexual projetados para jovens com deficiência ; a equipe médica e educacional pode orientá-lo para ferramentas confiáveis.
❌ A evitar : reagir com nojo ou vergonha (« é sujo »), agir como se o assunto não existisse, e corrigi-lo em público de forma humilhante. Para qualquer dúvida sobre puberdade, contracepção ou saúde sexual, consulte o médico, que é o interlocutor para tudo que diz respeito ao acompanhamento.
10. A mudança de programa inesperada que muda tudo
A saída prevista para o parque é cancelada por causa da chuva. Você anuncia « finalmente vamos ficar em casa ». O que parece trivial para você desencadeia nele uma crise desproporcional : ele chora, grita, recusa tudo o que resta da tarde.
O que está em jogo : a rotina e a previsibilidade são profundamente tranquilizadoras. Muitos adolescentes com síndrome de Down se apoiam em um desenrolar conhecido para se sentirem seguros ; um imprevisto retira esse quadro de uma vez. A crise não é um capricho sobre o parque : é a perda abrupta do referencial que organizava o dia. A rigidez em relação às mudanças é uma forma de se manter em pé, não de te incomodar.
- Antecipe a mudança com palavras simples. « Está chovendo, então vamos mudar : não vamos ao parque hoje. Em vez disso, vamos fazer… » Nomear o porquê torna a mudança menos arbitrária.
- Proponha imediatamente uma alternativa concreta. Um imprevisto é melhor enfrentado quando um novo referencial substitui aquele que foi perdido : « vamos fazer bolos ».
- Mostre o novo plano. Modificar o cronograma ilustrado, retirar a imagem do parque e exibir a atividade de substituição ajuda a integrar a mudança visualmente.
- Treine a flexibilidade suavemente. Introduzir de vez em quando pequenas mudanças previstas e anunciadas fortalece gradualmente a tolerância ao imprevisto, sem nunca apressar.
❌ A evitar : anunciar a mudança no último momento sem explicação, ficar irritado com a reação (« é só um parque ! »), e ceder forçando a atividade inicial que se tornou impossível. A calma e a alternativa valem mais do que a justificativa.
Para que isso aconteça menos : exiba um cronograma visual do dia ou da semana, e acostume-se a integrar uma caixa « sorpresa » ou « veremos ». Ao tornar o imprevisto previsível — um espaço reservado para o inesperado no desenrolar conhecido — você ensina gradualmente que toda mudança não é uma ameaça. A flexibilidade é trabalhada em pequenas doses anunciadas, nunca por surpresa.
Tabela resumida : apoiar um adolescente com síndrome de Down, o que fazer imediatamente
Para imprimir e manter à vista nas primeiras semanas : é no calor da ação que esquecemos o que entendemos em calma. Uma linha, uma situação, o reflexo que acalma e o gesto que agrava.
| Situação | ✅ O reflexo a ter | ❌ A evitar |
|---|---|---|
| De manhã que se eterniza | Uma instrução de cada vez, sequência ilustrada, adiantar o despertador | Repetir mais alto, fazer por ele, comentar a lentidão |
| Crise na loja | Abaixar-se, voz baixa, sair da sobrecarga, voltar a falar depois | Ceder durante a crise, raciocinar em público, ameaçar |
| Tela impossível de desligar | Prevenir duas vezes, temporizador visual, prever a sequência | Arrancar o aparelho, negociar sem fim |
| Oposição, “não” sistemático | Escolha estruturada, verificar a compreensão, verdadeiras responsabilidades | Força bruta, ceder por cansaço, ver como uma provocação |
| Querer fazer sozinho muito cedo | Autonomia graduada, “ainda não”, treinar a competência | Proibir de uma vez, “você é muito pequeno”, soltar de uma vez |
| Não o compreendemos | Ser honesto, abrir outros canais, reformular em pergunta | Fingir, falar mais alto, corrigir incessantemente |
| Deveres bloqueados, “eu sou ruim” | Diminuir o nível, fracionar, tornar o progresso visível | “Concentre-se”, comparar, prolongar a sessão |
| Zombarias, exclusão | Acolher a emoção, ajudar a nomear, multiplicar os locais de pertencimento | Minimizar, resolver por ele, superproteger |
| Pubertade, gestos inadequados | Distinguir privado/público sem vergonha, ensinar os códigos | Reagir com nojo, ignorar, humilhar em público |
| Imprevisto que faz balançar | Antecipar, explicar, propor uma alternativa visível | Anunciar no último momento, ficar nervoso, forçar a atividade |
Antes de reagir, faça a si mesmo uma única pergunta: o que está transbordando, por dentro, neste momento? Cansaço, sobrecarga, incompreensão, medo do fracasso, necessidade de existir como adolescente. Uma resposta direcionada à necessidade real — e não ao comportamento superficial — desarma a cena antes que ela se agrave. Acalmar, dizer uma coisa de cada vez, deixar tempo: esses três reflexos são suficientes na grande maioria dos casos.
Para ir mais longe
Caixa de ferramentasAtividades, suportes e adaptações concretas a implementar no dia a dia
Ajudas & interlocutoresCom quem se dirigir, quais ajudas e como se manter a longo prazo
A formaçãoPrograma, conteúdo e para quem se destina a formação sobre síndrome de Down da DYNSEO
Vários ferramentas gratuitas são particularmente úteis para as cenas descritas aqui: o quadro de rotinas ilustradas para a manhã e as transições, a ficha de comunicação adaptada quando a fala bloqueia, e o termômetro das emoções para ajudar a colocar palavras no que transborda. Você os encontrará no catálogo de ferramentas gratuitas. No que diz respeito à estimulação, o aplicativo COCO ajusta o nível dos jogos para evitar o fracasso repetido mencionado na situação 7, enquanto o aplicativo FERNANDO é adequado para jovens adultos. Para situar as competências já adquiridas, dê uma olhada também nos testes cognitivos.
Perguntas frequentes
Como saber se é um comportamento de adolescente ou relacionado à trissomia ?
Frequentemente, é os dois ao mesmo tempo, e não precisa ser resolvido para reagir bem. A afirmação de si mesmo, a oposição, a necessidade de autonomia são características de todos os adolescentes. A trissomia 21 adiciona principalmente um ritmo de processamento diferente, uma sensibilidade maior à sobrecarga e uma compreensão a ser desenvolvida. A boa pergunta não é « de onde vem ? » mas « que necessidade se expressa aqui ? ». Se um comportamento o preocupa, dura ou se intensifica, descreva precisamente a cena ao médico ou ao psicólogo em vez de resumir : o detalhe permite fazer a diferença.
É preciso sempre ceder para evitar a crise ?
Não. Ceder no meio de uma crise ensina que gritar ou chorar permite obter o que se quer, o que multiplica as crises depois. A ideia não é recusar tudo, mas manter um quadro claro, anunciado com antecedência e previsível. Avisamos, propomos escolhas delimitadas, mantemos duas ou três regras não negociáveis e cedemos um pouco no restante. A constância tranquiliza : um jovem que sabe o que vai acontecer e sobre o que pode decidir tem muito menos necessidade de testar os limites por meio da crise.
Meu adolescente fica com raiva principalmente de mim, isso é normal ?
É muito frequente. Muitas vezes, seguramos a raiva do lado de fora — escola, atividades, olhar dos outros — o que esgota os recursos, e então liberamos onde nos sentimos seguros, ou seja, em casa, com você. É doloroso viver isso, e paradoxalmente é um sinal de confiança. Durante a crise, não responda ao conteúdo, mantenha a calma, afaste-se se necessário, e converse calmamente depois nomeando o efeito sentido em vez da intenção. Se isso o desgasta, fale sobre isso : um grupo de apoio para cuidadores ou seu próprio médico é um verdadeiro apoio.
Como ajudá-lo a se tornar mais autônomo sem colocá-lo em perigo ?
Através da autonomia graduada. Dividimos cada competência em etapas alcançáveis, treinamos concretamente cada etapa, e ampliamos o perímetro uma vez que ela é dominada. Dizemos « ainda não » e nunca « nunca ». Para tudo que diz respeito à segurança — atravessar, ficar sozinho, se deslocar — baseie-se na avaliação dos profissionais que o acompanham (terapeuta ocupacional, educador), cujo parecer objetiva o que foi adquirido. A autonomia não é dada de uma vez e não é negada de uma vez só : ela é construída passo a passo, no seu ritmo.
Quais sinais devem levar a consultar um profissional ?
Consulte sem demora em caso de mudança duradoura do humor ou do comportamento : retraimento que se instala, tristeza persistente, perda de interesse, distúrbios do sono ou do apetite, nova agressividade, regressão em conquistas. Um sofrimento que persiste após zombarias ou uma exclusão também merece a opinião de um psicólogo. Este artigo fornece referências para o dia a dia, mas não substitui nem um diagnóstico nem um acompanhamento : o médico responsável, o pediatra ou a equipe que acompanha seu adolescente continuam sendo os interlocutores. Em caso de emergência, entre em contato com os serviços de emergência do seu país.
Este artigo propõe referências gerais para acompanhar o dia a dia. Não substitui nem um diagnóstico, nem um aviso médico, nem um acompanhamento especializado. Cada adolescente é único : para qualquer sinal de sofrimento ou qualquer questão de saúde, dirija-se ao médico, ao psicólogo ou à equipe que acompanha seu ente querido.
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Apoiar um adolescente com síndrome de Down e saber o que fazer em situações de emergência se aprende : a formação DYNSEO « Apoiar um adolescente com síndrome de Down : vida social, emoções, autonomia » aborda essas situações e vai além — comunicação positiva, gestão das emoções, autonomia passo a passo. 17 lições curtas, 100 % online, acesso ilimitado, no seu ritmo. Organização certificada Qualiopi (N° 11757351875), atestado de conclusão de formação.
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