« Não chegamos a esse ponto. » Esta frase, milhares de pais a pronunciam todos os dias quando a questão de consultar um profissional é levantada devido ao uso excessivo de telas por seu adolescente. Como se consultar fosse algo dramático, reservado para situações realmente graves, ou indicasse um fracasso parental. Nada disso é verdade. Consultar cedo — antes que a situação se torne uma crise — é a decisão mais inteligente que um pai pode tomar.

Os profissionais que acompanham essas situações são treinados para ajudar, não para julgar. Eles conhecem as nuances entre o uso intensivo normal na adolescência e a verdadeira dependência comportamental. Esta distinção é crucial, pois determina a urgência e o tipo de acompanhamento necessário.

Este guia lhe dá os pontos de referência concretos para saber quando se torna necessário consultar, para quem você deve se voltar dependendo da situação, e como superar as resistências — as suas e as de seu adolescente. Pois por trás de cada consulta bem-sucedida, muitas vezes há pais que souberam reconhecer os sinais de alerta e agir no momento certo.

68%
dos pais hesitam mais de 6 meses antes de consultar
89%
das consultas precoces evitam a agravamento
3 meses
prazo médio para obter uma consulta no CJC
12 sessões
reembolsadas por ano pelo psicólogo

1. Por que os pais hesitam em consultar?

Vários obstáculos psicológicos e práticos atrasam a decisão de consultar. Compreender esses mecanismos ajuda a superá-los mais rapidamente e a agir antes que a situação se complique.

EXPERTISE CLÍNICA
Os principais obstáculos psicológicos
A vergonha parental

« O que o médico vai pensar de nós? » Este medo do julgamento profissional paralisa muitos pais. Eles imaginam que consultar revela sua incompetência educativa, enquanto que é exatamente o oposto: consultar demonstra lucidez e responsabilidade parental.

A minimização defensiva

« Todos os adolescentes são assim, não é uma doença. » Esta normalização excessiva serve de proteção contra a ansiedade. Se é normal, então não há nada a fazer. Mas essa lógica impede de agir quando a ação poderia mudar a trajetória do adolescente.

O medo do rótulo

« Se eu consultar, ele vai ser rotulado como "dependente" para sempre. » Esse medo se baseia em um desconhecimento do funcionamento médico. Uma consulta não é um diagnóstico definitivo, mas uma avaliação que pode tranquilizar tanto quanto preocupar.

A esses obstáculos psicológicos se somam barreiras práticas reais: desconhecimento do sistema de saúde, prazos de espera, custo suposto das consultas, dificuldade em identificar o interlocutor certo. Essa combinação explica por que muitas famílias esperam que a crise estoure para agir.

CONSELHO PRÁTICO

Comece se informando sem se comprometer. Ligue para uma CJC (Consulta Jovens Consumidores) para fazer suas perguntas por telefone. Essa primeira etapa, anônima e gratuita, muitas vezes permite desdramatizar e esclarecer suas dúvidas antes de marcar uma consulta.

2. Os sinais de alerta que necessitam de uma consulta rápida

Todos os usos intensivos de telas não se enquadram na dependência. Mas alguns sinais indicam que a situação ultrapassa o quadro normal da adolescência e necessita de acompanhamento profissional nas semanas seguintes.

🚨 Consulte nas 2-4 semanas se você observar:

  • Uso noturno sistemático apesar de todas as tentativas familiares para interrompê-lo (conexões entre meia-noite e 6h da manhã, várias noites por semana)
  • Crises de violência recorrentes durante as interrupções de tela — violência física (arremesso de objetos, socos) ou verbal (ameaças, insultos) que se repetem
  • Desempenho escolar significativo em queda — ausências repetidas, queda nas notas em várias matérias, recusa categórica em fazer os deveres de casa
  • Isolamento social completo — o adolescente não vê mais nenhum amigo fora da escola, recusa todas as saídas familiares ou sociais
  • Mudança de personalidade notável ao longo de várias semanas — retraimento extremo, irritabilidade permanente, perda de interesse por tudo, exceto por telas
  • Sinais depressivos ou ansiosos acompanhando o uso intensivo — tristeza persistente, ideias sombrias, crises de ansiedade relacionadas às telas
  • Despesas não autorizadas repetidas — compras in-app, moedas virtuais, uso do cartão bancário dos pais sem autorização
  • Pedido de ajuda do adolescente — ele expressa uma angústia em relação ao seu uso e uma incapacidade de parar

Esses sinais não são isolados — eles se acumulam e se agravam progressivamente. O erro comum é esperar que todos esses sinais estejam presentes para consultar. Um único sinal persistente por várias semanas justifica uma consulta de avaliação.

Regra das « 3 semanas » : Se um comportamento problemático persistir apesar das suas intervenções durante três semanas consecutivas, é hora de buscar um olhar externo profissional. Esta regra evita a procrastinação enquanto dá tempo para que as intervenções parentais deem frutos.

3. Situações de emergência : não esperar

Algumas situações exigem uma consulta de emergência, sem esperar uma consulta agendada. Essas situações envolvem um risco imediato para a saúde física ou psíquica do adolescente.

EMERGÊNCIA MÉDICA
🚨 Consultar imediatamente se :
Ideias suicidas ou auto-agressivas

O adolescente expressa pensamentos de morte, suicídio ou se machuca (cortes, ferimentos auto-infligidos). Mesmo que essas manifestações pareçam estar ligadas « apenas » às telas (humilhações online, fracasso em um jogo, ciberbullying), elas constituem uma emergência psiquiátrica.

Ação imediata : Contatar o 15 (SAMU), o 3114 (número nacional de prevenção do suicídio, gratuito, 24h/24), ou ir ao pronto-socorro pediátrico.

Desnutrição ou desidratação

O adolescente não come mais, não bebe mais, perde peso rapidamente devido ao uso intensivo de telas. Esta situação, rara mas possível em vícios severos de jogos eletrônicos, constitui uma emergência médica.

Episódios psicóticos

Confusão entre realidade e virtual, alucinações, delírio de perseguição relacionado às telas, comportamentos estranhos persistentes. Esses sintomas podem revelar uma patologia psiquiátrica inicial descompensada pelo uso intensivo de telas.

Nessas situações de emergência, o objetivo não é tratar o vício em telas — é garantir a segurança do adolescente. O trabalho sobre o uso das telas virá em um segundo momento, uma vez que a situação esteja estabilizada.

4. O médico de família : primeiro interlocutor privilegiado

O médico de família do adolescente costuma ser a melhor porta de entrada do sistema de saúde. Essa evidência nem sempre é percebida pelos pais, que às vezes imaginam que os problemas com telas não são da medicina geral.

MEDICINA GERAL
🩺 O que o médico de família pode fazer
Avaliação global de saúde

Avaliar o impacto do uso das telas na saúde física: sono, alimentação, atividade física, crescimento. Buscar sinais de deficiência, fadiga crônica, distúrbios do sono. Esta avaliação objetiva ajuda a medir a gravidade real da situação.

Triagem das comorbidades

Identificar possíveis distúrbios subjacentes que favorecem o uso excessivo de telas: TDAH não diagnosticado, ansiedade, depressão inicial, transtorno do espectro autista. Essas patologias necessitam de um acompanhamento específico que modifica a abordagem da dependência.

Orientação especializada

Orientar para os especialistas adequados de acordo com a avaliação: psicólogo, CJC, especialista em dependência, pediatra psiquiatra. Redigir as cartas de orientação necessárias. Coordenar o acompanhamento com os diferentes intervenientes.

Diálogo privilegiado com o adolescente

Receber o adolescente sozinho, sem os pais, o que pode desbloquear informações importantes sobre sua vivência, suas dificuldades, sua percepção sobre o uso de telas. Essa fala "livre" é às vezes o estalo para engajar o adolescente em um acompanhamento.

A vantagem do médico assistente reside na continuidade da relação terapêutica. Ele conhece a história médica e familiar do adolescente, o que lhe permite contextualizar as dificuldades atuais e adaptar suas recomendações.

ESTRATÉGIA PRÁTICA

Preparar a consulta. Anote durante uma semana os tempos de tela, os momentos de crise, os impactos observados (sono, refeições, escola). Esses dados objetivos facilitam a troca com o médico e permitem uma avaliação mais precisa da situação.

O médico assistente também pode prescrever o dispositivo "Meu Apoio Psicológico", que reembolsa até 12 sessões por ano com um psicólogo parceiro. Essa prescrição facilita o acesso aos cuidados psicológicos e reduz significativamente o custo para as famílias.

5. As Consultas Jovens Consumidores (CJC): recurso pouco conhecido e valioso

As CJC constituem um recurso especializado ainda pouco conhecido pelas famílias. Inicialmente criadas para acompanhar as dependências de substâncias (álcool, cannabis, outras drogas), elas expandiram sua expertise para as dependências comportamentais, incluindo as telas.

CJC - CONSULTAS JOVENS CONSUMIDORES
🏥 Vantagens específicas das CJC
Acessibilidade máxima

Gratuitas: nenhum excesso de honorários, cobertura completa pelo Sistema de Saúde. Anônimas: possibilidade de consultar sem dar seu nome no primeiro contato. Sem prescrição médica: acesso direto, sem passar pelo médico assistente.

Especialização em dependência

Equipes formadas especificamente na dependência de jovens: médicos especialistas em dependência, psicólogos clínicos, educadores especializados, assistentes sociais. Domínio das ferramentas de avaliação da dependência comportamental e das técnicas terapêuticas adequadas.

Abordagem familiar

Possibilidade para os pais de consultar sem o adolescente (orientação parental). Acompanhamento da dinâmica familiar. Mediação entre pais e adolescente quando a comunicação está rompida em torno das telas.

Flexibilidade do acompanhamento

Desde a avaliação pontual (avaliação em algumas sessões) até o acompanhamento terapêutico prolongado. Adaptação do ritmo às necessidades e à motivação do adolescente. Trabalho em rede com a escola, o médico assistente, outros profissionais.

O acesso às CJC é geralmente feito por telefone ou por e-mail. Cada departamento possui pelo menos uma CJC, frequentemente vinculada a um CSAPA (Centro de Cuidados, Acompanhamento e Prevenção em Addictologia) ou a um hospital. O site de Saúde Pública França oferece um diretório geolocalizado das CJC.

Primeira abordagem recomendada: Ligue para a CJC mais próxima para uma primeira troca telefônica. Exponha a situação sem fornecer seus dados de contato, se preferir. Esta conversa permite avaliar se a CJC é adequada à sua situação e desdramatizar o processo de consulta.

Os prazos de espera nas CJC variam conforme as regiões, de algumas semanas a três meses. Algumas CJC oferecem consultas de emergência para situações críticas. Não hesite em se inscrever na lista de espera e a ligar regularmente — os cancelamentos são frequentes.

6. O psicólogo: acompanhar o adolescente e restaurar o equilíbrio familiar

O psicólogo clínico intervém quando o uso excessivo de telas é acompanhado de um sofrimento psicológico significativo no adolescente ou de um disfuncionamento maior na família. Sua abordagem visa entender o que a tela compensa e desenvolver outras estratégias de adaptação.

🧠 Indicações para uma consulta psicológica:

  • Ansiedade social severa — o adolescente usa as telas para evitar interações sociais reais, com uma ansiedade importante assim que precisa socializar
  • Autoestima degradada — desvalorização massiva, sentimento de incompetência em todas as áreas, exceto nas telas
  • Transtornos de humor — episódios depressivos, variações de humor extremas relacionadas às telas
  • Conflitos familiares maiores — escalada das tensões em torno das telas, comunicação rompida entre pais e adolescente
  • Traumas não resolvidos — uso das telas como uma forma de evitar memórias traumáticas ou situações difíceis
  • Dificuldades de regulação emocional — explosões de raiva, incapacidade de lidar com a frustração sem as telas

Desde 2022, o dispositivo "Meu Apoio Psicológico" permite um reembolso parcial das consultas psicológicas. Com prescrição do médico assistente, o Seguro Saúde reembolsa 40 euros por sessão (60% cobertos pelo Seguro Saúde, 40% pela mutualidade), para um máximo de 12 sessões por ano.

ABORDAGENS TERAPÊUTICAS
🎯 Métodos utilizados com os adolescentes
Terapias Cognitivo-Comportamentais (TCC)

Trabalho sobre os pensamentos automáticos e os comportamentos relacionados às telas. Identificação dos gatilhos do uso compulsivo. Desenvolvimento de estratégias alternativas de gestão do estresse e das emoções difíceis. Técnicas de resistência ao impulso.

Abordagem sistêmica familiar

Análise das interações familiares em torno das telas. Modificação das dinâmicas disfuncionais. Melhoria da comunicação pais-adolescente. Redefinição das regras e dos limites de forma colaborativa.

Terapias de aceitação e compromisso (ACT)

Trabalho sobre a aceitação das emoções difíceis sem recorrer às telas. Clareza dos valores pessoais do adolescente. Compromisso com atividades coerentes com esses valores. Desenvolvimento da flexibilidade psicológica.

A escolha do psicólogo é crucial. Priorize um profissional com experiência específica com adolescentes e vícios comportamentais. Não hesite em fazer perguntas sobre sua formação e abordagem durante o primeiro contato telefônico.

7. O aditólogo: expertise especializada para situações complexas

O aditólogo intervém quando o uso das telas apresenta claramente os critérios de um vício comportamental e resiste às abordagens psicológicas clássicas. Sua expertise permite uma avaliação detalhada dos mecanismos aditivos e a implementação de um programa terapêutico especializado.

ADITOLOGIA ESPECIALIZADA
🔬 Especificidades da abordagem aditológica
Avaliação diagnóstica aprofundada

Utilização de ferramentas padronizadas para avaliar a intensidade do vício: Internet Gaming Disorder Scale, Problematic Internet Use Questionnaire, Clinical Assessment of Digital Media Use. Pesquisa sistemática de comorbidades psiquiátricas. Avaliação do funcionamento global do adolescente.

Programa terapêutico personalizado

Definição de objetivos terapêuticos precisos (abstinência temporária, uso controlado, redução progressiva). Planejamento das etapas da desintoxicação, se necessário. Antecipação e gestão das recaídas. Coordenação com a família, a escola, os outros cuidadores.

Tomada em carga das comorbidades

Tratamento simultâneo dos distúrbios psiquiátricos associados (depressão, ansiedade, TDAH). Prescrição medicamentosa se necessário (antidepressivos, ansiolíticos, psicoestimulantes para o TDAH). Acompanhamento médico regular da evolução.

O acesso a um aditólogo especializado em adições comportamentais dos jovens pode ser difícil dependendo das regiões. Os CSAPA costumam ser o melhor ponto de entrada, pois dispõem de equipes multidisciplinares incluindo aditólogos experientes.

ORGANIZAÇÃO DO PERCURSO

Preparar a consulta aditológica. Reúna um "diário de bordo" do uso de telas durante 2 semanas: tempo de conexão, jogos utilizados, momentos de crise, tentativas de parar. Esta documentação objetiva facilita a avaliação diagnóstica e orienta o plano terapêutico.

O aditólogo pode propor diferentes modalidades de tomada em carga: consultas individuais, grupos terapêuticos com outros adolescentes com problemas semelhantes, internação diurna nos casos mais severos. Esta diversidade de abordagens permite adaptar a resposta terapêutica a cada situação.

8. A pediatria psiquiátrica: quando os distúrbios associados dominam o quadro

O recurso à pediatria psiquiátrica torna-se necessário quando o uso excessivo de telas se insere em um distúrbio psiquiátrico mais amplo ou revela uma patologia mental subjacente. O acesso a esta especialidade é mais complexo, mas indispensável em certas situações.

🏥 Indicações para uma consulta em pediatria psiquiátrica:

  • Depressão maior com ideias suicidas, perda de peso, lentificação psicomotora acentuada
  • Distúrbios ansiosos severos — ataques de pânico, fobia social invalidante, transtorno obsessivo-compulsivo
  • TDAH complexo necessitando de uma avaliação neuropsicológica e tratamento medicamentoso
  • Distúrbios do espectro autista não diagnosticados revelados pelo uso compulsivo de telas
  • Distúrbios de personalidade emergentes na adolescência com uso de telas como estratégia de evitação
  • Epísódios psicóticos ou sintomas psicóticos isolados relacionados ao uso intensivo de telas
  • Distúrbios de conduta com agressividade acentuada, transgressão das regras sociais

O acesso à pediatria psiquiátrica pública implica frequentemente em longos tempos de espera (3 a 8 meses dependendo das regiões). Várias estratégias permitem acelerar a tomada em carga:

Estratégias de acesso rápido à pedopsiquiatria:

• Passar pelas urgências pediátricas em caso de situação crítica (ideias suicidas, descompensação maior)

• Contatar diretamente os Centros Médico-Psicológicos (CMP) da sua região

• Pedir uma orientação através das Casas dos Adolescentes (MDA) que às vezes têm filiais de acesso prioritário

• Explorar o setor privado com pagamento de honorários se a situação familiar permitir

Na pedopsiquiatria, o atendimento é necessariamente multidisciplinar: pedopsiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo se houver distúrbios de aprendizagem, psicomotricista, educador especializado. Essa abordagem global permite tratar as diferentes dimensões do distúrbio enquanto integra a problemática das telas.

9. Quando o adolescente recusa categoricamente consultar

A recusa do adolescente em consultar constitui uma das situações mais difíceis e frustrantes para os pais. Essa resistência é compreensível — consultar implica reconhecer um problema, questionar um comportamento que traz prazer e confiar em adultos em um período de busca de autonomia.

RESISTÊNCIAS ADOLESCENTES
🔄 Compreender os mecanismos da recusa
O negação adaptativa

O adolescente recusa ver as consequências negativas de seu uso porque essa reconhecimento implicaria mudar seus hábitos. A negação protege temporariamente contra a angústia de ter que modificar um comportamento que é fonte de prazer imediato.

O medo da estigmatização

« Se eu for ao psicólogo, isso significa que eu sou louco. » Essa associação entre consulta psicológica e doença mental gera uma resistência maior. O adolescente teme o olhar dos outros, a rotulação, a perda de controle sobre sua imagem.

A oposição desenvolvimental

Recusar o que os pais propõem faz parte do processo normal de individuação adolescente. Quanto mais os pais insistem, mais o adolescente pode se recusar por princípio, independentemente da pertinência da proposta.

A desconfiança em relação aos adultos

O adolescente pode temer que o profissional esteja « em conluio » com seus pais, que trai suas confidências, que não compreenda seu mundo digital. Essa desconfiança aumenta se as relações familiares forem muito tensas.

🎯 Estratégias para superar a recusa:

  • Começar consultando a si mesmo — Os pais consultam um profissional (psicólogo, CJC) para receber conselhos sobre sua abordagem educacional
  • Propor uma consulta "desviada" — Consulta com o médico de família "para avaliar o sono" sem mencionar diretamente as telas
  • Usar os recursos escolares — O enfermeiro escolar ou o psicólogo da instituição como primeiro interlocutor menos ameaçador
  • Negociar um "teste" — Propor uma única consulta "para ver", sem compromisso de acompanhamento
  • Deixar a escolha do profissional — Permitir que o adolescente escolha entre várias opções (médico, psicólogo, CJC)
  • Envolver uma pessoa de confiança — Um tio, uma tia, um amigo da família pode às vezes convencer onde os pais falham

A orientação parental merece uma atenção especial. Muitos pais descobrem que, ao modificar sua própria abordagem — menos confronto direto, mais escuta, redução de ameaças e chantagens — o adolescente se torna progressivamente mais aberto à ideia de consultar.

DEPOIMENTO

« Comecei consultando sozinha — sem meu filho. O psicólogo me ajudou a mudar de abordagem com ele. Dois meses depois, foi meu filho quem pediu para vê-lo. » — Marie, mãe de um adolescente de 15 anos, Lyon

Nas situações em que o adolescente recusa absolutamente qualquer consulta, apesar de sinais evidentes de sofrimento, alguns profissionais aceitam receber os pais em "consulta-conselho" para ajudá-los a acompanhar seu filho à distância. Essa abordagem indireta pode preparar o terreno para uma consulta posterior.

10. O papel dos professores e do pessoal educativo

Os professores e o pessoal educativo estão frequentemente na linha de frente para observar os sinais de uso problemático das telas: diminuição da atenção, fadiga crônica, isolamento social, queda nos resultados escolares. Seu papel de orientação para os profissionais de saúde é crucial, mas delicado.

EQUIPES EDUCATIVAS
🎓 O que os profissionais da educação podem fazer
Observação e relato educativo

Anotar as mudanças de comportamento, desempenho, socialização. Documentar objetivamente sem interpretar ou diagnosticar. Compartilhar essas observações com a equipe educativa (CPE, enfermeiro escolar, assistente social) antes de contatar a família.

Primeiro nível de intervenção

O enfermeiro escolar pode receber o adolescente para uma primeira troca sobre seu sono, fadiga, bem-estar geral. O psicólogo escolar, quando existe, constitui um recurso valioso para uma primeira avaliação da situação.

Orientação das famílias

Informar os pais sobre os recursos disponíveis sem prescrever nem diagnosticar. Utilizar formulações neutras que propõem sem impor. Fornecer os contatos dos CJC, explicar o papel do médico responsável nessas situações.

Formulações recomendadas para orientar uma família:

• « Existem consultas gratuitas e confidenciais para os jovens — os CJC — que podem ajudar a avaliar diferentes dificuldades. »

• « Seu médico responsável é frequentemente um bom primeiro interlocutor para avaliar o que seu filho está enfrentando neste momento. »

• « Se você desejar, nosso enfermeiro escolar pode encontrar seu filho para discutir seu sono e sua fadiga. »

Essas formulações propõem, informam e respeitam o limite do papel educativo sem invadir o domínio médico.

A formação das equipes educativas sobre os sinais de alerta e os recursos disponíveis melhora significativamente a orientação precoce das famílias. Muitos professores se sentem desamparados diante dessas situações, embora tenham um poder de observação e influência considerável.

11. Organizar o percurso de cuidados e coordenar os intervenientes

Quando vários profissionais intervêm junto a um mesmo adolescente, a coordenação se torna essencial para evitar duplicidades, contradições e garantir uma coerência terapêutica. Essa coordenação, frequentemente negligenciada, condiciona amplamente a eficácia do atendimento.

🔗 Princípios de coordenação do percurso:

  • Designar um profissional referencial — Geralmente o médico responsável ou o especialista em dependências que centraliza as informações e coordena as intervenções
  • Clarificar os papéis de cada um — Quem faz o quê, quando, com quais objetivos. Evitar sobreposições e áreas nebulosas
  • Organizar a circulação da informação — Com o consentimento do adolescente e de seus pais, permitir que os profissionais se comuniquem entre si
  • Programar pontos de síntese — Reuniões multidisciplinares periódicas para avaliar a evolução e ajustar a estratégia
  • Envolver o adolescente na coordenação — Ele deve entender quem faz o quê e por quê, ser protagonista de seu percurso de cuidados

A coordenação também implica sequenciar as intervenções ao longo do tempo. Por exemplo, estabilizar primeiro uma depressão severa antes de iniciar o trabalho específico sobre a dependência de telas. Ou tratar um TDAH antes de pedir ao adolescente que regule seu uso de telas.

ORGANIZAÇÃO PRÁTICA

Criar um « fichário de acompanhamento » com os dados de contato de todos os profissionais, o calendário de consultas, os relatórios de consulta, as prescrições. Este suporte material facilita a coordenação e evita esquecimentos ou mal-entendidos.

12. Avaliar a eficácia do atendimento e ajustar se necessário

Um atendimento não é fixo. Deve ser regularmente avaliado e ajustado conforme a evolução do adolescente. Esta avaliação abrange os sintomas, o funcionamento global, a qualidade de vida familiar e a satisfação do adolescente em relação ao acompanhamento.

AVALIAÇÃO TERAPÊUTICA
📊 Critérios de avaliação da eficácia
Indicadores quantitativos

Redução do tempo de tela global e noturno. Melhora do sono (adormecimento, qualidade, duração). Retomada das atividades abandonadas. Melhora dos resultados escolares. Diminuição dos conflitos familiares em torno das telas.

Indicadores qualitativos

Melhora do humor e diminuição da ansiedade. Desenvolvimento de novas competências de adaptação ao estresse. Melhora da comunicação familiar. Retomada das relações sociais reais. Sentimento de controle recuperado pelo adolescente.

Sinais de alerta que necessitam de ajuste

Estagnação após 3 meses de acompanhamento regular. Agravamento de alguns sintomas apesar do atendimento. Emergência de novos distúrbios (outras dependências, distúrbios alimentares). Quebra terapêutica repetida com diferentes profissionais.

O ajuste pode assumir diferentes formas: mudança de profissional se a relação terapêutica não se estabelece, modificação da abordagem terapêutica, intensificação ou, ao contrário, alívio do acompanhamento, adição de um novo tipo de intervenção (grupo terapêutico, atividade física adaptada, apoio escolar).

Pontos de avaliação recomendados : Prever uma avaliação formal com todos os intervenientes a 3 meses, 6 meses e 12 meses de atendimento. Esses pontos permitem medir os progressos, identificar os obstáculos persistentes e ajustar a estratégia terapêutica em consequência.

Perguntas frequentes

Meu adolescente joga « apenas » 6h por dia em média, isso justifica uma consulta?
+

A duração sozinha não é suficiente para determinar a necessidade de uma consulta. O que conta mais: o impacto no sono (ele dorme o suficiente?), na escolaridade (notas em queda?), nas relações sociais (ele ainda vê amigos?), no humor (irritabilidade quando é hora de parar?). Se essas áreas estão preservadas, 6h podem ser gerenciáveis. Se várias estão impactadas, uma consulta de avaliação é recomendada.

As consultas em CJC são realmente anônimas? Meu adolescente pode ir sem que eu saiba?
+

A partir de 16 anos, seu adolescente pode consultar em CJC de maneira totalmente autônoma e confidencial. Entre 12 e 16 anos, a autorização dos pais é geralmente necessária, mas o adolescente pode ter uma primeira entrevista telefônica anônima. A confidencialidade é rigorosamente respeitada — os profissionais se comunicam com os pais apenas com o consentimento explícito do adolescente.

Quanto custa realmente um acompanhamento psicológico com o dispositivo "Meu Apoio Psicológico"?
+

Com "Meu Apoio Psicológico", o Seguro de Saúde reembolsa 40€ por sessão (60% pela Segurança Social, 40% pelo seu plano de saúde), para um máximo de 12 sessões por ano. Se o psicólogo cobrar 60€, você ficará com 20€ a pagar por sessão. Alguns psicólogos parceiros aplicam a tarifa de 40€