Quando um pai tem câncer: atividades, apoios e adaptações concretas a serem implementadas
Quando um pai tem câncer, o cotidiano de uma criança se reorganiza sem aviso em torno das consultas, da fadiga e dos silêncios. Este artigo reúne as atividades, os apoios e as ferramentas concretas a serem implementadas quando um pai tem câncer, para ajudar a criança a entender, a expressar o que sente e a manter referências estáveis. Nada disso requer material especializado: um caderno, algumas canetas, uma caixa, um pouco de tempo.
Neste artigo
A formação associada

Os recursos citados
É uma caixa de ferramentas, não um tratado de psicologia. Quatorze atividades descritas de forma precisa o suficiente para serem iniciadas esta noite, uma organização de dia e de semana, a adaptação dos espaços da criança, e os apoios gratuitos para imprimir. O objetivo nunca é a performance: é manter um vínculo vivo entre a criança e seu pai, e deixar à criança maneiras simples de dizer o que está passando.
O essencial em 30 segundos
Acompanhar uma criança durante a doença de um pai se resume a três princípios: palavras verdadeiras, referências estáveis, vínculo preservado. Uma criança precisa entender o que está acontecendo, à sua medida, mais do que ser protegida da realidade.
- Nomear — colocar palavras simples e honestas sobre a doença acalma mais do que o silêncio, que deixa a imaginação fazer o pior.
- Ritmar — manter os rituais conhecidos (refeições, dormir, escola) dá à criança uma base que não muda quando tudo muda.
- Conectar — preservar momentos com o pai doente, mesmo que muito curtos, conta mais do que sua duração.
- Expressar — desenho, caixa de perguntas, pote das emoções: dar um canal para o que ainda não é dito com palavras.
- Identificar — conhecer os sinais que devem levar a um médico ou a um psicólogo, sem dramatizar nem banalizar.
4 regras antes de propor atividades quando um pai tem câncer
Antes de escolher uma atividade, alguns princípios valem para todas. Eles evitam as maladresses mais frequentes e tornam as propostas mais fáceis de aceitar para a criança, independentemente de sua idade.
Falar a verdade, na altura de uma criança
Usar a palavra « câncer » em vez de um termo vago e ansioso, com frases curtas e adaptadas à idade. A mentira protege menos do que a verdade medida.
Propor, nunca forçar
Abre-se uma porta, não se empurra. Uma criança que recusa hoje pode aceitar amanhã : o convite permanece aberto, sem reprovação.
Curto e regular
Dez minutos disponíveis e atentos valem mais do que uma hora distraída. A regularidade de um pequeno ritual tranquiliza mais do que um grande momento isolado.
Seguir a criança
Respondemos às suas perguntas quando ele as faz, sem antecipar ou revelar tudo. É ele quem dá o ritmo do que pode ouvir.
Essas atividades apoiam o cotidiano, não substituem nenhum acompanhamento. Se a criança apresentar distúrbios do sono duradouros, um recuo acentuado, uma queda nos resultados escolares, dores repetidas sem causa, uma agressividade incomum ou pensamentos negativos, converse com o médico responsável, a medicina escolar ou um psicólogo. Em caso de perigo imediato, entre em contato sem demora com os serviços de emergência do seu país. Pedir ajuda nunca é um fracasso : é muitas vezes o melhor presente que se pode dar a uma criança.
Falar sobre a doença e nomear as emoções
Uma criança sente tudo, mesmo o que acreditamos estar escondendo : os sussurros na cozinha, os olhos vermelhos, os compromissos súbitos. O que não entende, inventa, e sua imaginação é muitas vezes mais assustadora do que a realidade. Essas quatro atividades dão um canal ao que ainda não se diz com palavras.
- « Papá/Mamãe tem uma doença chamada câncer. Os médicos estão cuidando disso com medicamentos fortes. »
- « Não é culpa sua, e não é contagioso : você não pode pegar fazendo um abraço. »
- « Você tem o direito de estar com raiva, triste, ou mesmo de rir e brincar. Todas as suas emoções têm o direito de estar presentes. »
- « Se você tiver uma pergunta, pode me fazer. Se eu não souber, eu te direi. »
- « Não está acontecendo nada, está tudo bem » — a criança sente o contrário e para de confiar em você.
- « Você é o homemzinho da casa agora » — essa frase coloca sobre seus ombros um peso que não é dele.
- Metáforas vagas (« ele foi embora », « ele está dormindo ») que confundem em vez de explicar.
- Promessas que você não pode controlar (« ele vai se curar, com certeza »).
O pote das emoções
- Objetivo — dar uma palavra e uma imagem ao que a criança sente, quando ainda não tem as frases para dizer.
- Material e duração — um pote transparente, fichas ou bolinhas coloridas associadas a emoções (amarelo = alegria, azul = tristeza, vermelho = raiva, verde = calma, cinza = medo), 5 minutos todas as noites.
- Desenvolvimento — todas as noites, a criança coloca no pote a ou as cores do seu dia. Olhamos juntos, sem julgar, e simplesmente nomeamos : « muito azul hoje ».
- Mais fácil (pequeno) — apenas duas cores, alegria e tristeza, com rostos desenhados.
- Mais difícil (grande) — escrever uma palavra em um papel dobrado ao lado da ficha para explicar o porquê.
- Sinal de que está funcionando — a criança vai espontaneamente ao pote, ou comenta as cores sem que peçamos.
O desenho livre do que acontece
- Objetivo — deixar sair pelo lápis o que não passa pela palavra : o medo, o hospital, a família.
- Material e duração — folhas, canetinhas, lápis de cor, 10 a 15 minutos.
- Desenvolvimento — propor sem instrução : « você desenha o que quiser ». A gente se instala ao lado, desenha a própria, não comenta o conteúdo. Se a criança explica, ouvimos sem corrigir.
- Mais fácil — desenhar juntos um mesmo tema neutro, a casa, a família.
- Mais difícil — propor « desenhe como você se sente hoje » e depois conversar sobre isso.
- Sinal de que está funcionando — a criança conta espontaneamente sobre seu desenho, ou pede para fazer outro.
- ❌ A evitar — interpretar em voz alta (« por que você desenhou de preto ? ») ; acolhemos, não analisamos.
A caixa de perguntas
- Objetivo — permitir que a criança faça as perguntas que a angustiam sem precisar dizê-las cara a cara, muitas vezes as mais importantes.
- Material e duração — uma pequena caixa com uma fenda, papéis, um lápis ao lado. Respondemos em um momento fixo, por exemplo, no sábado de manhã.
- Desenvolvimento — a criança coloca suas perguntas quando quiser. No encontro combinado, abrimos juntos e respondemos com honestidade. Quando não sabemos, dizemos : « vou perguntar ao médico ».
- Mais fácil (pequeno) — a criança desenha sua pergunta, ou a dita para que um adulto escreva.
- Mais difícil (grande) — o adolescente pode anotar preocupações mais abstratas (futuro, dinheiro, reorganização).
- Sinal de que está funcionando — a caixa se enche, e as perguntas se tornam mais precisas com o tempo.
O caderno de palavras da doença
- Objetivo — dar à criança um vocabulário claro (quimioterapia, transfusão, fadiga, cura) para desdramatizar palavras ouvidas em todo lugar.
- Material e duração — o caderno de palavras DYNSEO ou um simples caderno, imagens, 10 minutos.
- Desenvolvimento — uma página por palavra difícil, com uma definição muito simples e um desenho. Preenchemos à medida que as palavras surgem na vida da família, nunca todas de uma vez.
- Mais fácil — colar uma imagem e dizer a palavra juntos.
- Mais difícil — a criança escreve sua própria definição, e depois explica a um irmão ou irmã.
- Sinal de que está funcionando — uma palavra que causava medo se torna uma palavra que a criança sabe explicar sem se tensionar.
Manter referências e uma rotina tranquilizadora
Quando a doença perturba a organização familiar, o que mais tranquiliza uma criança não é que prometamos que tudo ficará bem : é que o café da manhã continue sendo o café da manhã, que a história da noite aconteça, que a escola continue. Essas quatro ferramentas protegem o quadro, essa base que não se move quando o resto vacila.
O quadro da semana
- Objetivo — tornar visível quem cuida da criança a cada dia, especialmente nos dias de tratamento ou hospitalização, para eliminar a incerteza.
- Material e duração — um grande quadro apagável ou uma folha plastificada, pictogramas ou fotos dos adultos responsáveis, 5 minutos no domingo à noite.
- Desenvolvimento — preenchendo juntos a semana : quem leva à escola, quem vem buscar, quais dias o pai ou a mãe está cansado ou ausente. A criança marca ou move um ímã a cada manhã.
- Mais fácil — apenas de manhã e à noite, com fotos das pessoas.
- Mais difícil — a criança maior gerencia seu próprio quadro e antecipa suas próprias atividades.
- Sinal de que está funcionando — a criança consulta o quadro sozinha em vez de perguntar « quem vem me buscar ? » com preocupação.
O ritual do dormir preservado
- Objetivo — proteger o momento mais sensível do dia, aquele em que os medos surgem e o sono se fragiliza.
- Material e duração — nada de especial, 15 minutos, em horário fixo.
- Desenvolvimento — manter a mesma sequência de antes da doença: banho, história, abraço, luz noturna. Se o pai ou mãe doente não puder garantir o ritual, outro adulto assume, mas mantém as mesmas etapas.
- Mais fácil — encurtar sem eliminar: uma história mais curta em vez de nenhuma história.
- Mais difícil — introduzir um tempo de fala: «o melhor e o pior momento do seu dia».
- Sinal de que está funcionando — o adormecer se torna mais simples, os despertares noturnos se espaçam.
A lista «o que não muda»
- Objetivo — tranquilizar mostrando, preto no branco, tudo o que permanece estável apesar da doença.
- Material e duração — uma folha exposta em um local visível, 10 minutos uma vez, para reler depois.
- Desenvolvimento — listamos juntos o que continua: «a gente ainda te ama muito», «você ainda vai à escola», «na quarta-feira você ainda vê a vovó», «a gente ainda comemora seu aniversário». Exibimos e completamos quando surge uma dúvida.
- Mais fácil — apenas três coisas, ilustradas.
- Mais difícil — a criança adiciona ela mesma o que precisa ter certeza.
- Sinal de que está funcionando — a criança volta para a lista quando está preocupada, ou a menciona espontaneamente.
A ficha dos adultos de apoio
- Objetivo — dar à criança a certeza de que sempre há um adulto de confiança disponível, mesmo quando seus pais estão absorvidos pelos cuidados.
- Material e duração — uma ficha com os nomes, fotos e números das pessoas recursos (avós, vizinho, madrinha, professor), 15 minutos uma vez.
- Desenvolvimento — construímos juntos e a colocamos na altura da criança, perto do telefone. Explicamos em que caso chamar quem, calmamente.
- Mais fácil — apenas duas pessoas, em foto.
- Mais difícil — o adolescente registra ele mesmo os contatos e sabe quem chamar de acordo com a situação.
- Sinal de que está funcionando — a criança sabe espontaneamente para quem se voltar e não tem mais medo de estar «sozinha».
Manter o vínculo com o pai ou mãe doente
A fadiga dos tratamentos pode reduzir fortemente os momentos disponíveis com o pai ou mãe doente. O reflexo é às vezes adiar tudo «para quando estiver melhor». Isso é um erro: para uma criança, cinco minutos de verdadeira presença valem mais do que um dia inteiro adiado. Essas três atividades mantêm o vínculo mesmo nos dias de grande fadiga.
A caixa de tesouros compartilhada
- Objetivo — criar um objeto comum que faça existir o vínculo mesmo à distância, inclusive durante uma hospitalização.
- Material e duração — uma caixa bonita, pequenos bilhetes, desenhos, fotos, alguns minutos quando a vontade vem.
- Desenvolvimento — a criança e o pai ou mãe colocam cada um pequenas coisas: um desenho, uma pedrinha, uma palavra carinhosa. Quando o pai ou mãe está no hospital, uma parte da caixa viaja com ele. Abrimos juntos na volta.
- Mais fácil — apenas desenhos trocados.
- Mais difícil — manter um pequeno «diário da caixa» datado que lemos juntos.
- Sinal de que está funcionando — a criança alimenta a caixa sozinha e espera o momento de abri-la.
A mensagem gravada
- Objetivo — manter a voz e a presença do pai doente nos dias em que ele não pode estar presente fisicamente.
- Material e duração — um smartphone, 2 a 5 minutos.
- Desenvolvimento — nos dias bons, o pai grava uma história, uma canção, um simples « boa noite ». A criança pode ouvi-la novamente à noite, ou nos dias de tratamento. A voz tranquiliza onde o corpo não pode.
- Mais fácil — uma única mensagem de boa noite, curta.
- Mais difícil — a criança responde com sua própria mensagem : um intercâmbio se estabelece.
- Sinal de que funciona — a criança pede a mensagem ou sugere uma em troca.
- ❌ A evitar — gravar em um dia de grande cansaço uma voz apagada que preocupasse mais do que tranquilizasse ; escolhe-se um bom momento.
A história da noite em duas vozes
- Objetivo — compartilhar um momento suave e sem esforço, adequado mesmo para um pai muito cansado, deitado.
- Material e duração — um livro, um álbum de fotos, 10 minutos.
- Desenvolvimento — o pai lê uma página, a criança lê a seguinte, ou a criança lê enquanto o pai escuta, deitado, mão na mão. A posição deitada não impede nada : é a presença que conta.
- Mais fácil — olhar as imagens juntos, sem ler.
- Mais difícil — inventar a continuação da história alternadamente.
- Sinal de que funciona — esse momento se torna esperado, um encontro que a criança protege.
Encontrar as palavras certas, no momento certo
A formação DYNSEO « Quando um pai tem câncer : acompanhar seus filhos diante da doença » detalha, em 16 lições, como explicar a doença de acordo com a idade, identificar os sinais de sofrimento e preservar o equilíbrio familiar. 100 % online, no seu ritmo, acesso ilimitado.
Descobrir a formação — 20 €Acalmar, reabastecer, respirar
Uma criança que vive a doença de um pai carrega uma tensão que nem sempre sabe nomear. Ela precisa de válvulas de escape : momentos em que não se fala da doença, em que se brinca, em que se respira. Essas três últimas atividades não visam nenhum aprendizado : elas protegem o humor e o direito da criança de permanecer uma criança.
O balão de respiração
- Objetivo — oferecer à criança um gesto simples para se acalmar sozinha quando a ansiedade aumenta, sem torná-lo um exercício médico.
- Material e duração — as mãos da criança, ou um bichinho de pelúcia colocado sobre a barriga, 2 a 3 minutos.
- Desenvolvimento — imaginamos um balão na barriga : ele se enche suavemente quando se inspira, ele esvazia quando se sopra. A criança observa o bichinho de pelúcia subir e descer. Fazemos isso juntos, calmamente.
- Mais fácil — soprar em uma vela imaginária três vezes.
- Mais difícil — a criança usa sozinha quando se sente tensa e te conta depois.
- Sinal de que funciona — a criança recorre a isso sozinha em um momento difícil.
O canto calmo
- Objetivo — dar à criança um lugar só dela onde se retirar quando a casa está agitada pelos cuidados ou visitas.
- Material e duração — um canto, almofadas, um cobertor, alguns livros e objetos suaves ; disponível o tempo todo.
- Desenvolvimento — organizamos juntos um espaço de refúgio, uma cabana, um canto do quarto. A criança vai lá quando quer, sem precisar se justificar. É um lugar de retirada, nunca uma punição.
- Mais fácil — uma simples almofada dedicada em um canto tranquilo.
- Mais difícil — a criança decide sozinha o que colocar lá e faz seu canto evoluir.
- Sinal de que funciona — a criança se refugia lá sozinha e sai de lá tranquila.
A sessão de jogo prazeroso
- Objetivo — descontrair através do jogo e encontrar, tanto para a criança quanto para o pai, um tempo leve sem pressão.
- Material e duração — um jogo de tabuleiro, ou um tablet com o aplicativo COCO para crianças de 5 a 10 anos, 15 minutos.
- Desenvolvimento — um momento de jogo franco, onde se ri, onde se ganha e onde se perde. O pai doente pode participar do seu sofá ou da sua cama: um jogo curto não exige energia.
- Mais fácil — um jogo de cartas muito simples, uma única partida.
- Mais difícil — um jogo cooperativo onde se ganha juntos, o que reforça o sentimento de equipe familiar.
- Sinal de que está funcionando — as risadas voltam, e o jogo se torna um encontro desejado.
Um dia típico e uma semana típica
O clássico erro: querer fazer tudo, todos os dias, e transformar a casa em um ateliê permanente. Uma única proposta por momento é mais do que suficiente, desde que realmente aconteça. Aqui está um exemplo de organização a ser adaptado à sua realidade, não um modelo a ser seguido à risca.
| Momento | O que se coloca | Duração |
|---|---|---|
| Manhã, antes da escola | Um ponto de referência estável: consultar o quadro da semana, um abraço | 5 min |
| Após a escola, no lanche | Um tempo disponível para conversar se a criança precisar | 10-15 min |
| Final da tarde | Uma atividade de expressão: desenho, pote das emoções | 10-15 min |
| Antes do jantar | Canto calmo ou bola de respiração se a tensão aumentar | 5-10 min |
| Noite | Vínculo com o pai doente: história em duas vozes, mensagem | 10-15 min |
| Deitar | Ritual de dormir preservado, luz noturna | 15 min |
| Dia | Dominante possível |
|---|---|
| Segunda-feira | Emoções — pote das emoções, desenho livre |
| Terça-feira | Pontos de referência — reler o quadro da semana e a lista “o que não muda” |
| Quarta-feira | Vínculo — caixa de tesouros, mensagem gravada |
| Quinta-feira | Calma — canto calmo, respiração, jogo prazeroso |
| Sexta-feira | Fala — abrir a caixa de perguntas, caderno de palavras |
| Sábado | Prazer e social — saída, jogo em grupo, ver um amigo |
| Domingo | Nada imposto. O descanso e a espontaneidade fazem parte do programa. |
Em alguns dias, não haverá espaço para nada, e isso é normal. O quadro é uma bússola, não um contrato. O que importa não é marcar todas as caixas, mas manter pelo menos um ponto de ancoragem diário: muitas vezes, o ritual de dormir é suficiente para manter o fio.
Organizar o ambiente da criança
O ambiente fala tanto quanto as palavras. Um espaço pensado para a criança a ajuda a encontrar seus pontos de referência, a se acalmar sozinha e a entender o que a rodeia. A maioria dessas adaptações não custa quase nada e pode ser feita em uma tarde.
| Espaço | O que causa problema | O que mudamos |
|---|---|---|
| A parede dos pontos de referência | Organização confusa, incerteza sobre os dias | Exibir na altura da criança o quadro da semana, a ficha dos adultos de apoio e a lista “o que não muda” |
| O quarto da criança | Sono perturbado, medos noturnos | Luz noturna, objeto tranquilizador, ordem estável; evitar mudanças na decoração em plena crise |
| O canto calmo | Não há lugar para se retirar quando a casa está agitada | Um refúgio dedicado: almofadas, cobertor, livros, fones de ouvido anti-ruído suaves |
| O espaço do pai doente | Fadiga, necessidade de descanso, barulho | Um sinal simples e não ansioso (uma imagem na porta) que diz “estou descansando”; explicar que não é uma rejeição |
| As telas | Refúgio passivo, superexposição a imagens ansiosas | Quadro estável de horários, sem tela na hora de dormir, vigilância sobre o que a criança vê ou lê sobre a doença |
| O vínculo com o exterior | Isolamento, escola mal informada | Informar o professor e a medicina escolar; manter as atividades e amizades habituais |
Informar o professor e, se possível, o psicólogo da instituição permite que a criança seja compreendida quando está distraída, cansada ou sensível. A escola continua sendo um lugar de normalidade precioso: não é trair um segredo permitir que os adultos ao redor da criança a apoiem. Uma palavra breve muitas vezes é suficiente.
Os suportes e ferramentas gratuitas para imprimir
Várias ferramentas DYNSEO, baixáveis livremente do catálogo de ferramentas, estruturam toda a rotina descrita aqui. Três ou quatro delas são suficientes: não é necessário imprimir tudo. Elas servem para manter um registro, não esquecer nada na consulta e conectar os adultos em torno da criança.
- Caderno de palavras — o suporte da atividade 4, a ser personalizado com as palavras da doença que a criança enfrenta.
- Ficha de acompanhamento da sessão — para anotar em um minuto o que foi proposto, o que acalmou, o que preocupou; útil para identificar o que se repete.
- Caderno de comunicação — para transmitir suas observações ao médico, ao psicólogo ou ao professor sem esquecer nada no momento da consulta.
- Tabela de acompanhamento dos progressos — um ponto de referência visual para acompanhar, semana após semana, como evoluem o sono, o humor ou a fala da criança.
- Tabela de acompanhamento das competências — para visualizar ao longo do tempo o que se consolida e o que permanece frágil.
Esses suportes não são boletins de notas. Eles servem primeiro a você: tornar visíveis evoluções lentas que a memória do dia a dia apaga, e evitar chegar desamparado diante do profissional que pergunta “como vai em casa?”. Para explorar também os testes cognitivos ou o conjunto de formações, tudo está reunido no site DYNSEO.
O lugar do digital
Uma tela não substitui uma conversa, um abraço ou um acompanhamento psicológico. Bem utilizada, ela traz duas coisas úteis neste período: um momento de jogo compartilhado sem pressão, e um suporte de atenção e prazer que se ajusta automaticamente ao nível da criança ou do pai. Mal utilizada, torna-se um refúgio passivo: a vigilância recai sobre o ambiente.
| Aplicativo | Para quem | Uso típico |
|---|---|---|
| COCO | Criança de 5 a 10 anos | 15 minutos de jogos de atenção, lógica e memória, em dupla com um adulto |
| FERNANDO | Adulto, incluindo o pai doente: apoio moral e de concentração | 15 minutos por dia, 2 a 3 jogos curtos, inclusive para combater a névoa mental relacionada aos tratamentos |
| CARMEN | Avô envolvido nos cuidados, interface simplificada | Mesmo princípio, com uma navegação pensada para os idosos |
| MEU DICIONÁRIO | Situações em que a fala é difícil | Suporte visual de troca no dia a dia |
A dosagem certa: sessões curtas, em horários fixos, compartilhadas em vez de solitárias, e sem tela na última hora antes de dormir, que fragiliza um sono já testado. O aplicativo FERNANDO pode, aliás, se tornar um ritual para o pai doente: um momento de concentração para si, útil quando a fadiga dos tratamentos embaralha a atenção.
Os 5 erros mais frequentes
- Querer proteger pelo silêncio. Não dizer nada para “proteger” a criança produz o efeito oposto: ela percebe a gravidade, se sente excluída e preenche os vazios com cenários mais assustadores do que a realidade. A verdade, dita na medida certa, tranquiliza.
- Confiar à criança um papel de adulto. “Você deve ser forte para a mamãe”, “cuide do seu irmãozinho”: essas frases invertem os papéis e privam a criança do seu direito de ser apoiada. Ela pode ajudar, nunca carregar.
- Eliminar todos os momentos leves. Acreditar que seria indecente rir ou brincar enquanto um pai está doente. A criança precisa de momentos de despreocupação: eles não traem ninguém, permitem que se mantenha firme.
- Transformar cada troca em exercício. Se tudo se torna “atividade”, a criança se fecha. Você é antes de tudo um pai, uma tia, um avô: a relação é mais importante do que o método.
- Permanecer sozinho diante dos sinais de sofrimento. Esperar que “isso passe” quando o sono, o humor ou a escola se degradam de forma duradoura. Um médico, a medicina escolar ou um psicólogo estão aí para isso; pedir ajuda cedo evita muitas dificuldades mais tarde.
Para ir mais longe
Guia completoQuando um pai tem câncer: o guia completo para entender o que está em jogo
Ajudas & interlocutoresPara quem se dirigir, quais ajudas e como manter a longo prazo
A formaçãoPrograma, conteúdo e para quem se destina a formação DYNSEO sobre o câncer de um pai
Perguntas frequentes
Com que frequência propor essas atividades?
Não existe uma cadência universal correta: o essencial é a regularidade, não a intensidade. Um pequeno ritual diário, mesmo de cinco minutos, tranquiliza mais do que um grande momento uma vez por semana. Na prática, um ou dois momentos curtos por dia são suficientes: muitas vezes um momento de expressão após a escola e o ritual da noite. Em alguns dias, a fadiga ou a organização não deixarão espaço para nada, e isso é perfeitamente normal. É melhor proteger um único ponto de ancoragem mantido todos os dias do que visar um programa ambicioso abandonado após três dias.
Quanto tempo deve-se dedicar a isso?
Sequências curtas de dez a quinze minutos são adequadas para a maioria das crianças; as mais novas se cansam ainda mais rápido. Sempre paramos antes da fadiga ou do tédio, nunca quando eles já estão presentes: uma atividade que termina bem dá vontade de recomeçar. A duração conta menos do que a qualidade da presença: dez minutos realmente disponíveis, sem telefone ou tarefa paralela, valem muito mais do que uma hora distraída. Deixe também a criança encurtar se ela já tiver tido o suficiente: é ela quem dá o ritmo.
Como motivar uma criança que recusa tudo?
Nunca se força: a insistência fecha portas. Três alavancas funcionam melhor. Primeiro, propor sem esperar uma resposta imediata: nos instalamos, desenhamos nós mesmos, e muitas vezes a criança vem. Em seguida, substituir a atividade "séria" por um momento de jogo ou prazer que faça sentido para ela. Por fim, respeitar a recusa sem reprovação: "sem vontade hoje? Faremos outro dia." A recusa é às vezes uma forma de expressar algo. Se se tornar um recuo duradouro, converse com um profissional.
Que material é necessário?
Quase nada: esse é um princípio desta caixa de ferramentas. Uma caixa, um pote, canetas, papel, um smartphone para gravar uma voz, e eventualmente um tablet. Os suportes DYNSEO gratuitos (caderno de palavras, ficha de acompanhamento, caderno de ligação, quadro de acompanhamento) podem ser impressos livremente a partir do catálogo de ferramentas. Não é necessário comprar material especializado ou caro: a eficácia depende da regularidade e da presença, não do material. O mais importante continua disponível sem comprar nada: tempo atento e palavras verdadeiras.
Como adaptar de acordo com a idade da criança?
A idade muda as palavras e os suportes, não os princípios. Com um bebê, priorizamos o concreto, a imagem, o jogo e explicações muito simples; ele precisa principalmente ser tranquilizado de que não é culpa dele. Com uma criança em idade escolar, podemos nomear a doença, responder às perguntas e propor desenho ou caixa de perguntas. Com um adolescente, respeitamos sua necessidade de intimidade, informamos como um quase-adulto sem sobrecarregá-lo de responsabilidades, e permanecemos disponíveis sem forçar. Em caso de dúvida, um psicólogo orienta de forma útil de acordo com a idade.
Essas atividades e adaptações são propostas gerais do dia a dia. Elas não substituem nem um acompanhamento psicológico, nem um aviso médico, nem o apoio das equipes que acompanham sua família. Para qualquer sinal de sofrimento da criança, consulte o médico responsável, a medicina escolar ou um psicólogo. Em caso de perigo imediato, entre em contato com os serviços de emergência do seu país.
Acompanhar seus filhos sem ficar sozinho diante da doença
saber o que implementar quando um pai tem câncer se aprende. A formação DYNSEO « Quando um pai tem câncer : acompanhar seus filhos diante da doença » reúne 16 lições para encontrar as palavras certas, identificar os sinais de sofrimento e preservar o equilíbrio familiar. 100 % online, acesso ilimitado, certificado de conclusão. Organismo certificado Qualiopi (N° 11757351875).
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