🏆 Concurso Top Culture — O concurso de cultura geral para todos! Participar →
Logo

Dislexia Verbal: Diagnóstico, Sintomas e Ferramentas de Reabilitação

Seu filho tem 4 anos e fala pouco, ou de maneira muito pouco compreensível? Você tem a impressão de que ele "procura" suas palavras, que sabe o que quer dizer, mas que sua boca não consegue produzir? Você é fonoaudiólogo e suspeita em um de seus jovens pacientes de um distúrbio que vai além do simples atraso na fala? Este artigo completo é para você.

A dislexia verbal, às vezes chamada de dislexia verbal da criança (DVC) ou Childhood Apraxia of Speech (CAS) na literatura anglo-saxônica, é um distúrbio neurodesenvolvimental raro, mas bem identificado, que afeta cerca de 1 a 2 crianças a cada 1000. Muitas vezes confundido com um simples atraso na fala ou um distúrbio articulatório, requer uma intervenção fonoaudiológica específica, intensiva e precoce para obter resultados significativos.

O que é a dislexia verbal?

A dislexia verbal é um distúrbio da programação motora da fala. Concretamente, a criança afetada sabe o que quer dizer, possui um sistema fonológico em funcionamento (sabe quais sons quer produzir), mas seu cérebro tem dificuldade em planejar e coordenar os movimentos necessários para a produção desses sons. Os músculos articulatórios (lábios, língua, mandíbula, véu do palato) não estão paralisados nem fracos: eles não recebem corretamente as ordens motoras necessárias para articular.

Essa definição a distingue de outros distúrbios relacionados. Em uma dissartria, os músculos estão afetados (fraqueza, espasticidade). Em um distúrbio articulatório isolado, a criança não consegue produzir um fonema específico (ex: ela fala com dificuldade). Em um atraso na fala, a criança simplifica globalmente a fonologia de maneira previsível. Em um distúrbio do desenvolvimento da linguagem (DDL), é a gramática e o léxico que estão afetados. A dislexia verbal, por sua vez, atinge especificamente o gesto articulatório complexo.

Origem e causas da dislexia verbal

A dislexia verbal é considerada um distúrbio neurodesenvolvimental. Isso significa que ela se origina em uma particularidade do desenvolvimento cerebral, sem que se possa sempre identificar uma causa precisa. Várias hipóteses etiológicas coexistem:

  • Causa genética: algumas formas familiares estão ligadas a mutações do gene FOXP2, identificado como desempenhando um papel chave no desenvolvimento da linguagem articulada. Vários membros de uma mesma família podem ser afetados.
  • Causa neurológica adquirida: a dislexia pode ocorrer como resultado de uma lesão cerebral neonatal, de uma infecção ou de um trauma.
  • Forma idiopática: na maioria dos casos, não se encontra nenhuma causa identificável.
  • Distúrbio associado: a dislexia verbal pode estar inserida em uma síndrome mais ampla (autismo, síndrome de Rett, galactosemia, algumas anomalias cromossômicas).

Independentemente da origem, o essencial é que a dislexia verbal nunca está relacionada a uma má estimulação parental, a uma falta de atenção ou a uma "preguiça" da criança. Os pais que se sentem culpados devem ser desresponsabilizados: esse distúrbio ocorre independentemente do ambiente educacional.

Sintomas e sinais de alerta da dislexia verbal

Os sinais da dislexia verbal aparecem desde as primeiras produções linguísticas e evoluem com a idade. Identificar esses sinais precocemente é essencial para direcionar para uma avaliação fonoaudiológica sem demora.

Sinais precoces (antes dos 3 anos)

Antes dos 3 anos, o diagnóstico raramente é formalmente estabelecido, mas vários sinais de alerta podem chamar a atenção:

  • Balbucio pobre ou ausente em bebês — a criança balbucia pouco, com uma diversidade limitada de sílabas
  • Aparição tardia das primeiras palavras — geralmente após 18-24 meses, enquanto a média está em torno de 12-15 meses
  • Léxico muito restrito aos 2 anos — menos de 20 palavras produzidas, contra 50 a 100 esperadas
  • Comunicação não verbal preservada — a criança entende, aponta, gesticula, demonstra claramente sua vontade de se comunicar
  • Dificuldades alimentares precoces — recusa de pedaços, dificuldades em mastigar, salivação prolongada em alguns casos
  • Perfil inteligente — a criança parece esperta, entende tudo, o que torna o contraste com suas dificuldades expressivas ainda mais marcante

Sinais específicos (3-6 anos)

A partir dos 3 anos, vários sinais mais específicos permitem suspeitar de uma dislexia verbal (e não de um simples atraso na fala):

  • Inconstância das produções: a criança pronuncia a mesma palavra de maneira diferente a cada vez. Ela dirá "tateau" depois "cateau" e depois "gato" para "bolo". Essa variabilidade é um dos sinais mais discriminantes.
  • Erros de tentativas articulatórias: vê-se a criança tentando várias configurações bucais antes de produzir uma palavra, como se estivesse "procurando" a posição correta.
  • Dificuldades predominantes em palavras longas: ela diz corretamente "papai", mas não consegue produzir "aniversário", "elevador" ou "rinoceronte".
  • Inversões e deslocamentos de sílabas: "catabouron" para "tambor", "ascensieur" para "elevador".
  • Prosódia alterada: a melodia da fala é plana, monótona, sem acentuação natural.
  • Imitação difícil: ao ser solicitado a repetir uma palavra após o adulto, a criança falha ou produz uma palavra diferente.
  • Praxias buco-faciais deficitárias: dificuldade em imitar uma careta, em puxar a língua, em estalar a língua, em dizer "pa-ta-ka" rapidamente.
  • Palavras bem-sucedidas "por acaso": algumas palavras, frequentemente carregadas emocionalmente ("mamãe", "papai"), saem surpreendentemente bem, enquanto palavras equivalentes em complexidade falham sistematicamente.

O diagnóstico diferencial: não confundir

O principal desafio do diagnóstico é diferenciar a dislexia verbal de outros distúrbios. Aqui está um quadro resumo:

DistúrbioCaracterística principalDiferença com dislexia
Atraso simples na falaSimplificações fonológicas sistemáticas ("tien" para "cão")Erros coerentes e previsíveis
Distúrbio articulatório isoladoUm ou dois fonemas não dominados (ex: dificuldade de pronúncia)Erro estável, o restante é normal
DissartriaFraqueza ou espasticidade muscularTônus anormal, deglutição alterada
DDL (distúrbio da linguagem)Léxico pobre, gramática alteradaA articulação pode ser correta
Surdez parcialConfusões fonéticas por percepção inadequadaAudiograma anormal
Dislexia verbalVariabilidade, tentativas, falha em palavras longasProgramação motora afetada

Essa distinção é crucial, pois as abordagens terapêuticas diferem: um atraso na fala é reabilitado com sessões de fonologia clássica, enquanto uma dislexia verbal requer abordagens específicas (PROMPT, Dynamic Temporal and Tactile Cueing, Nuffield, etc.) e uma intensidade muito maior (geralmente 2 a 3 sessões por semana durante vários anos).

Como é feito o diagnóstico da dislexia verbal?

O diagnóstico de dislexia verbal é exclusivamente clínico: atualmente, não existe nenhum teste biológico, nenhuma imagem, nenhuma análise genética que permita estabelecer o diagnóstico com certeza. É a observação cuidadosa, por um fonoaudiólogo experiente, que leva ao diagnóstico.

A avaliação fonoaudiológica completa

A avaliação geralmente ocorre em 2 a 3 sessões de 45 minutos a 1 hora. O fonoaudiólogo avalia várias áreas:

  • Anamnese completa com os pais: antecedentes familiares, desenvolvimento da gravidez e do parto, etapas do desenvolvimento (primeiros sons, primeiras palavras, andar...), história alimentar (amamentação, introdução de sólidos), antecedentes ORL.
  • Avaliação das praxias buco-faciais: capacidade de executar sob demanda movimentos da boca, dos lábios, da língua, isoladamente e depois em sequência. É aqui que os primeiros sinais aparecem.
  • Avaliação fonológica padronizada: com o uso de baterias como o BILO ou a EVALEO 6-15. Observa-se quais fonemas são produzidos, em quais posições, com quais erros.
  • Avaliação da produção de palavras: isoladas, em palavras longas, em pseudopalavras. Observa-se a variabilidade entre tentativas sucessivas do mesmo item.
  • Avaliação da prosódia: entonação, acentuação, ritmo.
  • Compreensão da linguagem: léxico passivo, compreensão de instruções. Geralmente preservada em crianças com dislexia verbal pura.
  • Avaliação da comunicação global: uso de gestos, apontar, olhar, capacidade de iniciar trocas.

Para os profissionais, estruturar essa avaliação ao longo do tempo é essencial. Nossa ficha de acompanhamento de sessão pode ser utilizada desde a fase de avaliação para anotar as observações clínicas ao longo das avaliações. O quadro de acompanhamento de competências permite então traçar a evolução ao longo de vários meses ou anos — particularmente valioso em uma patologia tão evolutiva quanto a dislexia verbal.

Os critérios diagnósticos

A ASHA (American Speech-Language-Hearing Association) definiu em 2007 três critérios-chave para o diagnóstico de dislexia verbal:

  1. Erros fonéticos inconsistentes em produções repetidas de sílabas ou palavras
  2. Transições prolongadas e perturbadas entre os sons e as sílabas (a criança "corta" sua fala)
  3. Prosódia inadequada, especialmente na realização dos acentos lexicais ou frasais

Esses três critérios devem idealmente estar presentes para estabelecer o diagnóstico. A combinação de variabilidade, tentativas e prosódia alterada é muito sugestiva.

Os exames complementares

Vários exames podem ser solicitados em complemento à avaliação fonoaudiológica:

  • Audiograma: indispensável para excluir uma deficiência auditiva subjacente
  • Avaliação ORL: para avaliar a integridade do trato fonatório (véu do palato, freio da língua, dentes)
  • Avaliação psicomotora: a dislexia verbal é frequentemente associada a uma dislexia global (motora, gestual)
  • Avaliação neuropsicológica: para avaliar o nível cognitivo global, que geralmente é normal na dislexia verbal isolada
  • Consulta pediátrica ou neuropediátrica: para investigar uma síndrome associada (autismo, síndrome genética)
  • Genética: se vários membros da família estão afetados ou se uma síndrome é suspeitada

A reabilitação fonoaudiológica da dislexia verbal

A intervenção na dislexia verbal é longa, intensiva e específica. Compreender isso desde o início permite que os pais se comprometam com um percurso que pode se estender por vários anos.

Os princípios-chave da reabilitação

Independentemente do método escolhido pelo fonoaudiólogo, vários princípios são consensuais na literatura internacional:

  • Intensidade elevada: 2 a 4 sessões por semana durante os primeiros anos, contra 1 sessão semanal para distúrbios mais simples. Essa intensidade é crucial para treinar os circuitos motores.
  • Repetição massiva: cada alvo articulatório deve ser trabalhado em centenas, até milhares de repetições, até a automatização.
  • Abordagem motora (e não fonológica): treina-se o gesto articulatório, não a consciência dos sons. É uma reabilitação da motricidade, não da linguagem.
  • Multi-modalidades: visual (a criança vê a boca do adulto), tátil (guiamos os lábios ou a mandíbula), auditiva, cinestésica. Mais modalidades = mais chances de sucesso.
  • Progressão hierárquica: começa-se com os sons isolados, depois sílabas simples (CV), depois combinações (CVCV), depois palavras, frases, conversação.
  • Implicação parental: os exercícios devem ser repetidos em casa, em estreita colaboração com o fonoaudiólogo. Este é, sem dúvida, o ponto mais determinante para a progressão.

Os métodos especializados

Vários métodos especializados foram desenvolvidos para a dislexia verbal:

  • Método PROMPT (Prompts for Restructuring Oral Muscular Phonetic Targets): abordagem tátil-cinestésica onde o fonoaudiólogo toca o rosto da criança para guiar precisamente o movimento articulatório.
  • Dynamic Temporal and Tactile Cueing (DTTC): desenvolvida por Edythe Strand, enfatiza a imitação simultânea e depois progressivamente diferenciada, com retirada gradual das ajudas.
  • Nuffield Dyspraxia Programme (NDP3): abordagem britânica muito estruturada, do som isolado até a conversação, com suportes visuais.
  • ReST (Rapid Syllable Transitions Treatment): focada nas transições entre sílabas, que são o ponto fraco maior dos disléxicos verbais.
  • Abordagem multissensorial integrando gestos, sinais, pictogramas e vocalizações para apoiar a comunicação enquanto a fala se constrói.

Na França, poucos fonoaudiólogos foram treinados nessas métodos especializados. Se você é pai e seu filho foi diagnosticado com dislexia verbal, não hesite em procurar ativamente um profissional treinado em pelo menos uma dessas abordagens. Este é um dos fatores determinantes do prognóstico. Existem formações continuadas em fonoaudiologia para profissionais que desejam se capacitar nessas metodologias.

A importância da comunicação alternativa

Enquanto a reabilitação articulatória avança, a criança disléxica verbal tem uma necessidade urgente: comunicar. Frustrada por não ser compreendida, pode desenvolver distúrbios comportamentais, um retraimento, agressividade, ou simplesmente desistir de falar.

É por isso que a comunicação alternativa e aumentativa (CAA) é hoje sistematicamente recomendada como apoio temporário ou permanente. Longe de frear o surgimento da fala (ideia errônea há muito difundida), ela a estimula ao reduzir a frustração e ao consolidar os conceitos linguísticos.

Os ferramentas de CAA podem ser:

  • Gestos simples (Makaton, sinais da LSF adaptados)
  • Pictogramas em papel (PECS, pasta de comunicação)
  • Aplicações digitais em tablet que permitem apontar ou digitar palavras/pictogramas

O aplicativo MEU DICIONÁRIO da DYNSEO é precisamente projetado para comunicação alternativa e aumentativa. Ele oferece centenas de pictogramas personalizáveis, organizados por categorias, e pode ser adaptado ao vocabulário específico de cada criança. É um excelente apoio para crianças disléxicas verbais, suas famílias e os fonoaudiólogos que as acompanham.

📌 A reter: Dar um meio de comunicação alternativo a uma criança dyspraxica verbal não "bloqueia" o surgimento da fala. Pelo contrário, isso reduz sua frustração, mantém sua motivação para se comunicar, e consolida suas bases linguísticas. Todos os guias internacionais recomendam hoje introduzir a CAA assim que o diagnóstico for feito, sem esperar.

O papel dos pais e da família

Os pais de uma criança dyspraxica verbal são parceiros-chave na reabilitação. Muito mais do que em outros distúrbios fonoaudiológicos, sua implicação determina em grande parte a velocidade e a amplitude dos progressos.

Como apoiar a criança no dia a dia?

Aqui estão as principais recomendações que os fonoaudiólogos especializados transmitem às famílias:

  • Falar devagar e claramente, sem exagerar ou desacelerar a ponto de parecer artificial. Articular claramente, sem gritar.
  • Reformular em vez de corrigir: se a criança disser "ato", responder "sim, o carro vermelho" em vez de "não, diz carro, repete".
  • Priorizar os comentários em vez das perguntas: "você construiu uma grande torre!" em vez de "o que você está fazendo?". As perguntas são mais cansativas para a criança e criam uma pressão de produção.
  • Multiplicar os suportes visuais: fotos, livros, pictogramas, gestos. Quanto mais se conecta uma palavra a modalidades sensoriais variadas, melhor ela se fixa.
  • Fazer os exercícios de fonoaudiologia todos os dias, ou várias vezes ao dia. A quantidade de prática é um dos fatores mais determinantes. Melhor 10 minutos por dia do que 1 hora uma vez por semana.
  • Manter um contato estreito com o fonoaudiólogo através de um caderno de ligação fonoaudiólogo-família, para adaptar os exercícios e sinalizar os progressos assim como as dificuldades.
  • Valorizar todas as tentativas, mesmo as imperfeitas. A criança dyspraxica faz um esforço cognitivo considerável a cada tentativa: ela deve obter uma recompensa emocional, não uma frustração.
  • Preservar o prazer do jogo e da troca: a reabilitação não deve invadir toda a vida familiar. Os momentos de cumplicidade sem pressão de fala também são essenciais.

Como evitar a armadilha do esgotamento parental?

A reabilitação de uma dyspraxia verbal se estende por anos. Os pais podem passar por fases de desencorajamento, especialmente quando os progressos parecem estagnar. Aqui estão algumas diretrizes para evitar o esgotamento:

  • Aceitar os platôs: a progressão nunca é linear. Existem fases de aquisições visíveis, fases de estagnação, às vezes regressões transitórias (notadamente durante picos de crescimento, mudanças escolares, estresses emocionais).
  • Medir os progressos ao longo do tempo, não semana a semana. Uma gravação em vídeo a cada 6 meses fornece uma fotografia objetiva da evolução real.
  • Reservar espaços pessoais: deixar a criança com alguém para relaxar, manter atividades pessoais, não deixar a reabilitação invadir toda a agenda familiar.
  • Juntar-se a grupos de pais: o compartilhamento com outras famílias que vivem a mesma realidade é frequentemente um apoio valioso. Várias associações existem (notadamente a AAD-França, associação dos dyspraxicos da França).
  • Prever um apoio psicológico se necessário, tanto para os pais quanto para os irmãos que podem sofrer indiretamente com a atenção massiva dada à criança dyspraxica.

Quais suportes digitais para a reabilitação?

Os suportes digitais se desenvolveram amplamente nos últimos anos para a reabilitação fonoaudiológica. Para a dyspraxia verbal especificamente, eles constituem um complemento valioso à reabilitação em consultório.

O aplicativo COCO da DYNSEO, projetado para crianças de 5 a 10 anos, oferece dezenas de jogos cognitivos adaptativos que podem complementar a reabilitação no dia a dia. Ele não substitui o trabalho específico na articulação, mas treina outras habilidades fundamentais frequentemente associadas: vocabulário, memória de trabalho, atenção, raciocínio. As crianças dyspraxicas verbais frequentemente apresentam fragilidades atencionais e executivas associadas que se beneficiam de um treinamento específico.

Por sua vez, MEU DICIONÁRIO é uma ferramenta de comunicação alternativa e aumentativa que pode acompanhar a criança enquanto sua fala não se torna inteligível. O aplicativo permite que a criança expresse suas necessidades, conte seu dia, peça um objeto, simplesmente apontando pictogramas. É um alívio imenso para muitas famílias.

📱 COCO PENSA e COCO SE MEXE : dois ferramentas complementares para crianças com distúrbios DIS

COCO treina o vocabulário, a memória e a atenção através do jogo. MON DICO permite que a criança se comunique enquanto sua fala não se torna inteligível. Dois aplicativos concebidos pela DYNSEO, utilizados em centenas de consultórios de fonoaudiologia na França.

Descobrir o aplicativo COCO

Pronóstico e evolução

O prognóstico da dispraxia verbal depende de vários fatores: gravidade inicial, precocidade do atendimento, intensidade da reabilitação, distúrbios associados, ambiente familiar. Portanto, é difícil fornecer números gerais, mas algumas tendências emergem da literatura científica.

Com um atendimento precoce e intensivo, a maioria das crianças com dispraxia verbal consegue uma fala funcional (inteligível pelos familiares) por volta dos 7-9 anos. A fala, no entanto, muitas vezes permanece marcada, com dificuldades persistentes em palavras longas, pseudopalavras, mudanças rápidas de fonemas e prosódia. Muitos adultos que foram dispraxicos verbais mantêm sequelas discretas, mas detectáveis.

Sem atendimento ou com um atendimento insuficiente, as consequências podem ser mais graves: inteligibilidade reduzida, impacto escolar significativo (dificuldades em leitura/escrita associadas), retraimento social, distúrbios de comportamento, diminuição da autoestima. É por isso que diagnosticar cedo e intervir intensivamente é decisivo.

Os distúrbios frequentemente associados

A dispraxia verbal costuma ser acompanhada de outras dificuldades que devem ser monitoradas:

  • Dislexia/disortografia: 50 a 75% das crianças com dispraxia verbal desenvolvem posteriormente distúrbios de aprendizagem de leitura-escrita. A fragilidade fonológica subjacente explica essa associação.
  • Dispraxia motora ou global: dificuldades gestuais, motricidade fina alterada, escrita difícil, desajeitamento geral.
  • Distúrbio do desenvolvimento da linguagem (TDL): dificuldades associadas de sintaxe, léxico, compreensão.
  • Distúrbio de atenção (com ou sem hiperatividade): presente em cerca de 30% das crianças com dispraxia verbal.
  • Dificuldades emocionais: ansiedade, baixa autoestima, retraimento, às vezes oposição.

Se você ou seu filho apresentam dificuldades atencionais associadas, nosso teste de concentração e atenção online pode fornecer um primeiro esclarecimento. Da mesma forma, o teste das funções executivas é útil para identificar fragilidades na planejamento, flexibilidade ou inibição.

Perguntas frequentes sobre a dispraxia verbal

A partir de qual idade pode-se diagnosticar uma dispraxia verbal?

O diagnóstico formal é geralmente feito entre 3 e 4 anos, quando a criança já desenvolveu normalmente linguagem suficiente para que se possa avaliar as particularidades. Antes dos 3 anos, fala-se mais de sinais de alerta ou de suspeita. Isso não deve impedir a ação: um acompanhamento fonoaudiológico preventivo pode começar já aos 2-3 anos diante de sinais evocativos (balbucio pobre, léxico muito restrito, dificuldades alimentares).

A dislexia verbal é um handicap reconhecido?

Sim, a dislexia verbal é reconhecida como um distúrbio neurodesenvolvimental e pode dar direito a adaptações escolares (PAP, PPS) e a um reconhecimento MDPH de acordo com a gravidade. As famílias podem solicitar uma notificação AVS, tempo adicional em exames, ou sessões de cuidado durante o horário escolar. Não hesite em constituir um dossiê MDPH assim que o diagnóstico for feito.

Meu filho tem 5 anos e fala pouco: isso é necessariamente uma dislexia verbal?

Não, absolutamente não. Uma criança que fala pouco aos 5 anos pode apresentar diversos distúrbios diferentes: atraso simples na fala, distúrbio do desenvolvimento da linguagem, mutismo seletivo, surdez parcial, autismo, dislexia verbal, ou simplesmente um desenvolvimento mais lento (o menos comum nessa idade). Apenas uma avaliação fonoaudiológica pode fornecer um diagnóstico. Não demore a consultar: um atraso não se recupera sozinho após os 5 anos.

Quanto tempo dura a reabilitação de uma dislexia verbal?

É variável, mas a reabilitação geralmente se estende por vários anos, com uma intensidade máxima (2-4 sessões/semana) durante os 2-3 primeiros anos, seguida de uma diminuição progressiva. Algumas crianças mantêm acompanhamento até a adolescência para consolidar os aprendizados ou trabalhar os distúrbios associados (dislexia, funções executivas). É um investimento longo, mas que muda profundamente a vida da criança.

Meu filho poderá falar normalmente um dia?

Com um acompanhamento precoce, intensivo e específico, a grande maioria das crianças com dislexia verbal consegue uma fala funcional e amplamente inteligível. Algumas particularidades podem persistir (palavras longas difíceis, prosódia um pouco marcada, fadiga na produção prolongada), mas a comunicação se torna possível e confortável. Os progressos dependem de muitos fatores: não desespere, mas não tenha também uma expectativa irrealista de “cura completa”.

As telas agravam a dislexia verbal?

As telas passivas (televisão ao fundo, vídeos assistidos sozinhos) não são recomendadas para crianças pequenas com dislexia, assim como para todas as crianças. Elas não estimulam a linguagem e podem até frear as interações verbais. Por outro lado, aplicativos interativos direcionados (como COCO ou MON DICO) usados com um adulto podem ser benéficos. A regra: nada de tela passiva, sim a ferramentas digitais acompanhadas.

Meu fonoaudiólogo acompanha meu filho 1 vez por semana, isso é suficiente?

Para uma dislexia verbal comprovada e severa, uma sessão semanal geralmente é insuficiente. As recomendações internacionais são de 2 a 4 sessões por semana durante a fase ativa de reabilitação. Se seu fonoaudiólogo não puder oferecer mais, complemente com um trabalho muito regular em casa (10-20 minutos várias vezes ao dia) em estreita colaboração com o profissional. Não hesite em pedir uma segunda opinião se sentir que o acompanhamento não é adequado.

Existem medicamentos para a dispraxia verbal?

Não, não existe nenhum tratamento medicamentoso para a dispraxia verbal em si. Se a criança apresentar distúrbios associados (TDAH, ansiedade), um tratamento médico pode ser discutido para esses distúrbios específicos, mas isso não trata a dispraxia. A reabilitação fonoaudiológica continua sendo o único tratamento validado para esse distúrbio.

Para ir mais longe

Se você é pai de uma criança dispraxica verbal, saiba que você não está sozinho. Várias recursos podem acompanhá-lo nesse percurso:

  • Associações de famílias: AAD-França, Dispraxico Mas Fantástico, que oferecem encontros, informações, apoio moral e defesa dos direitos.
  • Ferramentas de acompanhamento: utilize nossas ferramentas gratuitas para fonoaudiólogos e famílias (folha de acompanhamento de sessão, tabela de acompanhamento de competências, caderno de comunicação) para estruturar o trabalho entre fonoaudiólogo, escola e família.
  • Aplicativos digitais DYNSEO: COCO para estimular as competências cognitivas em paralelo à reabilitação, e MEU DICIONÁRIO para permitir a comunicação alternativa.
  • Testes cognitivos online: para identificar possíveis distúrbios associados, nossos testes gratuitos cobrem a memória, a atenção, as funções executivas.
  • Formação contínua: se você é profissional de saúde, nossas formações Qualiopi abordam os distúrbios neurodesenvolvimentais e a comunicação alternativa.

A dispraxia verbal é um distúrbio exigente, que requer paciência, expertise e uma parceria forte entre a criança, sua família, o fonoaudiólogo, a escola e todos os profissionais que a cercam. Mas também é um distúrbio para o qual os progressos são possíveis, e às vezes espetaculares, quando a intervenção é precoce e apropriada. Nunca desanime: cada palavra, cada sílaba, cada sorriso da criança que finalmente se sente compreendida é uma vitória.

How useful was this post?

Click on a star to rate it!

Average rating 0 / 5. Vote count: 0

No votes so far! Be the first to rate this post.

We are sorry that this post was not useful for you!

Let us improve this post!

Tell us how we can improve this post?

Este conteúdo ajudou-o? Apoie a DYNSEO 💙

Somos uma pequena equipa de 14 pessoas sediada em Paris. Há 13 anos que criamos conteúdos gratuitos para ajudar famílias, terapeutas da fala, lares de idosos e profissionais de cuidados.

O seu feedback é a única forma que temos de saber se este trabalho lhe é útil. Uma avaliação no Google ajuda-nos a chegar a outras famílias, cuidadores e terapeutas que dela precisam.

Um único gesto, 30 segundos: deixe-nos uma avaliação no Google ⭐⭐⭐⭐⭐. Não custa nada, e muda tudo para nós.

Avaliações Google DYNSEO
4,9 · 49 avaliações
Ver todas as avaliações →
M
Marie L.
Família de uma pessoa idosa
Aplicação fantástica para a minha mãe com Alzheimer. Os jogos estimulam-na realmente e a equipa é muito atenta. Um grande obrigado a toda a equipa DYNSEO!
S
Sophie R.
Terapeuta da fala
Uso os jogos DYNSEO todos os dias no meu consultório com os meus pacientes. Variados, bem concebidos e adaptados a todos os níveis. Os meus pacientes adoram e progridem realmente.
P
Patrick D.
Diretor de lar
Mandámos formar toda a nossa equipa pela DYNSEO sobre estimulação cognitiva. Formação Qualiopi séria, conteúdo pertinente e aplicável ao dia a dia. Verdadeiro valor acrescentado para os nossos residentes.
Bonjour, je suis Coach JOE !
En ligne
🛒 0 O meu carrinho