Prevenir e agir frente ao bullying escolar e ao cyberbullying: 10 situações difíceis do dia a dia e como responder
O bullying escolar quase nunca se apresenta com um rótulo. Ele se esconde em um corredor entre duas aulas, em uma risada que sempre recai sobre o mesmo aluno, em uma notificação recebida às 22h que esvazia um rosto de suas cores na manhã seguinte. Frente a essas cenas ordinárias, a verdadeira questão dos profissionais não é teórica: é “prevenir e agir frente ao bullying, o que fazer exatamente, aqui e agora, com as palavras certas?”. Este artigo não conta os mecanismos de longe: ele descreve dez situações reais do cotidiano escolar e educativo, como elas acontecem.
Neste artigo
A formação associada

Os recursos citados
Para cada um: a cena, o que acontece do lado do aluno, a reação espontânea que agrava as coisas, e depois a conduta a seguir passo a passo — com as frases exatas a dizer, a postura a adotar, e a maneira de evitar que a situação se repita. O tom é protetor para as crianças envolvidas: observa-se, recolhe-se, protege-se, e orienta-se para um profissional de saúde assim que um sinal de sofrimento aparece.
O essencial em 30 segundos
A maioria das situações de bullying que chegam a um adulto aparece disfarçada: uma dor de barriga, uma queda nas notas, um “era só para rir”. Saber o que dizer nos primeiros dez minutos é tão importante quanto o procedimento iniciado depois.
- Criar primeiro, investigar depois — a primeira reação do adulto condiciona todo o resto.
- Nunca confrontar a vítima e o autor nem organizar uma “mediação” em uma situação de bullying comprovado.
- Escrever os fatos — datado, localizado, factual — e transmitir de acordo com o protocolo da instituição (na França, o programa pHARe e o 3018 para o digital).
- O cyberbullying deve ser preservado antes de ser relatado: captura-se, não se apaga.
- Todo sinal de sofrimento deve ser encaminhado ao médico escolar ou ao psicólogo: o adulto protege, não diagnostica.
1. Ele inventa uma razão para não ir ao recreio
10 h 05, sinal do recreio. Um aluno do 4º ano se demora, procura seu casaco que ele acabou de guardar, se oferece para ajudar a apagar o quadro. Há quinze dias, ele encontra toda manhã uma razão para ficar na sala durante os tempos livres.
O que está em jogo : o pátio do recreio é o espaço menos vigiado e o mais propício ao bullying. Uma criança que multiplica os pretextos para evitá-lo não está fazendo um capricho de organização : ela está fugindo de um lugar que se tornou perigoso aos seus olhos. A evitação é um sinal de alerta reconhecido, não um traço de caráter. Interpretada como timidez ou desinteresse, deixa a criança sozinha com seu medo.
- Receba o pretexto sem desmontá-lo : « Tudo bem, você pode ficar dois minutos comigo. » Você cria um tempo de segurança em vez de forçar a saída.
- Abra uma porta, em particular e sem interrogatório : « Notei que você prefere ficar na sala de aula pela manhã. Há algum momento do dia que você não gosta muito ? » Uma pergunta aberta, não um « estão te incomodando ? ».
- Observe o pátio nos dias seguintes : onde ele se posiciona, com quem, quem se aproxima, quem se afasta. Anote os fatos datados.
- Transmita à equipe de vida escolar e reforce a presença adulta nas áreas identificadas. A vigilância direcionada é uma medida de proteção imediata.
Evitar a repetição : estabeleça tempos de recreio supervisionados (jogos cooperativos, canto calmo) e identifique as áreas de ponto cego do pátio. Uma criança precisa saber que um adulto está vendo.
❌ A evitar : « Vai, sai para tomar ar, isso vai te fazer bem ! » — uma frase que empurra a criança sozinha para o que ela teme e a ensina que o adulto não entende.
2. As risadas sempre recaem sobre o mesmo aluno
Aula de 5º ano. Sempre que um aluno fala, uma risadinha percorre o fundo da sala, alguns olhares se trocam, um apelido surge em voz baixa. Ele baixa a cabeça e nunca mais levanta a mão. A atmosfera geral, por sua vez, parece « tranquila ».
O que está em jogo : a humilhação ritualizada. O bullying se distingue da simples zombaria por três critérios que o ministério da Educação nacional lembra : a repetição, a intenção de prejudicar e o desequilíbrio de força. Quando as risadas visam sempre a mesma pessoa, não estamos mais na brincadeira : o grupo designou um alvo e o adulto, ao não intervir, valida implicitamente a regra.
- Nomeie o fato, não a intenção, em voz calma e diante do grupo : « Acabei de ouvir risadas quando a Léa falou. Nesta sala, ouvimos cada um sem comentários. » Você estabelece uma regra, não acusa ninguém.
- Proteja o alvo sem expô-lo demais : nunca diga « parem de zombar dela », que a designa ainda mais.
- Converse com o aluno em particular após a aula : « Notei que é frequentemente a mesma pessoa que é alvo. Queria verificar se está tudo bem com você. »
- Documente : data, aula, o que foi dito e ouvido. Três ocorrências anotadas valem mais do que uma impressão.
Evitar a repetição : trabalhe o clima da sala (regras co-construídas, papéis rotativos, atividades cooperativas) em vez de sancionar uma risada isolada. É o grupo que autoriza ou proíbe.
❌ A evitar : rir de si mesmo « para desdramatizar » ou lançar um « bom, chega » geral que não compromete nada e sinaliza que o comportamento é tolerado.
3. Uma aluna lhe mostra uma mensagem recebida na noite anterior
Fim da aula. Uma aluna da 4ª série fica, estende seu telefone com uma mão que treme um pouco : uma mensagem recebida às 22h40, insultuosa, seguida de várias outras. « Não sei se é grave, só queria te mostrar. » Ela observa sua reação.
O que está em jogo : ela está te testando. Mostrar essa mensagem é um ato de coragem enorme, muitas vezes precedido de semanas de silêncio. O cyberbullying prolonga o bullying além dos muros da escola : não há mais refúgio, nem à noite nem nos fins de semana. A primeira reação do adulto decide se a aluna voltará a falar um dia — com você ou com qualquer um.
- Receba, não minimize : « Você fez bem em me mostrar. Eu te acredito, e não é sua culpa. » Essas três frases são a base de tudo.
- Conserve as provas : capture, não exclua. Faça uma captura de tela com a data, o pseudônimo, a data/hora : « Vamos guardar um registro, é importante para te proteger. »
- Explique os próximos passos, sem prometer segredo absoluto : « Não posso guardar isso só para mim, porque meu papel é te proteger. Vou falar com [referente] e decidimos juntos os passos. »
- Oriente para os recursos dedicados : na França, o 3018 (número nacional contra as violências digitais, gratuito e confidencial) e o 3020 (bullying escolar). Um relato às plataformas é possível com o apoio desses serviços.
Um ponto de atenção frequentemente negligenciado : a aluna que se confia quase nunca mostra tudo de uma vez. A mensagem que ela te entrega é um teste, a parte menos dolorosa de um conjunto mais pesado. Se sua reação for correta, o resto virá ; se decepcionar, a porta se fechará por muito tempo. Daí a importância de não comentar o conteúdo (« oh, isso é violento ») nem fazer dez perguntas seguidas : ouvimos, garantimos segurança, agradecemos, explicamos os próximos passos. O ritmo pertence à criança.
Evitar a repetição : aborde em sala de aula, antecipadamente, os reflexos digitais : não responder ao agressor, bloquear, capturar, falar com um adulto. A prevenção digital deve ser feita antes da crise, não durante.
❌ A evitar : « Você precisa excluir isso e bloquear, não pense mais nisso » — apaga as provas e manda a aluna de volta à solidão. Evite também recriminá-la por estar na rede em questão.
4. Uma foto ou um boato circula em um grupo de classe
Informam que uma foto constrangedora de um aluno, ou um boato a seu respeito, está circulando desde a manhã em um grupo de discussão da classe. Vários alunos a viram, alguns reagiram com emojis, o interessado talvez ainda não esteja ciente.
O que está em jogo : o efeito de amplificação próprio do digital. Uma humilhação que, ontem, teria permanecido em um corredor se espalha em poucos minutos por toda a classe, com « espectadores » que, ao reagirem, tornam-se atores sem sempre ter consciência disso. A divulgação de imagens sem consentimento pode configurar infrações : o assunto ultrapassa a disciplina escolar.
- Aja rapidamente para parar a difusão : peça, através da equipe, a interrupção dos compartilhamentos e a conservação dos elementos. « Cada pessoa que compartilha novamente agrava a situação e sua própria responsabilidade. »
- Proteja o aluno alvo em prioridade : avise-o com cuidado, antes que ele descubra pelo grupo, e tranquilize-o sobre o fato de que adultos estão cuidando disso.
- Não conduza a investigação sozinho : transmita à direção e ao responsável, que decidirão sobre os relatos (plataforma, 3018, e conforme a gravidade, as autoridades).
- Fale sobre o papel das testemunhas na sala de aula : « Não fazer nada é já escolher um lado. Falar com um adulto é ajudar. »
Evitar a repetição : trabalhe a noção de testemunha ativa e o direito à imagem. Um grupo que sabe que um compartilhamento deve ser relatado se regula de forma diferente.
❌ A evitar : pedir para ver e fazer circular a foto « para entender », o que a redistribui ; ou tratar o caso como um simples problema de disciplina interna quando pode envolver a lei.
5. Ninguém quer ficar com ele
Você forma duplas para um trabalho. Um aluno fica sozinho. Quando você sugere que um grupo o integre, os ombros se levantam, um « ah não, não ele » escorrega entre duas mesas. Não é a primeira vez : no esporte, na cantina, é o mesmo cenário silencioso.
O que está em jogo : a exclusão, forma relacional do assédio, a mais difícil de provar e a mais corrosiva. Não há socos nem insultos : apenas um vazio organizado em torno de uma criança. Frequentemente lida como timidez ou um « caráter difícil », deixa a vítima convencida de que o problema é ela.
- Retome o controle sobre os grupos em vez de deixar os alunos escolherem : forme as duplas você mesmo, com papéis precisos para cada um. Você retira do grupo o poder de excluir.
- Crie sucessos visíveis para o aluno excluído : confie a ele uma tarefa em que ele se destaque, valorize-a diante dos outros sem exagerar.
- Receba discretamente os líderes da rejeição : « Notei que [nome] frequentemente fica sozinho. Conto com você para que isso mude. » Você responsabiliza sem humilhar.
- Verifique o estado da criança excluída e, ao menor sinal de sofrimento (retraimento, tristeza duradoura, comentários depreciativos), encaminhe para o psicólogo da Educação nacional ou o médico escolar.
Evitar a repetição : varie regularmente os grupos, valorize a cooperação em vez da competição, e identifique cedo as dinâmicas de exclusão. Ferramentas como o sistema de gamificação escolar podem ajudar a recompensar a ajuda mútua.
❌ A evitar : « Bom, você fica sozinho então » — uma frase que confirma a exclusão ; ou forçar um grupo a « aceitar » o aluno, o que alimenta a rejeição.
Esses dez minutos que mudam tudo, isso se aprende
Saber o que dizer quando um aluno estende seu telefone, como coletar a fala sem agravar, quando e como relatar : a formação « Prevenir e agir frente ao assédio escolar e ao cyberassédio » revisita cada gesto, 100 % online, no seu ritmo, 20 lições, acesso ilimitado. Organização certificada Qualiopi, atestado de conclusão de formação.
Descobrir a formação — 90 €6. « Era só uma brincadeira », diz quem assedia
Você recebe o aluno cujos comportamentos são problemáticos. Antes mesmo da sua primeira pergunta, ele desarma: « Mas era só uma brincadeira, todo mundo faz isso, ele leva a mal, só isso. » O tom é seguro, quase irritado por estar ali.
O que está em jogo: a banalização, mecanismo central do assédio. « Era só uma brincadeira » desloca a responsabilidade para a vítima (« ele leva a mal ») e dilui a culpa no grupo (« todo mundo faz isso »). O autor nem sempre é uma criança « má »: muitas vezes, ele não mediu o efeito ou reproduziu uma dinâmica de grupo. O papel do adulto não é demonizá-lo, mas redirecionar sem destruir.
- Distinguir o fato da pessoa: « Eu não estou dizendo que você é mau. Estou dizendo que o que você fez feriu alguém, e isso precisa parar. »
- Recentrar no efeito, não na intenção: « Uma piada é quando todos riem. Aqui, apenas uma pessoa ri e outra chora. Isso não é mais uma piada. »
- Estabelecer um quadro claro e uma sequência: reforce a regra, a consequência prevista pela instituição e o que você espera concretamente a partir de agora.
- Nunca confronte o autor e a vítima: nada de « peça desculpas na frente dela », nada de mediação cara a cara em um assédio comprovado. Isso expõe novamente a vítima à relação de força.
Evitar a repetição: existem abordagens de grupo não culpabilizadoras (recomendadas no âmbito do programa pHARe): elas mobilizam o entorno para fazer a situação cessar sem buscar um culpado único. Elas são aprendidas e implementadas em equipe.
❌ A evitar: humilhar o autor em retorno ou exigir que ele peça desculpas imediatamente à vítima, o que alivia o adulto, mas agrava a posição da criança assediada.
7. Um pai alerta, a criança nega tudo
Uma mãe liga para você: seu filho chora à noite, não quer mais ir à escola, ela tem certeza de que « algo está acontecendo ». Você recebe o aluno: ele olha para os sapatos e repete « não, está tudo bem, minha mãe se preocupa à toa ».
O que está em jogo: a lei do silêncio. Uma criança assediada frequentemente nega, por vergonha, medo de represálias ou receio de que « isso piore » se um adulto se envolver de forma desajeitada. A negação não invalida o alerta do pai: às vezes, ela o confirma. É preciso manter as duas verdades: levar o pai a sério e respeitar o ritmo da criança.
- Não busque a confissão: não insista para « fazer confessar ». Abra uma porta: « Você não é obrigado a me contar hoje. Apenas saiba que minha porta está aberta e que o que você me disser, vamos resolver juntos, nunca contra você. »
- Dê um canal discreto: uma palavra sussurrada, um referencial identificado, um endereço para escrever. Algumas crianças falam por escrito antes de falar cara a cara.
- Acompanhe o pai: agradeça-o, explique o que você vai observar, sem prometer resultados ou concluir muito rápido. « Você fez bem em ligar. Vamos ficar atentos e conversamos de novo. »
- Observe e cruze os olhares da equipe sobre fatos concretos durante alguns dias e transmita conforme o protocolo.
Evitar a repetição : informe as famílias sobre os canais de alerta e o responsável por assédio da instituição. Um pai que sabe a quem falar alerta mais cedo.
❌ A evitar : « Ele diz que está tudo bem, então não há nada » — concluir a partir da negação. Evite também convocar a criança diante de vários adultos, o que trava sua fala.
8. Suas notas caem, ele tem dor de barriga toda manhã
Um aluno até então estudioso vê seus resultados desmoronarem em poucas semanas. A enfermaria o recebe várias vezes por dores de barriga, sempre pela manhã, sem causa encontrada. Ele falta cada vez mais. Em sala de aula, parece estar em outro lugar.
O que está em jogo : a somatização e a evasão, sinais indiretos frequentes do assédio. O sofrimento psicológico se expressa no corpo e nos aprendizados antes de se expressar em palavras. Esses sinais não provam por si só um assédio — podem ter muitas outras causas — mas impõem abrir a questão e, sobretudo, não diagnosticar nada por conta própria.
- Relacione as observações entre professores, vida escolar e enfermaria : é a interseção dos sinais, não um sinal isolado, que alerta.
- Abra a fala sem rotular : « Tenho a impressão de que algo está mais difícil neste momento. Não vou te forçar a falar, mas estou aqui. »
- Oriente para os profissionais de saúde : médico escolar, enfermeiro, psicólogo da Educação nacional. Todo sinal de sofrimento é da competência deles, não do professor, para avaliação e acompanhamento.
- Adapte o cotidiano escolar durante esse tempo : aliviar a pressão sobre as avaliações, garantir trajetos e momentos temidos.
Um ponto de referência útil para a equipe : nunca é um sinal isolado que deve alertar, mas um conjunto. Uma única nota ruim não diz nada ; uma queda geral acompanhada de faltas específicas, de idas repetidas à enfermaria e de um afastamento social desenha um quadro que deve ser levado a sério. É precisamente por isso que as transmissões escritas, factuais e compartilhadas são tão importantes : cada adulto vê apenas um fragmento, e somente a interseção das observações permite ler a situação sem superinterpretação ou deixar passar.
Evitar a repetição : apoie os aprendizados e a organização para limitar a espiral de fracasso (por exemplo, com um planejador de tarefas semanal), e trabalhe a gestão das emoções. Para os mais jovens, o aplicativo COCO oferece jogos de estimulação cognitiva e rotinas de bem-estar adaptadas para 5-10 anos.
❌ A evitar : « Você precisa se recompor, pode fazer melhor » — sancionar a queda de resultados sem buscar a causa, o que adiciona pressão à angústia.
9. Um conteúdo grave chega até você fora do horário escolar
Em uma noite de domingo, um aluno ou um pai lhe envia mensagens particularmente violentas : ameaças, comentários que mencionam vontade de desaparecer, conteúdo de natureza sexual envolvendo um menor. Você está em casa, sem o apoio imediato da instituição.
O que está em jogo : a transgressão de um limiar de gravidade. Alguns conteúdos não se referem mais apenas à gestão educacional, mas à proteção da infância, ou até mesmo ao penal. O reflexo esperado não é agir sozinho, mas orientar sem demora para os dispositivos previstos, enquanto mantém um registro do que foi transmitido a você.
- Leve a sério qualquer comentário que mencione um perigo vital. Em caso de perigo imediato, contate os serviços de emergência do seu país sem esperar.
- Direcione para os números dedicados : em Portugal, o 3018 para violências digitais, o 119 (Alô Criança em Perigo) em caso de menor em perigo, o 3020 para o bullying escolar.
- Conserve os elementos recebidos (capturas com data e hora) e transmita-os assim que possível ao diretor da instituição e ao responsável, que iniciarão os relatórios oficiais.
- Não fique sozinho com a informação : um conteúdo grave exige compartilhar a responsabilidade, nunca carregá-la sozinho.
Evitar a repetição : certifique-se de que cada adulto da instituição conhece a cadeia de alerta e os números a serem discados, inclusive fora do horário escolar. O procedimento só é útil se for conhecido antes de ser necessário.
❌ A evitar : responder ao autor, prometer segredo à criança sobre um conteúdo que coloca sua segurança em risco, ou esperar até segunda-feira « para não incomodar ».
10. Uma testemunha quer falar, mas se recusa a "denunciar"
Uma aluna se aproxima de você, envergonhada : « Posso te contar uma coisa, mas não pode dizer que fui eu, senão eles vão me atacar também. » Ela viu, ela sabe, mas o medo de represálias a impede de avançar.
O que está em jogo : o papel decisivo das testemunhas. O bullying só se sustenta pelo silêncio daqueles que veem. Uma testemunha que fala é um recurso valioso — e uma criança a ser protegida em troca. A forma como você acolhe esse momento determina se outros, amanhã, também se atreverão.
- Valorize o gesto : « O que você está fazendo é corajoso, e é exatamente o que deve ser feito. Não é denunciar, é proteger alguém. »
- Seja honesto sobre a confidencialidade : « Farei tudo para te proteger e não te expor. Vamos pensar juntos em como agir sem que isso recaia sobre você. » Não prometa o impossível.
- Reúna os fatos : o que, onde, quando, quem — sem transformar a criança em investigadora ou pedir que fique de olho.
- Transmita conforme o protocolo, protegendo a fonte, e dê um retorno à testemunha sobre o fato de que sua palavra foi útil.
Evitar a repetição : instale uma cultura de testemunha ativa — distinguir « relatar » de « proteger » — e canais de denúncia discretos. Os ferramentas de regulação emocional para adolescentes também ajudam a colocar palavras nessas situações.
❌ A evitar : « Você precisa me dar os nomes na frente de todo mundo » ou tratar a testemunha como um simples informante ; é a melhor maneira de silenciar qualquer palavra futura.
Prevenir e agir diante do bullying, o que fazer: o quadro resumo
Cada situação exige um reflexo e uma armadilha a evitar. Este quadro resume a conduta a ser adotada ; não substitui o protocolo da sua instituição, mas facilita sua aplicação no momento em que a cena ocorre.
| Situação | ✅ O reflexo a ter | ❌ A evitar |
|---|---|---|
| Evita o recreio | Criar um tempo de segurança, abrir a fala em privado, direcionar a supervisão | Mandá-lo sozinho « tomar ar » |
| Risos sobre o mesmo aluno | Estabelecer a regra diante do grupo, documentar, retomar em privado | Rir ou lançar um « chega » vago |
| Mensagem recebida mostrada | Acreditar, capturar sem apagar, direcionar para o 3018 | « Apague e não pense mais nisso » |
| Foto/ruma que circula | Parar a difusão, proteger a vítima, relatar | Pedir para ver e fazer circular a foto |
| Ninguém o quer | Retomar o controle sobre os grupos, criar sucessos | « Você está se isolando então » |
| « Era só para brincar » | Separar o fato da pessoa, reorientar sobre o efeito | Humilhar ou impor desculpas imediatas |
| Pai alerta, criança nega | Abrir uma porta, respeitar o ritmo, levar o pai a sério | Concluir « não há nada » a partir da negação |
| Notas em queda, dores de barriga | Cruzamento de sinais, direcionar para a saúde escolar | Sanctionar a queda de resultados |
| Conteúdo grave fora do horário escolar | Números dedicados, conservar, não ficar sozinho | Esperar até segunda-feira, prometer um segredo perigoso |
| Testemunha que hesita | Valorizar, proteger a fonte, transmitir | Exigir nomes em público |
Diante de comentários que evocam uma vontade de desaparecer, um gesto autoagressivo, uma ameaça de morte ou um conteúdo que implique um perigo imediato, aplica-se sem demora o procedimento de emergência e contata-se os serviços de emergência do seu país. Nenhuma análise de situação, nenhuma discrição, nenhuma espera « para não dramatizar » prevalece sobre a segurança imediata de uma criança.
A violência escolar é objeto de um programa nacional de prevenção (pHARe) nas escolas e colégios, e a violência escolar constitui um delito desde a lei de 2 de março de 2022. Os recursos de ajuda reconhecidos são o 3020 (violência escolar) e o 3018 (violências digitais e cyberbullying). Consulte sempre o protocolo e o responsável da sua instituição.
Para ir mais longe
Este artigo se concentra nas cenas do cotidiano. Para aprofundar a compreensão dos mecanismos, a implementação da prevenção e a postura da equipe, os outros aspectos da série trazem um esclarecimento complementar.
Guia de fundoO guia completo para entender o que acontece na violência escolar e no cyberbullying
Caixa de ferramentasAtividades, materiais e adaptações concretas a serem implementadas contra a violência
Postura profissionalTrabalho em equipe, transmissões e desenvolvimento de competências frente à violência
No que diz respeito a recursos diretamente mobilizáveis, o catálogo de ferramentas gratuitas DYNSEO propõe, entre outras coisas, uma ficha de reestruturação cognitiva da ansiedade e uma caixa de ferramentas de regulação emocional úteis para adolescentes. Para avaliar e apoiar as funções cognitivas dos alunos fragilizados, os testes cognitivos e o aplicativo JOE (adultos e saúde mental) completam a paleta, ao lado de COCO para os mais jovens.
Perguntas frequentes
O que fazer nos primeiros minutos quando um aluno se confia ?
Três mensagens prevalecem sobre todo o resto : « eu te acredito », « você fez bem em falar », « não é culpa sua ». Recebemos sem minimizar, não buscamos « relativizar », não prometemos segredo absoluto — pois proteger a criança pode exigir que se fale. Explicamos o que vem a seguir com palavras simples : a quem vamos transmitir e por quê. Essa primeira reação condiciona a confiança e a possibilidade, para a criança, de falar novamente depois. Em seguida, vem a coleta de informações factuais, e então o relato conforme o protocolo da instituição.
Deve-se organizar uma confrontação entre a vítima e o autor ?
Não. Em uma situação de violência comprovada, a mediação direta e o pedido de desculpas imediatas são desaconselhados : elas expõem novamente a vítima à relação de força que já a fragilizou e podem agravar as represálias. O desequilíbrio entre as duas crianças não é o de um conflito comum. Abordagens não culpabilizadoras, mobilizando o grupo para fazer cessar a situação sem designar um único culpado, são privilegiadas no âmbito do programa nacional pHARe. Elas são aprendidas e implementadas em equipe, com o apoio do responsável e da supervisão.
Como reagir frente ao cyberbullying sem destruir as provas ?
A regra é simples : captura, não exclua. Realize capturas de tela com data e hora, anote os pseudônimos e a plataforma, e mantenha esses elementos. Não responda ao autor e ajude o aluno a bloquear a conta em questão uma vez que as provas estejam salvas. Esses elementos são indispensáveis para um relato eficaz. Na França, o 3018 (gratuito e confidencial) apoia as vítimas de violências digitais e pode auxiliar nas démarches junto às plataformas. Informe o diretor da instituição e o responsável, que decidirão sobre os relatos oficiais conforme a gravidade.
Uma criança nega estar sendo vítima de violência enquanto seus pais estão preocupados: o que pensar ?
A negação é frequente e não invalida o alerta : vergonha, medo de represálias, receio de agravar a situação frequentemente levam a criança a minimizar. Leve a denúncia do pai a sério, respeitando o ritmo da criança. Não exija uma confissão : abra uma porta, proponha um canal discreto (responsável identificado, palavra escrita), e observe fatos concretos em equipe durante alguns dias. Agradeça ao pai e explique sua abordagem, sem prometer resultados. Se sinais de sofrimento aparecerem, encaminhe para o médico escolar ou o psicólogo.
Quando a situação ultrapassa o âmbito da gestão escolar ?
Assim que aparecem ameaças graves, comentários que evocam uma vontade de desaparecer, conteúdo de caráter sexual envolvendo um menor, ou um perigo imediato. Essas situações pertencem à proteção da infância, até mesmo ao âmbito penal. Em caso de perigo vital, contate imediatamente os serviços de emergência do seu país. Na França, o 119 (Alô Infância em Perigo) recebe os relatos de menores em perigo. Mantenha os elementos, nunca fique sozinho com a informação e transmita imediatamente à supervisão, que acionará os relatos oficiais.
Este artigo propõe referências profissionais gerais. Não substitui os protocolos da sua instituição, nem a avaliação de um profissional de saúde. Todo sinal de sofrimento psíquico de uma criança — retraimento, tristeza duradoura, comentários preocupantes, somatizações — deve ser direcionado ao médico escolar, ao enfermeiro ou ao psicólogo, únicos habilitados a avaliar e a direcionar o acompanhamento.
Prevenir e agir frente ao assédio: passe do reflexo ao método
Saber o que fazer em cada uma dessas dez situações, com as palavras certas e no momento certo, é algo que se aprende e se compartilha em equipe. A formação “Prevenir e agir frente ao assédio escolar e ao ciberassédio” reúne 20 lições, 100 % online, com acesso ilimitado. Organismo certificado Qualiopi (N° 11757351875), atestado de conclusão de formação emitido.
Descobrir a formação — 90 €Este conteúdo ajudou-o? Apoie a DYNSEO 💙
Somos uma pequena equipa de 14 pessoas sediada em Paris. Há 13 anos que criamos conteúdos gratuitos para ajudar famílias, terapeutas da fala, lares de idosos e profissionais de cuidados.
O seu feedback é a única forma que temos de saber se este trabalho lhe é útil. Uma avaliação no Google ajuda-nos a chegar a outras famílias, cuidadores e terapeutas que dela precisam.
Um único gesto, 30 segundos: deixe-nos uma avaliação no Google ⭐⭐⭐⭐⭐. Não custa nada, e muda tudo para nós.
