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Profissionais · Escola, telas & adolescência

Prevenir e agir frente ao bullying escolar e ao cyberbullying: 10 situações difíceis do dia a dia e como responder

O bullying escolar quase nunca se apresenta com um rótulo. Ele se esconde em um corredor entre duas aulas, em uma risada que sempre recai sobre o mesmo aluno, em uma notificação recebida às 22h que esvazia um rosto de suas cores na manhã seguinte. Frente a essas cenas ordinárias, a verdadeira questão dos profissionais não é teórica: é “prevenir e agir frente ao bullying, o que fazer exatamente, aqui e agora, com as palavras certas?”. Este artigo não conta os mecanismos de longe: ele descreve dez situações reais do cotidiano escolar e educativo, como elas acontecem.

  • ⏱️ 20 min de leitura
  • 👥 Para os profissionais
  • 🔄 Atualizado em agosto de 2026

Neste artigo

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Os recursos citados

Para cada um: a cena, o que acontece do lado do aluno, a reação espontânea que agrava as coisas, e depois a conduta a seguir passo a passo — com as frases exatas a dizer, a postura a adotar, e a maneira de evitar que a situação se repita. O tom é protetor para as crianças envolvidas: observa-se, recolhe-se, protege-se, e orienta-se para um profissional de saúde assim que um sinal de sofrimento aparece.

O essencial em 30 segundos

A maioria das situações de bullying que chegam a um adulto aparece disfarçada: uma dor de barriga, uma queda nas notas, um “era só para rir”. Saber o que dizer nos primeiros dez minutos é tão importante quanto o procedimento iniciado depois.

  • Criar primeiro, investigar depois — a primeira reação do adulto condiciona todo o resto.
  • Nunca confrontar a vítima e o autor nem organizar uma “mediação” em uma situação de bullying comprovado.
  • Escrever os fatos — datado, localizado, factual — e transmitir de acordo com o protocolo da instituição (na França, o programa pHARe e o 3018 para o digital).
  • O cyberbullying deve ser preservado antes de ser relatado: captura-se, não se apaga.
  • Todo sinal de sofrimento deve ser encaminhado ao médico escolar ou ao psicólogo: o adulto protege, não diagnostica.

1. Ele inventa uma razão para não ir ao recreio

10 h 05, sinal do recreio. Um aluno do 4º ano se demora, procura seu casaco que ele acabou de guardar, se oferece para ajudar a apagar o quadro. Há quinze dias, ele encontra toda manhã uma razão para ficar na sala durante os tempos livres.

O que está em jogo : o pátio do recreio é o espaço menos vigiado e o mais propício ao bullying. Uma criança que multiplica os pretextos para evitá-lo não está fazendo um capricho de organização : ela está fugindo de um lugar que se tornou perigoso aos seus olhos. A evitação é um sinal de alerta reconhecido, não um traço de caráter. Interpretada como timidez ou desinteresse, deixa a criança sozinha com seu medo.

  1. Receba o pretexto sem desmontá-lo : « Tudo bem, você pode ficar dois minutos comigo. » Você cria um tempo de segurança em vez de forçar a saída.
  2. Abra uma porta, em particular e sem interrogatório : « Notei que você prefere ficar na sala de aula pela manhã. Há algum momento do dia que você não gosta muito ? » Uma pergunta aberta, não um « estão te incomodando ? ».
  3. Observe o pátio nos dias seguintes : onde ele se posiciona, com quem, quem se aproxima, quem se afasta. Anote os fatos datados.
  4. Transmita à equipe de vida escolar e reforce a presença adulta nas áreas identificadas. A vigilância direcionada é uma medida de proteção imediata.

Evitar a repetição : estabeleça tempos de recreio supervisionados (jogos cooperativos, canto calmo) e identifique as áreas de ponto cego do pátio. Uma criança precisa saber que um adulto está vendo.

❌ A evitar : « Vai, sai para tomar ar, isso vai te fazer bem ! » — uma frase que empurra a criança sozinha para o que ela teme e a ensina que o adulto não entende.

2. As risadas sempre recaem sobre o mesmo aluno

Aula de 5º ano. Sempre que um aluno fala, uma risadinha percorre o fundo da sala, alguns olhares se trocam, um apelido surge em voz baixa. Ele baixa a cabeça e nunca mais levanta a mão. A atmosfera geral, por sua vez, parece « tranquila ».

O que está em jogo : a humilhação ritualizada. O bullying se distingue da simples zombaria por três critérios que o ministério da Educação nacional lembra : a repetição, a intenção de prejudicar e o desequilíbrio de força. Quando as risadas visam sempre a mesma pessoa, não estamos mais na brincadeira : o grupo designou um alvo e o adulto, ao não intervir, valida implicitamente a regra.

  1. Nomeie o fato, não a intenção, em voz calma e diante do grupo : « Acabei de ouvir risadas quando a Léa falou. Nesta sala, ouvimos cada um sem comentários. » Você estabelece uma regra, não acusa ninguém.
  2. Proteja o alvo sem expô-lo demais : nunca diga « parem de zombar dela », que a designa ainda mais.
  3. Converse com o aluno em particular após a aula : « Notei que é frequentemente a mesma pessoa que é alvo. Queria verificar se está tudo bem com você. »
  4. Documente : data, aula, o que foi dito e ouvido. Três ocorrências anotadas valem mais do que uma impressão.

Evitar a repetição : trabalhe o clima da sala (regras co-construídas, papéis rotativos, atividades cooperativas) em vez de sancionar uma risada isolada. É o grupo que autoriza ou proíbe.

❌ A evitar : rir de si mesmo « para desdramatizar » ou lançar um « bom, chega » geral que não compromete nada e sinaliza que o comportamento é tolerado.

3. Uma aluna lhe mostra uma mensagem recebida na noite anterior

Fim da aula. Uma aluna da 4ª série fica, estende seu telefone com uma mão que treme um pouco : uma mensagem recebida às 22h40, insultuosa, seguida de várias outras. « Não sei se é grave, só queria te mostrar. » Ela observa sua reação.

O que está em jogo : ela está te testando. Mostrar essa mensagem é um ato de coragem enorme, muitas vezes precedido de semanas de silêncio. O cyberbullying prolonga o bullying além dos muros da escola : não há mais refúgio, nem à noite nem nos fins de semana. A primeira reação do adulto decide se a aluna voltará a falar um dia — com você ou com qualquer um.

  1. Receba, não minimize : « Você fez bem em me mostrar. Eu te acredito, e não é sua culpa. » Essas três frases são a base de tudo.
  2. Conserve as provas : capture, não exclua. Faça uma captura de tela com a data, o pseudônimo, a data/hora : « Vamos guardar um registro, é importante para te proteger. »
  3. Explique os próximos passos, sem prometer segredo absoluto : « Não posso guardar isso só para mim, porque meu papel é te proteger. Vou falar com [referente] e decidimos juntos os passos. »
  4. Oriente para os recursos dedicados : na França, o 3018 (número nacional contra as violências digitais, gratuito e confidencial) e o 3020 (bullying escolar). Um relato às plataformas é possível com o apoio desses serviços.

Um ponto de atenção frequentemente negligenciado : a aluna que se confia quase nunca mostra tudo de uma vez. A mensagem que ela te entrega é um teste, a parte menos dolorosa de um conjunto mais pesado. Se sua reação for correta, o resto virá ; se decepcionar, a porta se fechará por muito tempo. Daí a importância de não comentar o conteúdo (« oh, isso é violento ») nem fazer dez perguntas seguidas : ouvimos, garantimos segurança, agradecemos, explicamos os próximos passos. O ritmo pertence à criança.

Evitar a repetição : aborde em sala de aula, antecipadamente, os reflexos digitais : não responder ao agressor, bloquear, capturar, falar com um adulto. A prevenção digital deve ser feita antes da crise, não durante.

❌ A evitar : « Você precisa excluir isso e bloquear, não pense mais nisso » — apaga as provas e manda a aluna de volta à solidão. Evite também recriminá-la por estar na rede em questão.

4. Uma foto ou um boato circula em um grupo de classe

Informam que uma foto constrangedora de um aluno, ou um boato a seu respeito, está circulando desde a manhã em um grupo de discussão da classe. Vários alunos a viram, alguns reagiram com emojis, o interessado talvez ainda não esteja ciente.

O que está em jogo : o efeito de amplificação próprio do digital. Uma humilhação que, ontem, teria permanecido em um corredor se espalha em poucos minutos por toda a classe, com « espectadores » que, ao reagirem, tornam-se atores sem sempre ter consciência disso. A divulgação de imagens sem consentimento pode configurar infrações : o assunto ultrapassa a disciplina escolar.

  1. Aja rapidamente para parar a difusão : peça, através da equipe, a interrupção dos compartilhamentos e a conservação dos elementos. « Cada pessoa que compartilha novamente agrava a situação e sua própria responsabilidade. »
  2. Proteja o aluno alvo em prioridade : avise-o com cuidado, antes que ele descubra pelo grupo, e tranquilize-o sobre o fato de que adultos estão cuidando disso.
  3. Não conduza a investigação sozinho : transmita à direção e ao responsável, que decidirão sobre os relatos (plataforma, 3018, e conforme a gravidade, as autoridades).
  4. Fale sobre o papel das testemunhas na sala de aula : « Não fazer nada é já escolher um lado. Falar com um adulto é ajudar. »

Evitar a repetição : trabalhe a noção de testemunha ativa e o direito à imagem. Um grupo que sabe que um compartilhamento deve ser relatado se regula de forma diferente.

❌ A evitar : pedir para ver e fazer circular a foto « para entender », o que a redistribui ; ou tratar o caso como um simples problema de disciplina interna quando pode envolver a lei.

5. Ninguém quer ficar com ele

Você forma duplas para um trabalho. Um aluno fica sozinho. Quando você sugere que um grupo o integre, os ombros se levantam, um « ah não, não ele » escorrega entre duas mesas. Não é a primeira vez : no esporte, na cantina, é o mesmo cenário silencioso.

O que está em jogo : a exclusão, forma relacional do assédio, a mais difícil de provar e a mais corrosiva. Não há socos nem insultos : apenas um vazio organizado em torno de uma criança. Frequentemente lida como timidez ou um « caráter difícil », deixa a vítima convencida de que o problema é ela.

  1. Retome o controle sobre os grupos em vez de deixar os alunos escolherem : forme as duplas você mesmo, com papéis precisos para cada um. Você retira do grupo o poder de excluir.
  2. Crie sucessos visíveis para o aluno excluído : confie a ele uma tarefa em que ele se destaque, valorize-a diante dos outros sem exagerar.
  3. Receba discretamente os líderes da rejeição : « Notei que [nome] frequentemente fica sozinho. Conto com você para que isso mude. » Você responsabiliza sem humilhar.
  4. Verifique o estado da criança excluída e, ao menor sinal de sofrimento (retraimento, tristeza duradoura, comentários depreciativos), encaminhe para o psicólogo da Educação nacional ou o médico escolar.

Evitar a repetição : varie regularmente os grupos, valorize a cooperação em vez da competição, e identifique cedo as dinâmicas de exclusão. Ferramentas como o sistema de gamificação escolar podem ajudar a recompensar a ajuda mútua.

❌ A evitar : « Bom, você fica sozinho então » — uma frase que confirma a exclusão ; ou forçar um grupo a « aceitar » o aluno, o que alimenta a rejeição.

Esses dez minutos que mudam tudo, isso se aprende

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6. « Era só uma brincadeira », diz quem assedia

Você recebe o aluno cujos comportamentos são problemáticos. Antes mesmo da sua primeira pergunta, ele desarma: « Mas era só uma brincadeira, todo mundo faz isso, ele leva a mal, só isso. » O tom é seguro, quase irritado por estar ali.

O que está em jogo: a banalização, mecanismo central do assédio. « Era só uma brincadeira » desloca a responsabilidade para a vítima (« ele leva a mal ») e dilui a culpa no grupo (« todo mundo faz isso »). O autor nem sempre é uma criança « má »: muitas vezes, ele não mediu o efeito ou reproduziu uma dinâmica de grupo. O papel do adulto não é demonizá-lo, mas redirecionar sem destruir.

  1. Distinguir o fato da pessoa: « Eu não estou dizendo que você é mau. Estou dizendo que o que você fez feriu alguém, e isso precisa parar. »
  2. Recentrar no efeito, não na intenção: « Uma piada é quando todos riem. Aqui, apenas uma pessoa ri e outra chora. Isso não é mais uma piada. »
  3. Estabelecer um quadro claro e uma sequência: reforce a regra, a consequência prevista pela instituição e o que você espera concretamente a partir de agora.
  4. Nunca confronte o autor e a vítima: nada de « peça desculpas na frente dela », nada de mediação cara a cara em um assédio comprovado. Isso expõe novamente a vítima à relação de força.

Evitar a repetição: existem abordagens de grupo não culpabilizadoras (recomendadas no âmbito do programa pHARe): elas mobilizam o entorno para fazer a situação cessar sem buscar um culpado único. Elas são aprendidas e implementadas em equipe.

❌ A evitar: humilhar o autor em retorno ou exigir que ele peça desculpas imediatamente à vítima, o que alivia o adulto, mas agrava a posição da criança assediada.

7. Um pai alerta, a criança nega tudo

Uma mãe liga para você: seu filho chora à noite, não quer mais ir à escola, ela tem certeza de que « algo está acontecendo ». Você recebe o aluno: ele olha para os sapatos e repete « não, está tudo bem, minha mãe se preocupa à toa ».

O que está em jogo: a lei do silêncio. Uma criança assediada frequentemente nega, por vergonha, medo de represálias ou receio de que « isso piore » se um adulto se envolver de forma desajeitada. A negação não invalida o alerta do pai: às vezes, ela o confirma. É preciso manter as duas verdades: levar o pai a sério e respeitar o ritmo da criança.

  1. Não busque a confissão: não insista para « fazer confessar ». Abra uma porta: « Você não é obrigado a me contar hoje. Apenas saiba que minha porta está aberta e que o que você me disser, vamos resolver juntos, nunca contra você. »
  2. Dê um canal discreto: uma palavra sussurrada, um referencial identificado, um endereço para escrever. Algumas crianças falam por escrito antes de falar cara a cara.
  3. Acompanhe o pai: agradeça-o, explique o que você vai observar, sem prometer resultados ou concluir muito rápido. « Você fez bem em ligar. Vamos ficar atentos e conversamos de novo. »
  4. Observe e cruze os olhares da equipe sobre fatos concretos durante alguns dias e transmita conforme o protocolo.

Evitar a repetição : informe as famílias sobre os canais de alerta e o responsável por assédio da instituição. Um pai que sabe a quem falar alerta mais cedo.

❌ A evitar : « Ele diz que está tudo bem, então não há nada » — concluir a partir da negação. Evite também convocar a criança diante de vários adultos, o que trava sua fala.

8. Suas notas caem, ele tem dor de barriga toda manhã

Um aluno até então estudioso vê seus resultados desmoronarem em poucas semanas. A enfermaria o recebe várias vezes por dores de barriga, sempre pela manhã, sem causa encontrada. Ele falta cada vez mais. Em sala de aula, parece estar em outro lugar.

O que está em jogo : a somatização e a evasão, sinais indiretos frequentes do assédio. O sofrimento psicológico se expressa no corpo e nos aprendizados antes de se expressar em palavras. Esses sinais não provam por si só um assédio — podem ter muitas outras causas — mas impõem abrir a questão e, sobretudo, não diagnosticar nada por conta própria.

  1. Relacione as observações entre professores, vida escolar e enfermaria : é a interseção dos sinais, não um sinal isolado, que alerta.
  2. Abra a fala sem rotular : « Tenho a impressão de que algo está mais difícil neste momento. Não vou te forçar a falar, mas estou aqui. »
  3. Oriente para os profissionais de saúde : médico escolar, enfermeiro, psicólogo da Educação nacional. Todo sinal de sofrimento é da competência deles, não do professor, para avaliação e acompanhamento.
  4. Adapte o cotidiano escolar durante esse tempo : aliviar a pressão sobre as avaliações, garantir trajetos e momentos temidos.

Um ponto de referência útil para a equipe : nunca é um sinal isolado que deve alertar, mas um conjunto. Uma única nota ruim não diz nada ; uma queda geral acompanhada de faltas específicas, de idas repetidas à enfermaria e de um afastamento social desenha um quadro que deve ser levado a sério. É precisamente por isso que as transmissões escritas, factuais e compartilhadas são tão importantes : cada adulto vê apenas um fragmento, e somente a interseção das observações permite ler a situação sem superinterpretação ou deixar passar.

Evitar a repetição : apoie os aprendizados e a organização para limitar a espiral de fracasso (por exemplo, com um planejador de tarefas semanal), e trabalhe a gestão das emoções. Para os mais jovens, o aplicativo COCO oferece jogos de estimulação cognitiva e rotinas de bem-estar adaptadas para 5-10 anos.

❌ A evitar : « Você precisa se recompor, pode fazer melhor » — sancionar a queda de resultados sem buscar a causa, o que adiciona pressão à angústia.

9. Um conteúdo grave chega até você fora do horário escolar

Em uma noite de domingo, um aluno ou um pai lhe envia mensagens particularmente violentas : ameaças, comentários que mencionam vontade de desaparecer, conteúdo de natureza sexual envolvendo um menor. Você está em casa, sem o apoio imediato da instituição.

O que está em jogo : a transgressão de um limiar de gravidade. Alguns conteúdos não se referem mais apenas à gestão educacional, mas à proteção da infância, ou até mesmo ao penal. O reflexo esperado não é agir sozinho, mas orientar sem demora para os dispositivos previstos, enquanto mantém um registro do que foi transmitido a você.

  1. Leve a sério qualquer comentário que mencione um perigo vital. Em caso de perigo imediato, contate os serviços de emergência do seu país sem esperar.
  2. Direcione para os números dedicados : em Portugal, o 3018 para violências digitais, o 119 (Alô Criança em Perigo) em caso de menor em perigo, o 3020 para o bullying escolar.
  3. Conserve os elementos recebidos (capturas com data e hora) e transmita-os assim que possível ao diretor da instituição e ao responsável, que iniciarão os relatórios oficiais.
  4. Não fique sozinho com a informação : um conteúdo grave exige compartilhar a responsabilidade, nunca carregá-la sozinho.

Evitar a repetição : certifique-se de que cada adulto da instituição conhece a cadeia de alerta e os números a serem discados, inclusive fora do horário escolar. O procedimento só é útil se for conhecido antes de ser necessário.

❌ A evitar : responder ao autor, prometer segredo à criança sobre um conteúdo que coloca sua segurança em risco, ou esperar até segunda-feira « para não incomodar ».

10. Uma testemunha quer falar, mas se recusa a "denunciar"

Uma aluna se aproxima de você, envergonhada : « Posso te contar uma coisa, mas não pode dizer que fui eu, senão eles vão me atacar também. » Ela viu, ela sabe, mas o medo de represálias a impede de avançar.

O que está em jogo : o papel decisivo das testemunhas. O bullying só se sustenta pelo silêncio daqueles que veem. Uma testemunha que fala é um recurso valioso — e uma criança a ser protegida em troca. A forma como você acolhe esse momento determina se outros, amanhã, também se atreverão.

  1. Valorize o gesto : « O que você está fazendo é corajoso, e é exatamente o que deve ser feito. Não é denunciar, é proteger alguém. »
  2. Seja honesto sobre a confidencialidade : « Farei tudo para te proteger e não te expor. Vamos pensar juntos em como agir sem que isso recaia sobre você. » Não prometa o impossível.
  3. Reúna os fatos : o que, onde, quando, quem — sem transformar a criança em investigadora ou pedir que fique de olho.
  4. Transmita conforme o protocolo, protegendo a fonte, e dê um retorno à testemunha sobre o fato de que sua palavra foi útil.

Evitar a repetição : instale uma cultura de testemunha ativa — distinguir « relatar » de « proteger » — e canais de denúncia discretos. Os ferramentas de regulação emocional para adolescentes também ajudam a colocar palavras nessas situações.

❌ A evitar : « Você precisa me dar os nomes na frente de todo mundo » ou tratar a testemunha como um simples informante ; é a melhor maneira de silenciar qualquer palavra futura.

Prevenir e agir diante do bullying, o que fazer: o quadro resumo

Cada situação exige um reflexo e uma armadilha a evitar. Este quadro resume a conduta a ser adotada ; não substitui o protocolo da sua instituição, mas facilita sua aplicação no momento em que a cena ocorre.

Situação✅ O reflexo a ter❌ A evitar
Evita o recreioCriar um tempo de segurança, abrir a fala em privado, direcionar a supervisãoMandá-lo sozinho « tomar ar »
Risos sobre o mesmo alunoEstabelecer a regra diante do grupo, documentar, retomar em privadoRir ou lançar um « chega » vago
Mensagem recebida mostradaAcreditar, capturar sem apagar, direcionar para o 3018« Apague e não pense mais nisso »
Foto/ruma que circulaParar a difusão, proteger a vítima, relatarPedir para ver e fazer circular a foto
Ninguém o querRetomar o controle sobre os grupos, criar sucessos« Você está se isolando então »
« Era só para brincar »Separar o fato da pessoa, reorientar sobre o efeitoHumilhar ou impor desculpas imediatas
Pai alerta, criança negaAbrir uma porta, respeitar o ritmo, levar o pai a sérioConcluir « não há nada » a partir da negação
Notas em queda, dores de barrigaCruzamento de sinais, direcionar para a saúde escolarSanctionar a queda de resultados
Conteúdo grave fora do horário escolarNúmeros dedicados, conservar, não ficar sozinhoEsperar até segunda-feira, prometer um segredo perigoso
Testemunha que hesitaValorizar, proteger a fonte, transmitirExigir nomes em público
⚠️ O princípio que prevalece sobre toda análise

Diante de comentários que evocam uma vontade de desaparecer, um gesto autoagressivo, uma ameaça de morte ou um conteúdo que implique um perigo imediato, aplica-se sem demora o procedimento de emergência e contata-se os serviços de emergência do seu país. Nenhuma análise de situação, nenhuma discrição, nenhuma espera « para não dramatizar » prevalece sobre a segurança imediata de uma criança.

ℹ️ Quadro de referência na França

A violência escolar é objeto de um programa nacional de prevenção (pHARe) nas escolas e colégios, e a violência escolar constitui um delito desde a lei de 2 de março de 2022. Os recursos de ajuda reconhecidos são o 3020 (violência escolar) e o 3018 (violências digitais e cyberbullying). Consulte sempre o protocolo e o responsável da sua instituição.

Para ir mais longe

Este artigo se concentra nas cenas do cotidiano. Para aprofundar a compreensão dos mecanismos, a implementação da prevenção e a postura da equipe, os outros aspectos da série trazem um esclarecimento complementar.

No que diz respeito a recursos diretamente mobilizáveis, o catálogo de ferramentas gratuitas DYNSEO propõe, entre outras coisas, uma ficha de reestruturação cognitiva da ansiedade e uma caixa de ferramentas de regulação emocional úteis para adolescentes. Para avaliar e apoiar as funções cognitivas dos alunos fragilizados, os testes cognitivos e o aplicativo JOE (adultos e saúde mental) completam a paleta, ao lado de COCO para os mais jovens.

Perguntas frequentes

O que fazer nos primeiros minutos quando um aluno se confia ?

Três mensagens prevalecem sobre todo o resto : « eu te acredito », « você fez bem em falar », « não é culpa sua ». Recebemos sem minimizar, não buscamos « relativizar », não prometemos segredo absoluto — pois proteger a criança pode exigir que se fale. Explicamos o que vem a seguir com palavras simples : a quem vamos transmitir e por quê. Essa primeira reação condiciona a confiança e a possibilidade, para a criança, de falar novamente depois. Em seguida, vem a coleta de informações factuais, e então o relato conforme o protocolo da instituição.

Deve-se organizar uma confrontação entre a vítima e o autor ?

Não. Em uma situação de violência comprovada, a mediação direta e o pedido de desculpas imediatas são desaconselhados : elas expõem novamente a vítima à relação de força que já a fragilizou e podem agravar as represálias. O desequilíbrio entre as duas crianças não é o de um conflito comum. Abordagens não culpabilizadoras, mobilizando o grupo para fazer cessar a situação sem designar um único culpado, são privilegiadas no âmbito do programa nacional pHARe. Elas são aprendidas e implementadas em equipe, com o apoio do responsável e da supervisão.

Como reagir frente ao cyberbullying sem destruir as provas ?

A regra é simples : captura, não exclua. Realize capturas de tela com data e hora, anote os pseudônimos e a plataforma, e mantenha esses elementos. Não responda ao autor e ajude o aluno a bloquear a conta em questão uma vez que as provas estejam salvas. Esses elementos são indispensáveis para um relato eficaz. Na França, o 3018 (gratuito e confidencial) apoia as vítimas de violências digitais e pode auxiliar nas démarches junto às plataformas. Informe o diretor da instituição e o responsável, que decidirão sobre os relatos oficiais conforme a gravidade.

Uma criança nega estar sendo vítima de violência enquanto seus pais estão preocupados: o que pensar ?

A negação é frequente e não invalida o alerta : vergonha, medo de represálias, receio de agravar a situação frequentemente levam a criança a minimizar. Leve a denúncia do pai a sério, respeitando o ritmo da criança. Não exija uma confissão : abra uma porta, proponha um canal discreto (responsável identificado, palavra escrita), e observe fatos concretos em equipe durante alguns dias. Agradeça ao pai e explique sua abordagem, sem prometer resultados. Se sinais de sofrimento aparecerem, encaminhe para o médico escolar ou o psicólogo.

Quando a situação ultrapassa o âmbito da gestão escolar ?

Assim que aparecem ameaças graves, comentários que evocam uma vontade de desaparecer, conteúdo de caráter sexual envolvendo um menor, ou um perigo imediato. Essas situações pertencem à proteção da infância, até mesmo ao âmbito penal. Em caso de perigo vital, contate imediatamente os serviços de emergência do seu país. Na França, o 119 (Alô Infância em Perigo) recebe os relatos de menores em perigo. Mantenha os elementos, nunca fique sozinho com a informação e transmita imediatamente à supervisão, que acionará os relatos oficiais.

ℹ️ Informação e não aviso médico

Este artigo propõe referências profissionais gerais. Não substitui os protocolos da sua instituição, nem a avaliação de um profissional de saúde. Todo sinal de sofrimento psíquico de uma criança — retraimento, tristeza duradoura, comentários preocupantes, somatizações — deve ser direcionado ao médico escolar, ao enfermeiro ou ao psicólogo, únicos habilitados a avaliar e a direcionar o acompanhamento.

Prevenir e agir frente ao assédio: passe do reflexo ao método

Saber o que fazer em cada uma dessas dez situações, com as palavras certas e no momento certo, é algo que se aprende e se compartilha em equipe. A formação “Prevenir e agir frente ao assédio escolar e ao ciberassédio” reúne 20 lições, 100 % online, com acesso ilimitado. Organismo certificado Qualiopi (N° 11757351875), atestado de conclusão de formação emitido.

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