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💡 Deficiência invisível · Doença crônica · Acompanhamento · Gestão

Doença crônica no trabalho: como acompanhar um colaborador sem ser intrusivo

Diabetes, esclerose múltipla, doença de Crohn, endometriose, câncer, patologias cardíacas… As doenças crônicas afetam uma parte crescente dos ativos, muitas vezes de forma invisível. Como um gerente pode apoiar um colaborador afetado — sem nunca ultrapassar a fronteira da intrusão? Guia concreto para gerentes e RH.

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Nos últimos meses, uma colaboradora normalmente irrepreensível parece diferente: mais cansada, às vezes ausente, menos disponível no final do dia. Seus resultados continuam bons, mas você sente que ela "morde os lábios". Você não sabe — ou sabe, sem saber o que fazer — que ela vive com uma doença crônica. De um lado, você quer ajudar; do outro, teme ser desajeitado, indiscreto, "meter os pés pelas mãos" ou, inversamente, superprotegê-la. Esse é todo o dilema do gerente diante da doença crônica: como apoiar sem invadir, adaptar sem infantilizar, estar presente sem ser intrusivo? As doenças crônicas afetam uma parte importante e crescente da população ativa, e a maioria é invisível: nada se vê, mas muitas vezes elas vêm acompanhadas de uma fadiga significativa, sintomas flutuantes e uma carga mental considerável. Bem acompanhada, uma pessoa com uma doença crônica pode continuar a trabalhar e a se desenvolver profissionalmente; mal acompanhada, ela se esgota, se desmotiva, se ausenta mais, e a empresa às vezes acaba perdendo um talento precioso. Este guia propõe referências concretas para acompanhar um colaborador com uma doença crônica com absoluto respeito à sua vida privada: compreender a realidade dessas doenças no trabalho, encontrar a postura correta, implementar adaptações adequadas e se apoiar no quadro legal e nos bons recursos. Um princípio fundamental orienta toda a abordagem: o papel do gerente não é médico nem intrusivo — é acolher, adaptar e apoiar, nunca diagnosticar, investigar ou tratar.

1. A doença crônica no trabalho: uma realidade invisível e frequente

1.1 Do que estamos falando?

Uma doença crônica é uma condição de longa duração, evolutiva, que acompanha a pessoa por anos, ou até toda a sua vida. O campo é muito amplo: diabetes, esclerose múltipla, doença de Crohn e doenças inflamatórias do intestino, endometriose, fibromialgia, artrite reumatoide, patologias cardíacas ou renais, insuficiência respiratória, sequelas ou tratamentos de câncer, HIV, e muitos outros. Essas doenças afetam uma parte importante e crescente da população ativa — da ordem de várias dezenas de por cento dos adultos, de acordo com as definições adotadas — e sua frequência aumenta com a extensão das carreiras. Cada empresa conta, portanto, muitas vezes sem saber, com numerosos colaboradores afetados.

O ponto comum da maioria dessas doenças no trabalho: elas são invisíveis. Nada se vê à primeira vista, o que expõe paradoxalmente o colaborador a mais incompreensão do que a deficiência visível. Muitas pessoas, aliás, escolhem não falar sobre isso, por medo de julgamento, de serem afastadas ou de um obstáculo em suas carreiras — ao custo de um esforço de compensação e de uma carga mental considerável. Compreender essa realidade é o primeiro passo para um acompanhamento justo, e é precisamente isso que a formação DYNSEO "Deficiência invisível: o que o gerente deve saber" trabalha.

1.2 Fadiga, flutuações, imprevisibilidade: as especificidades a compreender

Três características tornam as doenças crônicas particularmente delicadas no mundo do trabalho. A primeira é a fadiga: uma fadiga muitas vezes intensa, persistente, sem relação com o esforço realizado, e que o descanso nem sempre alivia. Essa fadiga é o sintoma mais frequente e mais incapacitante de muitas doenças crônicas — e o mais incompreendido, por ser invisível. A segunda é a flutuação: o estado de saúde varia, às vezes de um dia para o outro, entre períodos em que tudo vai bem e períodos de "crise" ou "exacerbação". Um colaborador pode, assim, ser plenamente produtivo em um dia e muito debilitado no dia seguinte, sem que isso signifique o menor relaxamento.

A terceira é a imprevisibilidade: as crises, os efeitos colaterais dos tratamentos ou as consultas médicas nem sempre podem ser planejadas. Essa incerteza gera um estresse adicional e complica a organização. Compreender essas três dimensões muda radicalmente a visão do gerente: ele não vê mais "alguém irregular ou pouco confiável", mas um profissional competente que lida com uma restrição de saúde flutuante. É essa mudança de perspectiva que torna possível um acompanhamento adequado em vez de um julgamento injusto.

~80 %
das situações de deficiência são invisíveis — as doenças crônicas constituem uma grande parte
fadiga
sintoma mais frequente e mais incapacitante, muitas vezes incompreendido por ser invisível
flutuante
um estado de saúde variável de um dia para o outro, sem relação com a motivação do colaborador
manutenção
bem acompanhada, uma pessoa com uma doença crônica pode continuar a se desenvolver no trabalho

2. O desafio do gerente: acompanhar sem ser intrusivo

2.1 A fronteira que nunca deve ser ultrapassada

O cerne da questão reside em uma tensão: querer ajudar enquanto respeita a intimidade do colaborador. A regra fundamental é que a saúde diz respeito à vida privada, e que a decisão de falar sobre isso — com quem, quando, até onde — pertence exclusivamente à pessoa envolvida. O gerente não precisa conhecer o diagnóstico, não deve fazer perguntas médicas e não deve investigar o estado de saúde de um colaborador. O que importa para ele não são os detalhes da doença, mas as eventuais necessidades de adaptação — e estas são formalizadas pelo médico do trabalho, o único habilitado a receber as informações médicas e a formular recomendações.

Essa fronteira não é apenas uma questão de ética ou tato: é uma obrigação jurídica. As informações relativas à saúde são dados particularmente protegidos, e qualquer discriminação baseada no estado de saúde ou na deficiência é proibida. O gerente que ignora isso corre o risco, com as melhores intenções, de cometer uma gafe dolorosa — ou até mesmo uma falta. Acompanhar sem ser intrusivo, portanto, é aprender a apoiar a partir das necessidades expressas, sem nunca buscar saber mais do que o colaborador escolhe compartilhar.

⚖️ O princípio cardinal: você não precisa conhecer a doença para acompanhar bem. Você precisa conhecer as necessidades de adaptação — e estas dizem respeito ao colaborador e ao médico do trabalho. A boa pergunta nunca é «o que você tem?», mas «do que você precisa para trabalhar bem?».

2.2 Criar um clima de confiança

Se o gerente nunca deve forçar a confiança, ele tem, por outro lado, um papel decisivo: criar um clima suficientemente seguro para que o colaborador se sinta livre para expressar suas necessidades, se desejar. Muitas pessoas com doenças crônicas se calam não por escolha, mas por medo das consequências. Um gerente que, de forma geral, valoriza a inclusão, se mostra atento, respeita a confidencialidade e reage com precisão envia um sinal poderoso: «aqui, podemos falar sobre nossas necessidades sem risco». Esse clima de confiança é frequentemente o que desbloqueia a possibilidade de uma adaptação — e, portanto, da manutenção no emprego.

Concretamente, isso passa por uma postura de abertura («se você precisar de ajustes, minha porta está aberta»), pelo respeito absoluto ao que é confiado, e por uma reação adequada no dia em que um colaborador decide compartilhar sua situação. Esse momento é delicado: a forma como o gerente responde determina amplamente o que vem a seguir. É uma das habilidades-chave desenvolvidas na formação «Deficiência invisível: o que o gerente deve saber».

3. As adaptações concretas: apoiar no dia a dia

Uma vez que a necessidade é expressa, adaptações muitas vezes simples permitem conciliar doença crônica e vida profissional. Elas visam um objetivo claro: reduzir as restrições evitáveis (notavelmente a fadiga) sem diminuir o nível de exigência nem infantilizar o colaborador. Aqui estão os principais alavancadores.

😴
Gerenciar a fadiga

Adaptar a carga e o ritmo, permitir pausas, evitar dias muito longos seguidos, e priorizar as tarefas nos momentos de energia. A fadiga sendo o sintoma central, é frequentemente a adaptação mais útil.

✓ Carga e ritmo adequados
🕐
Flexibilizar os horários

Horários flexíveis permitem lidar com os tratamentos, os picos de fadiga e os dias difíceis, e facilitam as consultas médicas sem estresse.

✓ Flexibilidade de horário
🏠
Facilitar o trabalho remoto

O trabalho à distância, total ou parcial, reduz a fadiga dos deslocamentos, oferece um ambiente controlado e permite trabalhar mesmo em dias em que se deslocar seria difícil.

✓ Trabalho remoto conforme as necessidades
🩺
Facilitar o acompanhamento médico

Autorizar sem dificuldade as ausências para consultas e exames, e antecipar sua imprevisibilidade, evita que o colaborador tenha que escolher entre sua saúde e seu trabalho.

✓ Consultas médicas facilitadas
🪑
Adaptar o posto físico

De acordo com a doença: material ergonômico, assento adequado, proximidade das comodidades, acesso facilitado, espaço de descanso. O médico do trabalho recomenda as adaptações pertinentes.

✓ Posto ergonômico adaptado
📈
Recorrer ao meio tempo terapêutico

O tempo parcial terapêutico permite uma retomada ou uma manutenção progressiva da atividade, prescrito pelo médico. Uma ferramenta preciosa após um período difícil ou durante uma fase ativa da doença.

✓ Retomada progressiva possível

💡 A imprevisibilidade deve ser antecipada: uma vez que as crises e os dias ruins não podem ser planejados, é melhor prever com antecedência, com o colaborador, o que fazer em caso de um dia difícil (mudar para o trabalho remoto, adiar um prazo, dividir uma tarefa). Concordar com esses "planos B" a frio, quando tudo está bem, evita a improvisação estressante no dia que chegar — e tranquiliza duradouramente o colaborador.

Formação Deficiência invisível: o que o gerente deve saber — DYNSEO
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Deficiência invisível: o que o gerente deve saber

Destinada a gerentes, RH, diretores, missão de deficiência e supervisores, esta formação online fornece os pontos essenciais sobre a deficiência invisível e as doenças crônicas: entender as grandes famílias de situações, respeitar a vida privada e a escolha de divulgação, reagir com precisão, implementar ajustes e criar um clima de confiança sem estigmatizar. Ela se integra ao catálogo B2B da empresa DYNSEO dedicado à neurodiversidade e à inclusão, e é realizada de forma intra ou inter-empresa, com licenças multi-colaboradores disponíveis através do OPCO e do plano de desenvolvimento de competências.

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4. A postura correta: o que machuca, o que ajuda

Além dos ajustes, muitas vezes é a atitude diária do gerente que faz a diferença. A tabela comparativa abaixo confronta os reflexos desajeitados — mesmo bem-intencionados — com as práticas que realmente apoiam.

❌ O que machuca
Fazer perguntas sobre a doença

“O que você tem exatamente?”, “É grave?”, “Você vai se curar?”: essas perguntas, mesmo bem-intencionadas, são intrusivas e colocam o colaborador na posição de ter que se justificar.

✅ O que ajuda
Focar nas necessidades

“Do que você precisa para trabalhar bem?”, “Há ajustes que te ajudariam?”: essas perguntas abrem o diálogo sem intrusão e respeitam a vida privada.

❌ O que machuca
Superproteger ou infantilizar

Retirar automaticamente missões valorizantes, decidir pelo colaborador “para poupá-lo”: isso o exclui, o desvaloriza e lhe dá a sensação de ser reduzido à sua doença.

✅ O que ajuda
Co-construir os ajustes

Decidir juntos sobre os ajustes, permitindo que o colaborador seja protagonista do que lhe diz respeito, preserva sua autonomia, dignidade e compromisso.

❌ O que machuca
Dúvidar da realidade das dificuldades

“Mas você parecia bem ontem…”: duvidar de uma fadiga ou de uma flutuação invisível nega a realidade da doença e alimenta a culpa.

✅ O que ajuda
Confiar e se adaptar

Aceitar que o estado varia sem precisar "provar" e ajustar-se de acordo, demonstra uma confiança que alivia e fideliza.

🤝 A equidade não é a uniformidade

Adaptar as condições de trabalho de um colaborador com uma doença crônica não é um privilégio injusto: é uma boa gestão, que visa permitir que ele dê o melhor de si, apesar de uma limitação de saúde. Fazer a equipe entender essa distinção — sem nunca divulgar a situação da pessoa em questão — desarma o sentimento de injustiça e instala uma cultura inclusiva. Essa é uma das mensagens-chave trazidas pelo catálogo de neurodiversidade e inclusão da DYNSEO.

5. O quadro legal e os bons apoios

Acompanhar um colaborador com uma doença crônica se insere em um quadro jurídico protetor. A lei de 11 de fevereiro de 2005 estabelece a não-discriminação e a adaptação razoável; uma doença crônica pode, aliás, abrir direito à RQTH (via MDPH/CDAPH), um processo voluntário e confidencial. O médico do trabalho desempenha um papel central: é o único habilitado a conhecer o aspecto médico, formula as recomendações de adaptação e pode propor um meio-período terapêutico. A OETH (6% para empresas com pelo menos 20 funcionários, via DOETH) e os fundos AGEFIPH/FIPHFP apoiam o emprego e a adaptação. Nas empresas com pelo menos 250 funcionários, o referente de deficiência é um apoio valioso.

Referência / apoioO que ele traz
Lei de 11 de fevereiro de 2005Não-discriminação e princípio de adaptação razoável
RQTH (MDPH / CDAPH)Processo voluntário e confidencial que abre direitos e financiamentos
Médico do trabalhoÚnico habilitado na área médica; recomenda as adaptações, propõe o meio-período terapêutico
Meio-período terapêuticoRetorno ou manutenção progressiva da atividade, sob prescrição
OETH — 6 % / DOETHQuadro do emprego de trabalhadores com deficiência; o funcionário RQTH é contabilizado
AGEFIPH / FIPHFP · Referente de deficiênciaCofinanciamento das adaptações; coordenação e apoio (ref. deficiência ≥ 250 funcionários)

🩺 O médico do trabalho, aliado central: diante de uma situação de doença crônica, orientar (sem impor) para uma visita com a medicina do trabalho é muitas vezes a melhor abordagem. É ela que, a partir de elementos cobertos pelo segredo médico, formula recomendações de adaptação que podem ser transmitidas ao empregador — sem que o gerente precise conhecer os detalhes da patologia. Além da conformidade, a inclusão nutre a marca empregadora e se insere na estratégia RSE e ESG.

6. Os recursos DYNSEO para acompanhar

6.1 Ferramentas práticas

A DYNSEO oferece ferramentas concretas para equipar gerentes e RH no acompanhamento de colaboradores em situação de deficiência invisível ou de doença crônica.

🗣️ Guia da entrevista inclusiva

Um modelo para abordar as necessidades de um colaborador com precisão, centrado na adaptação e não na doença.

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✅ Checklist de adaptação de posto

Para não esquecer nenhuma adaptação útil (carga, horários, teletrabalho, posto, acompanhamento médico).

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🔄 Guia « planos B » dia difícil

Para antecipar a frio o que acontece durante uma crise ou um dia ruim, e evitar a improvisação estressante.

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📋 Modelo de plano de acompanhamento RQTH

Uma estrutura para formalizar as adaptações, os apoios envolvidos e os pontos de acompanhamento ao longo do tempo.

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📊 Auto-diagnóstico inclusão equipe

Para avaliar a maturidade inclusiva da equipe e identificar os alavancadores de melhoria.

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Ver todos os ferramentas DYNSEO · Descobrir os testes cognitivos

6.2 As aplicações DYNSEO em apoio

As aplicações DYNSEO nunca substituem um acompanhamento médico, mas podem constituir um apoio complementar em certas situações encontradas no trabalho.

🧠 FERNANDO — Adultos

Estimulação cognitiva para adultos, útil em apoio especialmente quando a fadiga ou os tratamentos afetam a atenção.

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👵 CARMEN — Idosos

Acompanhamento e estimulação para os idosos, pertinente nas ações de manutenção no emprego.

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🧒 COCO — Crianças 5–10 anos

Estimulação cognitiva lúdica para crianças — útil para os colaboradores-pais envolvidos.

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💬 MEU DICIONÁRIO — Comunicação

Aplicação de comunicação aumentada, útil em caso de distúrbios de comunicação associados.

Saiba mais →

7. Ir mais longe: o catálogo neurodiversidade & inclusão DYNSEO

A doença crônica é uma das facetas da deficiência invisível. Para construir uma política de inclusão coerente e equipar suas equipes de forma duradoura, a DYNSEO propõe um catálogo completo de formações B2B certificantes, que podem ser implementadas internamente ou entre empresas.

Ver o catálogo completo das formações DYNSEO

🎯 Acompanhe sem nunca ultrapassar a fronteira da intrusão

Apoiar um colaborador com uma doença crônica respeitando sua vida privada, isso se aprende. Treine seus gerentes e seus RH para entender, dialogar e adaptar sem estigmatizar — uma formação certificante Qualiopi, 100% online, implementável internamente ou entre empresas via seu OPCO.

❓ FAQ — Acompanhar um colaborador com uma doença crônica

1. Tenho o direito de perguntar a um colaborador de que doença ele sofre?

Não. A saúde é uma questão privada, e as informações médicas são dados particularmente protegidos. Um gerente não deve conhecer o diagnóstico, não deve fazer perguntas médicas e não pode investigar o estado de saúde de um colaborador — isso seria tanto intrusivo quanto juridicamente arriscado (a discriminação com base no estado de saúde é proibida). O que você precisa para acompanhar bem não são os detalhes da doença, mas as necessidades de adaptação, formalizadas pelo médico do trabalho. A boa pergunta nunca é “o que você tem?” mas “do que você precisa para trabalhar bem?”. Se um colaborador escolhe compartilhar sua situação, é uma iniciativa dele, e isso nunca deve jogar contra ele.

2. Como ajudar um colaborador que não quer falar sobre sua doença?

Respeitando absolutamente sua escolha enquanto cria um clima de confiança. Muitas pessoas com doenças crônicas se calam por medo do julgamento ou de um obstáculo em suas carreiras. Você não pode — e não deve — forçar a confidência. Por outro lado, você pode enviar sinais de abertura: valorizar a inclusão de forma geral, mostrar pela sua atitude que os pedidos de ajuste são bem-vindos e respeitados, e garantir a confidencialidade. Você também pode lembrar a toda a equipe da existência de recursos (medicina do trabalho, referência de deficiência, RH). Muitas vezes, é esse clima de segurança que, com o tempo, permite ao colaborador expressar suas necessidades — sem que ele tenha sido pressionado.

3. Quais adaptações implementar para uma doença crônica?

As adaptações mais úteis visam a fadiga, sintoma central de muitas doenças crônicas: adaptação da carga e do ritmo, pausas, priorização das tarefas nos momentos de energia. Acrescentam-se horários flexíveis (para lidar com os tratamentos e os dias ruins), o teletrabalho total ou parcial (que reduz a fadiga das viagens e oferece um ambiente controlado), a facilitação de consultas médicas, a adaptação do posto físico conforme as necessidades (material ergonômico, espaço de descanso, acesso facilitado), e eventualmente um meio período terapêutico para uma retomada ou manutenção gradual. O princípio: reduzir as restrições evitáveis sem diminuir o nível de exigência nem infantilizar. O médico do trabalho recomenda as adaptações pertinentes a cada situação.

4. Como lidar com a imprevisibilidade das crises e dos dias ruins?

Antecipando-a a frio, quando tudo vai bem, em vez de improvisar na urgência. Como as crises, os efeitos colaterais dos tratamentos ou os dias de grande fadiga não podem ser planejados, é valioso concordar antecipadamente, com o colaborador, sobre “planos B”: mudar para teletrabalho em um dia ruim, adiar um prazo, redistribuir temporariamente uma tarefa, prever um par em arquivos críticos. Essas soluções preparadas com antecedência evitam o estresse da improvisação no dia, tranquilizam duradouramente o colaborador e também garantem a atividade da equipe. É uma maneira concreta de transformar a imprevisibilidade, fonte de angústia, em uma restrição gerida serenamente.

5. O que é o meio período terapêutico?

O tempo parcial terapêutico (frequentemente chamado de meio período terapêutico) é um dispositivo que permite a um funcionário retomar ou continuar sua atividade em meio período por razões médicas, sob prescrição do médico. É particularmente útil após um período de afastamento ou durante uma fase ativa da doença: permite uma retomada gradual, adaptada ao estado de saúde, em vez de um retorno brusco em tempo integral. É o médico do trabalho, em ligação com o médico assistente e a Previdência Social, que define as modalidades. Para o gerente, o essencial é facilitar esse dispositivo e adaptar a organização em consequência, sem vivê-lo como uma restrição: uma manutenção gradual no emprego vale infinitamente mais do que uma saída ou uma recaída relacionada a uma retomada muito rápida.

6. Como reagir quando um colaborador me informa sobre sua doença?

Esse momento é delicado e a forma de responder determina amplamente o que vem a seguir. Alguns princípios: acolher com benevolência e sem dramatizar, agradecer pela confiança sem ser intrusivo, não fazer perguntas médicas e reorientar a conversa para as necessidades concretas (“o que posso fazer para te apoiar da melhor forma?”). É essencial garantir a confidencialidade (“nada será compartilhado sem sua autorização”) e apresentar os recursos disponíveis (medicina do trabalho, referência de deficiência, RH). Evite reações que, mesmo bem-intencionadas, ferem: a superproteção imediata, a compaixão excessiva ou, ao contrário, a minimização. O objetivo é que o colaborador saia com a sensação de ter sido ouvido, respeitado e apoiado — não julgado nem reduzido à sua doença. Essa habilidade se aprende, no cerne da formação de Deficiência Invisível da DYNSEO.

7. O acompanhamento de uma doença crônica custa caro para a empresa?

Muito menos do que se acredita, e bem menos do que o custo da inação. Muitas adaptações são gratuitas ou de baixo custo: flexibilidade de horários, teletrabalho, adaptação da carga, facilitação de consultas. Para os equipamentos e adaptações de posto, a AGEFIPH (setor privado) e o FIPHFP (setor público) podem cofinanciar uma grande parte das despesas quando o funcionário é reconhecido RQTH. Além disso, um funcionário RQTH é contabilizado na taxa de emprego de trabalhadores com deficiência (OETH). Acima de tudo, acompanhar permite evitar o custo significativo de um afastamento prolongado, de uma desinserção profissional ou da saída de um colaborador competente — sem contar o benefício no engajamento, na fidelização e na marca empregadora. O acompanhamento é, portanto, um investimento com retorno amplamente positivo.

8. É necessário treinar os gerentes para essas situações?

Sim, porque o principal obstáculo não é técnico, mas cultural: está relacionado à visão e aos reflexos dos gerentes. Um supervisor não treinado corre o risco, com as melhores intenções, de ser intrusivo (“o que você tem?”), de superproteger, de duvidar da realidade de uma fadiga invisível ou de cometer erros de confidencialidade. Um gerente treinado sabe respeitar a vida privada, centrar-se nas necessidades, criar um clima de confiança, implementar adaptações e contar com os recursos adequados. A formação “Deficiência invisível: o que o gerente deve saber” da DYNSEO, certificada pela Qualiopi e 100% online, fornece essas diretrizes. Ela abrange todas as situações de deficiência invisível, incluindo doenças crônicas, e é oferecida em formato intra ou inter-empresa.

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