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🏠 AVC · Retorno ao domicílio · Famílias & Cuidadores

Retorno ao domicílio após um AVC :
organizar e ter sucesso no retorno para casa

Preparar o domicílio, coordenar os intervenientes, apoiar a reabilitação no dia a dia e preservar a saúde do cuidador — o guia completo para as famílias e os profissionais que acompanham o retorno ao domicílio após um AVC

📖 Leitura : ~23 min✅ Atualizado 2026🏠 Famílias & profissionais de saúde
150 000AVCs ocorrem a cada ano na França
70 %dos sobreviventes de AVC retornam ao domicílio após a reabilitação
J+30o retorno ao domicílio ocorre em média 30 dias após o AVC para os casos moderados
80 %dos cuidadores pós-AVC descrevem o retorno ao domicílio como a fase mais difícil

O retorno para casa após um AVC é frequentemente descrito pelas famílias como o momento mais desestabilizador de todo o percurso — ainda mais do que a emergência hospitalar. Na instituição de reabilitação, seu ente querido estava cercado constantemente por profissionais. Em casa, é você quem assume o controle, muitas vezes sem formação específica, às vezes sem sequer ter sido preparado para o que o aguarda. Este guia completo foi concebido para lhe dar todas as chaves: como preparar a casa, como organizar os cuidados, como apoiar a reabilitação no dia a dia, e — acima de tudo — como não se perder você mesmo nesta nova missão.

1. Compreender o retorno para casa após um AVC: um momento crucial

O retorno para casa não é um fim — é uma nova etapa do percurso de recuperação. Ele é frequentemente marcado por um entusiasmo misturado com preocupação, uma alegria de reencontrar seu lar temperada pela descoberta brutal do que a vida com sequelas significa concretamente. Compreender os desafios desta etapa é dar-se os meios para atravessá-la com método.

1.1 Por que o retorno para casa é tão difícil?

🏥

A transição do ambiente hospitalar para a realidade do lar

No SSR (Serviço de Cuidados de Continuidade e Reabilitação), seu ente querido se beneficiava de sessões diárias de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, um ambiente adaptado e de supervisão médica constante. Em casa, tudo isso deve ser recriado e coordenado pela família — muitas vezes da noite para o dia, sem uma transição real.

😰

A descoberta das sequelas na vida real

Na reabilitação, o ambiente é pensado para pessoas com deficiência. Em casa, cada escada, cada porta estreita, cada banheiro não adaptado se torna um obstáculo. As sequelas que pareciam gerenciáveis na instituição podem parecer intransponíveis em um ambiente comum não adaptado.

💔

O choque do "novo normal"

Para seu ente querido e para você, o retorno para casa confronta as sequelas de forma crua e permanente. A casa — lugar habitual de vida — é agora o terreno diário da deficiência. Isso pode gerar um luto pelo "antes" particularmente intenso para todos os membros do lar.

📋

A complexidade administrativa e logística

Processo MDPH, solicitação de APA, implementação dos serviços de ajuda domiciliar, organização das sessões de reabilitação ambulatorial, adaptação da residência — tudo isso acontece ao mesmo tempo, muitas vezes em um prazo muito curto antes da saída do SSR, enquanto a família já está emocionalmente exausta.

1.2 O que a pesquisa diz sobre o retorno para casa bem-sucedido

Os estudos sobre o retorno para casa pós-AVC identificam vários fatores que fazem a diferença entre um retorno que ocorre bem e um retorno que resulta em re-hospitalização ou esgotamento do cuidador:

  • A preparação antecipada — os retornos para casa preparados com pelo menos 2 semanas de antecedência têm resultados melhores do que aqueles organizados na urgência
  • A formação dos cuidadores — as famílias treinadas nos gestos de apoio e na comunicação adequada vivem um retorno significativamente menos difícil
  • A continuidade da reabilitação — manter uma reabilitação intensiva em casa nos primeiros 6 meses maximiza a recuperação
  • O apoio psicológico precoce — para o paciente E para o cuidador, desde as primeiras semanas em casa
  • A coordenação dos intervenientes — um plano de cuidados claro, com papéis definidos para cada profissional, reduz as rupturas e as redundâncias

2. Preparar o retorno para casa: a checklist completa

Idealmente, a preparação do retorno para casa começa durante a estadia no SSR, não no dia da saída. A equipe de reabilitação — e especialmente o terapeuta ocupacional — pode ajudá-lo a antecipar e organizar. Aqui estão as grandes etapas a não negligenciar.

2.1 A visita domiciliar do terapeuta ocupacional

A visita domiciliar do terapeuta ocupacional antes da saída do SSR é uma das ações mais importantes para o sucesso do retorno. Ela permite avaliar os obstáculos reais de sua casa, recomendar as adaptações prioritárias e prescrever as ajudas técnicas adequadas às sequelas específicas de seu ente querido. Não volte sem ter organizado ou pelo menos solicitado essa visita.

💡

A fazer antes da saída do SSR: Peça explicitamente à equipe de reabilitação a organização de uma visita domiciliar do terapeuta ocupacional, se não for proposta espontaneamente. Esta visita pode ser coberta no âmbito da estadia — informe-se junto à assistente social do serviço.

2.2 Adaptar a casa cômodo por cômodo

🚿

Banheiro / WC

  • Barra de apoio ao lado do WC
  • Cadeira de banho ou de banheira
  • Tapetes antiderrapantes
  • Barra de chuveiro ao alcance
  • Elevador de WC se necessário
  • Torres de registro de alavanca única
🛏️

Quarto

  • Altura da cama adequada
  • Barra de cama ou suporte
  • Caminho de luz noturna
  • Mesinha de cabeceira acessível do lado certo
  • Telefone ou campainha ao alcance
  • Espaço de circulação suficiente
🍽️

Cozinha / refeições

  • Utensílios adaptados (talheres ergonômicos)
  • Pratos com borda antiderrapante
  • Copos adaptados (bico vertedor)
  • Altura da bancada de trabalho adequada
  • Espessantes se disfagia
  • Alimentos fáceis de manusear
🚪

Circulação / acesso

  • Remoção de tapetes e obstáculos
  • Corrimão sólido na escada (dos dois lados)
  • Iluminação automática noturna
  • Limiares de portas removidos se cadeira de rodas
  • Andador ou bengala acessíveis
  • Campainha ou interfone se entrada

2.3 As ajudas técnicas essenciais

As ajudas técnicas são os equipamentos que compensam os déficits funcionais e permitem que seu ente querido mantenha uma certa autonomia. Elas são prescritas pelo terapeuta ocupacional e podem ser parcialmente financiadas pela APA, MDPH ou pelo plano de saúde.

Ajudas técnicasIndicação principalFinanciamento possível
Cadeira de rodas manual ou elétricaHemiplegia severa, distúrbios de equilíbrio significativosMDPH / Sécu
Andador / quadro de marchaDistúrbios de equilíbrio, hemiplegia leve a moderadaSécu (sob prescrição)
Bengala simples ou tripéDistúrbios de equilíbrio leves, apoio lateralSécu (sob prescrição)
Cama hospitalarDificuldades de transferência, risco de escaras, dependência significativaAPA / Sécu
Elevador de pessoaDependência severa, transferências difíceis ou impossíveis manualmenteMDPH / APA
Tablet de comunicação aumentadaAfasia severa, comunicação verbal muito alteradaMDPH
TeleassistênciaRisco de queda, períodos sozinho em casaAPA / Mutuelle

3. Organizar os cuidados em casa: construir a equipe multidisciplinar

Um dos principais desafios do retorno para casa é organizar a continuidade dos cuidados que eram assegurados na instituição por uma equipe completa. Em casa, essa equipe deve ser reconstituída — muitas vezes do zero — pela família, com a ajuda da assistente social do SSR e do médico responsável.

3.1 Os intervenientes a serem implementados desde o retorno

1

O médico responsável: pivô da coordenação

Informe o médico responsável sobre a data de retorno antes da saída do SSR. Transmita a ele o relatório de internação assim que possível. Ele é o coordenador central — prescrições de reabilitação, acompanhamento dos fatores de risco, orientação para os especialistas, renovação das receitas. Preveja uma consulta nas 48 a 72 horas após o retorno.

2

O fisioterapeuta em casa

A prescrição de fisioterapia em casa deve ser obtida antes da saída do SSR. A continuidade da reabilitação motora é essencial, especialmente nos primeiros 6 meses. Procure um fisioterapeuta com experiência em neurologia — as técnicas variam significativamente conforme a especialidade.

3

A fonoaudióloga em casa

Se seu ente querido apresenta afasia, disartria ou disfagia, a prescrição de fonoaudiologia em casa é uma prioridade absoluta. A reabilitação da linguagem e da deglutição requer continuidade — qualquer interrupção retarda a recuperação. Solicite uma prescrição de ritmo elevado (3 a 5 sessões por semana) na fase inicial.

4

A enfermeira em casa

Para os cuidados de enfermagem diários (curativos, injeções, supervisão médica, ajuda com medicamentos), a enfermeira liberal ou o SSIAD (Serviço de Cuidados de Enfermagem Domiciliar) assegura a supervisão clínica diária que você não pode assumir sozinho. O SSIAD também cuida do banho e dos cuidados de higiene.

5

A ajuda domiciliar / auxiliar de vida

Para os atos da vida cotidiana (ajuda com o banho, refeições, vestir-se, deslocamentos), o auxiliar de vida treinado completa a equipe de cuidados. Ela pode ser financiada pela APA. Escolha, se possível, uma auxiliar com experiência com pacientes pós-AVC.

🎓

Formação: Retorno para casa após um AVC — organizar e ter sucesso no retorno para casa

Esta formação online DYNSEO, certificada Qualiopi, é projetada para as famílias e os cuidadores de pessoas que sofreram um AVC, bem como para os profissionais do setor médico-social. Ela abrange a preparação do retorno para casa, a organização dos cuidados, as técnicas de apoio diário, a gestão das sequelas cognitivas e emocionais, e a preservação da saúde do cuidador. Disponível online, no seu ritmo, sem restrição de horário. Financiável OPCO para os profissionais.

Descubra a formação →

4. A formação DYNSEO para ter sucesso no retorno para casa após um AVC

Voltar para casa após um AVC sem formação ou preparação é frequentemente avançar tateando em uma situação complexa. A formação é o investimento mais rentável que você pode fazer para si mesmo e para seu ente querido.


Formação DYNSEO: Retorno para casa após um AVC

A formação DYNSEO "Retorno para casa após um AVC: organizar e ter sucesso no retorno para casa" o guia passo a passo por todas as dimensões dessa transição: preparação da casa, organização dos cuidados, apoio à reabilitação, comunicação adequada com seu ente querido afásico, gestão dos distúrbios comportamentais e da depressão pós-AVC, e estratégias para preservar sua própria saúde de cuidador. Certificada Qualiopi, financiável OPCO para os profissionais de saúde e do setor médico-social.

5. Apoiar a reabilitação no dia a dia: seu papel em casa

Entre as sessões de fisioterapia e fonoaudiologia, a casa é um campo de treinamento permanente. A família desempenha um papel insubstituível na continuidade da reabilitação — desde que conheça os gestos e atitudes corretas.

5.1 Apoiar sem superproteger: o princípio chave

⚖️ A regra de ouro do acompanhamento pós-AVC

Cada gesto que você faz no lugar do seu ente querido é um gesto de recuperação perdido. A plasticidade cerebral se alimenta do esforço — é o esforço repetido que cria novas conexões neuronais. Seu papel não é facilitar a todo custo, mas acompanhar o esforço com segurança: estar presente, encorajar, garantir segurança — sem assumir o que seu ente querido pode fazer sozinho, mesmo que lentamente, mesmo que imperfeitamente.

5.2 Os exercícios a serem feitos em casa entre as sessões

🏃 Exercícios motores diários

  • Caminhada curta e regular (adaptar a distância)
  • Exercícios de equilíbrio prescritos pelo fisioterapeuta
  • Trabalho da mão parética (objetos para manipular)
  • Exercícios de transferência (levantar/sentar)
  • Atividades manuais adaptadas (cozinha leve)
  • Alongamentos e mobilização passiva se prescritos

🧠 Exercícios cognitivos diários

  • Exercícios de fonoaudiologia a serem feitos em casa
  • Leitura em voz alta (se afasia em recuperação)
  • Jogos de memória e atenção adaptados
  • Estimulação via o aplicativo FERNANDO (10-20 min)
  • Conversas regulares e estimulantes
  • Atividades da vida cotidiana (autonomia)
📱

Aplicativo FERNANDO — Estimulação cognitiva para adultos após AVC

O aplicativo FERNANDO da DYNSEO oferece exercícios de atenção, memória, linguagem e funções executivas, adaptados para adultos em reabilitação pós-AVC. Interface simples, sessões curtas de 10 a 20 minutos, progressão suave — ideal para complementar as sessões profissionais com uma estimulação diária em casa.

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5.3 Comunicar-se com uma pessoa afásica: as técnicas que funcionam

Se seu ente querido apresenta afasia, a comunicação é um dos desafios mais intensos do dia a dia. Aqui estão as estratégias validadas pelos fonoaudiólogos para manter uma comunicação eficaz e acolhedora, apesar dos distúrbios da linguagem.

1

Criar as condições ideais

Fale de frente para seu ente querido, em um lugar calmo, sem distrações sonoras (televisão desligada). Mantenha o contato visual. Adote um ritmo lento, frases curtas, uma voz calma. O ambiente pode amplificar ou reduzir consideravelmente as dificuldades de comunicação.

2

Utilizar todos os canais de comunicação

A comunicação não passa apenas pelas palavras. Os gestos, as expressões faciais, as imagens, os desenhos simples, os suportes escritos ou os aplicativos de comunicação aumentativa (como MEU DICIONÁRIO para situações de não-verbal) — todos esses canais podem complementar ou substituir a fala deficiente.

3

Dar tempo, não antecipar

A tentação de terminar as frases do seu ente querido é forte — mas isso priva a pessoa de um exercício precioso e pode ser vivida como desvalorizante. Espere pacientemente, permita os silêncios. Se seu ente querido está procurando uma palavra, você pode oferecer opções ("você quer dizer X ou Y?") em vez de adivinhar unilateralmente.

🔊

Imaginação de sons complexos + Quadro de acompanhamento articulatório DYNSEO

Essas ferramentas gratuitas DYNSEO apoiam o trabalho de reabilitação da articulação e da linguagem entre as sessões de fonoaudiologia. O imaginário facilita a produção de sons complexos; o quadro de acompanhamento articulatório permite rastrear os progressos e manter a motivação. Utilizáveis em casa, de forma autônoma ou com um ente querido.

Acessar as ferramentas gratuitas

6. Lidar com as sequelas emocionais e comportamentais em casa

As sequelas emocionais do AVC — depressão, ansiedade, labilidade emocional, irritabilidade — são frequentemente as mais difíceis de lidar no dia a dia e as menos compreendidas pelo entorno. Elas têm uma base neurológica direta tanto quanto psicológica.

6.1 A depressão pós-AVC: reconhecê-la e agir

A depressão pós-AVC afeta entre 30 e 40% dos sobreviventes no primeiro ano. Ela se manifesta por uma tristeza persistente, desinteresse pela reabilitação, choros frequentes, perda de impulso e, às vezes, pensamentos sombrios. Não é uma fraqueza de caráter — tem uma componente neurológica direta relacionada às lesões cerebrais — e pode retardar consideravelmente a recuperação se não for tratada.

⚠️ Não normalize a depressão pós-AVC. Se seu ente querido apresenta sinais de depressão persistentes (mais de 2 semanas), informe imediatamente ao médico responsável. Tratamentos eficazes existem — antidepressivos adequados e psicoterapia — e podem transformar significativamente a trajetória de recuperação. Uma depressão não tratada pode retardar a recuperação motora tanto quanto a cognitiva.

6.2 A labilidade emocional: entender para não ser desestabilizado

A labilidade emocional — risos ou choros súbitos e incontroláveis sem relação aparente com a situação — é uma das manifestações mais desestabilizadoras para o entorno. Ela afeta cerca de 20% dos sobreviventes de AVC. Sua causa é neurológica: lesões nos circuitos de controle emocional provocam reações emocionais desproporcionais ou inadequadas.

💡

Em caso de um episódio de labilidade emocional: não tente consolar ou questionar a causa — mantenha a calma, desvie suavemente a atenção para outra coisa e não reforce o episódio com uma reação emocional da sua parte. Sua serenidade é o melhor regulador. Informe a frequência e a intensidade dos episódios ao neurologista — um tratamento medicamentoso pode ser proposto.

🌡️

Termômetro das emoções DYNSEO

Ferramenta visual para ajudar seu ente querido a identificar e apontar suas emoções quando a linguagem é difícil. Útil também para ajudá-lo a entender melhor o estado emocional do momento e adaptar seu acompanhamento em consequência. Disponível para download gratuito.

Acessar a ferramenta gratuita

7. As ajudas financeiras para o retorno a casa após um AVC

O retorno a casa após um AVC pode representar um custo significativo — adaptação da moradia, ajudas técnicas, serviços domiciliares, reabilitação ambulatorial. Felizmente, muitas ajudas financeiras existem e podem cobrir uma grande parte dessas despesas. O assistente social do SSR é seu primeiro interlocutor para identificá-las e solicitá-las.

7.1 As principais ajudas disponíveis

  • APA (Auxílio Personalizado de Autonomia) — para pessoas acima de 60 anos em perda de autonomia. Pode financiar a ajuda domiciliar, o material médico, a acolhida diurna. Apresente o dossiê ao Conselho Departamental assim que sair do SSR.
  • PCH (Prestação de Compensação da Deficiência) — para menores de 60 anos. Pode financiar ajudas humanas, ajudas técnicas, adaptação da moradia e do veículo.
  • MaPrimeAdapt' — ajuda do Estado para obras de adaptação da moradia (chuveiro italiano, barras de apoio, alargamento das portas...). De 50 a 70% do valor das obras, dependendo da renda.
  • ANAH (Agência Nacional da Habitação) — subsídios complementares para obras de adaptação para rendas modestas.
  • Crédito de imposto ajuda domiciliar — 50% das despesas em serviços domiciliares dedutíveis dos impostos.
  • Cobertura da Segurança Social — fisioterapia, fonoaudiologia, SSIAD, enfermeiro(a) liberal, material médico sob prescrição: coberto a 100% em ALD (Doença de Longa Duração). Verifique se o AVC está devidamente reconhecido em ALD 1.
  • Licença de cuidador + AJPA — se você precisar reduzir ou suspender sua atividade profissional para acompanhar seu ente querido, pode se beneficiar de uma licença remunerada.
  • Ajudas das seguradoras — muitos contratos preveem pacotes "ajuda domiciliar" ou "retorno a casa após hospitalização" — verifique seu contrato.

7.2 A MDPH: sua aliada para os direitos à deficiência

Se seu ente querido apresenta sequelas importantes, o reconhecimento da deficiência pela MDPH (Casa Departamental das Pessoas com Deficiência) abre direitos significativos: PCH, cartão de inclusão de mobilidade, RQTH se seu ente querido estiver em idade de trabalhar, AAH conforme a situação. Apresente o dossiê assim que voltar para casa — os prazos de instrução são longos (geralmente de 4 a 6 meses).

8. Prevenir a recaída: a vigilância contínua no dia a dia

Após um AVC, o risco de recorrência é real — cerca de 10 a 15% dos pacientes sofrem um segundo AVC no ano seguinte ao primeiro. A prevenção secundária é uma prioridade absoluta e a família está na linha de frente para garantir que os fatores de risco sejam controlados.

💊

Tratamento anticoagulante ou antiagregante

Dependendo da causa do AVC, seu ente querido toma anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários. Esses medicamentos nunca devem ser interrompidos sem orientação médica. Um organizador semanal de medicamentos e lembretes de tomada são essenciais para a adesão.

🩺

Controle da pressão arterial

A hipertensão é o principal fator de risco para AVC. Meça regularmente a pressão em casa (esfigmomanômetro recomendado) e anote os valores para as consultas. Qualquer desvio importante deve ser informado ao médico.

🏃

Atividade física adaptada

A atividade física regular reduz significativamente o risco cardiovascular. Mesmo uma caminhada diária de 20 a 30 minutos tem um efeito protetor mensurável. Peça uma prescrição de APA (Atividade Física Adaptada) se seu ente querido tiver limitações importantes.

📅

Acompanhamento médico regular

Consultas regulares com o médico responsável, o cardiologista e o neurologista conforme as prescrições. Não perca nenhuma consulta de acompanhamento — os ajustes terapêuticos precoces reduzem significativamente o risco de recaída.

9. Cuidar de si mesmo: o cuidador pós-AVC frente ao esgotamento

O retorno a casa muitas vezes transforma abruptamente um ente querido em cuidador em tempo integral, sem preparação, sem formação, sem apoio organizado. O esgotamento espreita desde as primeiras semanas — e é ainda mais insidioso porque se instala gradualmente, mascarado pela adrenalina dos primeiros dias e pelo sentimento de obrigação.

9.1 Os primeiros meses: o período crítico para o cuidador

Os três primeiros meses após o retorno a casa são os mais intensos e os mais propensos ao esgotamento para o cuidador. A carga é máxima — cuidados a organizar, reabilitação a apoiar, administração a gerenciar, vida profissional a manter — e as soluções de descanso muitas vezes ainda não estão em vigor.

« Tiraram meu marido do SSR numa segunda-feira com um fichário de prescrições e uma consulta com o médico na sexta-feira. Entre os dois, eu estava sozinha com ele, suas angústias e meus próprios medos. Eu teria dado qualquer coisa para que me explicassem como lidar com isso. »

— Depoimento de uma esposa cuidadora após o retorno a casa de seu marido pós-AVC
  • Pedir acompanhamento psicológico assim que voltar — para você, não apenas para seu ente querido. O choque pós-traumático do AVC também afeta o entorno.
  • Organizar soluções de descanso desde a primeira semana — não espere o esgotamento para implementá-las
  • Contatar a France AVC (0 800 130 000) para ser colocado em contato com outros cuidadores e recursos locais
  • Planejar as trocas com os outros membros da família — um cronograma claro evita que tudo recaia sobre uma única pessoa
  • Manter pelo menos uma atividade pessoal semanal — esporte, hobby, saída com amigos — mesmo que curta
  • Se formar — a formação reduz a ansiedade e aumenta a sensação de competência, dois fatores protetores contra o esgotamento

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Forme-se para ter sucesso no retorno a casa

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Ter sucesso no retorno a casa: organizar-se, formar-se, não ficar sozinho

O retorno a casa após um AVC é uma etapa exigente que deve ser preparada e organizada. Com as adaptações certas, os intervenientes adequados, as ferramentas certas e uma formação adaptada, pode se tornar o ponto de partida para uma verdadeira recuperação — para seu ente querido e para você que o acompanha.

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FAQ — Retorno ao lar após um AVC

Q1 Quanto tempo antes é necessário preparar o retorno ao lar?

Idealmente, a preparação do retorno ao lar começa na segunda semana de internação em SSR — ou seja, cerca de 2 a 3 semanas antes da saída efetiva. Esse prazo permite organizar a visita do terapeuta ocupacional, implementar as ajudas domiciliares, apresentar os processos APA ou MDPH e realizar as adaptações prioritárias. Infelizmente, em muitos casos, o prazo de aviso é muito mais curto. Se você se encontrar nessa situação, priorize: a segurança do lar e a organização dos cuidados médicos imediatos primeiro, as adaptações mais confortáveis depois.

Q2 Meu familiar não quer ajuda domiciliar. Como lidar com a recusa dele?

A recusa da ajuda é muito comum após um AVC — por negação das dificuldades, por pudor, por medo de perder a autonomia, ou por anosognosia (falta de consciência das sequelas). Algumas abordagens que podem ajudar: apresentar a ajuda como temporária e ligada à reabilitação ("apenas o tempo que você se recuperar"); começar com uma ajuda limitada em duração e em tarefas para habituar gradualmente; fazer o médico responsável ou o neurologista intervir, que muitas vezes têm mais autoridade percebida; fazer outros pacientes de AVC que se beneficiaram de ajuda domiciliar testemunharem. Se a recusa comprometer a segurança do seu familiar, é uma questão a ser abordada com a equipe médica.

Q3 Quando devemos ligar para o 15 após um retorno ao lar pós-AVC?

Ligue para o 15 imediatamente se seu familiar apresentar: um novo déficit neurológico súbito (paralisia de um membro, distúrbio de linguagem súbito, perda de visão) — sinais de recorrência de AVC; uma confusão aguda ou uma desorientação incomum; uma queda com perda de consciência ou traumatismo craniano; uma dificuldade respiratória súbita; convulsões. Para situações menos urgentes (queda sem perda de consciência, alteração do tratamento, dúvida médica): ligue para o médico responsável ou para o 15 para orientação conforme a hora. Em caso de dúvida, ligue para o 15 — é melhor um falso alarme do que um AVC não tratado.

Q4 O aplicativo MON DICO pode ajudar uma pessoa afásica a se comunicar?

O aplicativo MON DICO da DYNSEO é um aplicativo de comunicação aumentativa e alternativa, inicialmente desenvolvido para pessoas não verbais (autismo, deficiência), mas que pode ser adaptado para situações de afasia severa pós-AVC onde a comunicação verbal é muito limitada. Ele permite que a pessoa escolha pictogramas para expressar suas necessidades, emoções e pedidos. Deve ser utilizado em complemento às ferramentas recomendadas pelo fonoaudiólogo, que pode orientar a configuração de acordo com as necessidades específicas do seu familiar.

Q5 Como saber se a reabilitação domiciliar está progredindo o suficiente ou se é necessário solicitar uma nova internação em SSR?

A progressão da reabilitação deve ser avaliada regularmente pelos profissionais que acompanham seu familiar — fisioterapeuta, fonoaudiólogo, neurologista. Sinais que podem indicar que uma reavaliação é necessária: plateau prolongado sem melhora (mais de 4 a 6 semanas sem progressos observáveis); agravamento súbito dos sintomas; complicações médicas intercurrentes (infecção, dor mal controlada); situações de comportamento impossível de gerenciar em casa. Uma nova internação para reabilitação intensiva é possível — e às vezes muito benéfica — mesmo após vários meses em casa. Solicite uma opinião ao neurologista ou ao médico de medicina física e reabilitação (MPR).

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