Formação interna e distúrbios DIS: adaptar seus materiais pedagógicos para ser inclusivo
Na França, 1 funcionário a cada 10 é afetado por um distúrbio DIS. No entanto, quase todos os materiais de formação interna são projetados para aprendizes neurotípicos. Aqui está como mudar isso — sem refazer todo o seu catálogo de formação.
Um PowerPoint com 80 palavras por slide. Um manual de procedimentos em corpo 10 sobre fundo branco. Uma avaliação cronometrada em QCM. Um e-learning totalmente textual sem síntese vocal. Esses formatos são a norma na grande maioria das formações internas francesas — e eles constituem tantas barreiras invisíveis para os 8 a 12% de funcionários DIS que seguem essas formações. A inclusão não se limita à contratação e à adaptação do posto de trabalho: ela também passa pela formação. Este guia prático lhe dá os princípios e as ferramentas para adaptar seus materiais de formação sem reinventá-los completamente, e fazer do seu catálogo de formação um alavanca de inclusão real.
1. Por que a formação interna frequentemente exclui os aprendizes DIS
1.1 O perfil do aprendiz DIS em formação profissional
Um colaborador DIS em formação interna enfrenta um paradoxo: ele é frequentemente muito competente em sua área de atuação, mas os formatos pedagógicos clássicos mobilizam precisamente as funções cognitivas que lhe causam mais dificuldades — leitura rápida, memorização ortográfica, tomada de notas manuscritas, processamento de textos densos. A diferença entre suas competências reais e seu desempenho em formação pode ser espetacular — e mal interpretada pelo formador ou pelo gerente.
O resultado é duplamente prejudicial: para o colaborador, que vive a formação como um momento de exposição e vergonha em vez de aprendizado, e para a empresa, que investe em formações cuja eficácia é consideravelmente reduzida para uma parte significativa de seus aprendizes. Adaptar os materiais de formação DIS é, portanto, um investimento pedagógico — não uma concessão.
funcionários franceses afetados por um distúrbio DIS — ou seja, vários milhões de aprendizes em formação interna a cada ano
de eficácia pedagógica estimada para um aprendiz DIS diante de um material não adaptado (Inserm / INRP)
de melhoria na retenção dos aprendizados com materiais multimodais (vídeo + texto + áudio) para os aprendizes DIS
de custo adicional para a maioria das adaptações de formato DIS — elas melhoram a experiência de TODOS os aprendizes
1.2 Os 5 erros mais frequentes nas formações internas
Textos densos sem formatação estruturada · Fontes serif em corpo 10-11 · Slides sobrecarregadas de texto · Avaliações cronometradas apenas por escrito · E-learning sem opção de áudio · Manuais em preto e branco sem referências visuais · Instruções orais não confirmadas por escrito · Tempo de leitura insuficiente · Sem possibilidade de reler no seu ritmo
Formatação estruturada com títulos e marcadores claros · Fonte sem serifa em corpo 12-14 mínimo · Slides arejados com uma ideia por slide · Avaliações flexíveis (oral possível, tempo adaptado) · E-learning com síntese de voz integrada · Referências visuais coloridas · Confirmação escrita das instruções orais · Tempo de leitura adaptado · Materiais disponíveis antes da formação
2. Os 7 princípios de design inclusivo DIS
Tipografia acessível
Fontes sem serifa (Arial, Calibri, OpenDyslexic), corpo mínimo 12 pt em documentos, 20 pt em slides. Espaçamento de 1,5 mínimo. Nunca texto em itálico em bloco.
Estrutura visual forte
Hierarquia visual evidente (títulos, subtítulos, corpo). Uso de marcadores em vez de parágrafos longos. Uma ideia por ponto. Caixas para os pontos-chave.
Multi-modalidade sistemática
Cada conteúdo importante em pelo menos 2 formatos: texto + visual, texto + áudio, diagrama + explicação. Nunca se apoiar em um único canal de transmissão.
Cores funcionais
Fundo levemente creme ou marfim em vez de branco puro (reduz o efeito de papel tremido). Cores para codificar a informação, não apenas para decorá-la. Contraste suficiente.
Divisão do conteúdo
Dividir a informação em pequenos blocos (chunks) de 3 a 5 elementos no máximo. Pausas regulares. Resumos frequentes. Sequenciamento claro com marcos de progresso.
Flexibilidade das modalidades de avaliação
Não avaliar apenas por escrito cronometrado. Propor alternativas: oral, QCM sem limite de tempo, produção oral gravada, ou tempo adicional sob solicitação.
Antecipação e materiais prévios
Transmitir os materiais com antecedência (mínimo 48h) para que o aprendiz DIS possa se preparar, ler no seu ritmo e chegar à formação sem sobrecarga de decodificação.
3. Adaptar cada tipo de material: o guia formato por formato
Apresentações PowerPoint / Slides
- Máximo 30 palavras por slide
- Fonte sem serifa, tamanho 24 mínimo
- Fundo marfim ou cinza muito claro
- Imagens/ícones para cada conceito chave
- Numeração clara dos slides
- Plano visível no início da seção
- Resumo no final do módulo
Documentos Word / PDF
- Fonte OpenDyslexic ou Arial, corpo 12-14
- Espaçamento de 1,5 ou duplo
- Márgenes largas (3 cm min)
- Títulos H1/H2/H3 com estilos
- Fundo levemente colorido se possível
- Glossário no final do documento
- Versão áudio disponível sob solicitação
E-learning e módulos digitais
- Sintetizador de voz em todo o texto
- Vídeo com legendas
- Navegação não cronometrada
- Possibilidade de reler cada módulo
- Quiz sem limite de tempo
- Resumo baixável de cada módulo
- Interface simples, poucos cliques
Vídeos e tutoriais
- Legendas sistemáticas
- Ritmo de fala moderado
- Resumo escrito associado a cada vídeo
- Capítulos claros com títulos
- Transcrição baixável
- Visuais esquemáticos para os conceitos
Avaliações e QCM
- Tempo ilimitado ou aumentado em 30 %
- Fonte e formato acessíveis
- Perguntas claras e sem ambiguidades
- Possibilidade de responder oralmente
- Não mais de 10 perguntas por sessão
- Feedback imediato após cada resposta
Guias de procedimentos / Manuais
- Fichas de etapas ilustradas (sem texto isolado)
- Pictogramas para as ações-chave
- Versão plastificada em posto de trabalho
- Código QR para versão áudio/vídeo
- Cores para codificar as etapas
- Checklist de verificação no final da ficha

Distúrbios DIS em empresa: identificar, adaptar e valorizar
Esta formação 100 % online dá aos gerentes, DRH e formadores internos as chaves para identificar os colaboradores DIS, adaptar os materiais de formação e as situações de trabalho, e valorizar as forças específicas dos perfis DIS na empresa. Inclui um módulo completo sobre a concepção de materiais pedagógicos inclusivos. Certificada Qualiopi, financiável pelo OPCO, disponível em licenças multi-colaboradores para toda a equipe de formação.
Descobrir a formação →4. O quadro legal da formação inclusiva
4.1 Obrigações legais em matéria de formação acessível
A lei de 11 de fevereiro de 2005 impõe ao empregador garantir o acesso à formação profissional para trabalhadores com deficiência nas mesmas condições que os outros funcionários. A ausência de adaptação dos materiais de formação para um colaborador DIS reconhecido RQTH pode constituir uma violação dessa obrigação. A lei Avenir profissional de 2018 reforçou essa obrigação ao impor que os organismos de formação integrem critérios de acessibilidade em sua certificação Qualiopi.
Para as empresas com uma Missão Deficiência, a adaptação dos materiais de formação interna é uma ação valorizável no acordo de deficiência e no relatório OETH. A AGEFIPH pode cofinanciar a adaptação das formações internas para as empresas que solicitarem através de seu plano de desenvolvimento de competências — especialmente as formações e-learning acessíveis, as ferramentas de síntese de voz e os serviços de consultoria em acessibilidade pedagógica.
4.2 O referencial Qualiopi e a acessibilidade
Desde 2022, o referencial Qualiopi integra critérios de acessibilidade para pessoas em situação de deficiência (indicador 2 do critério 7). Os organismos de formação certificados Qualiopi devem demonstrar que possuem uma abordagem de adaptação das formações para os aprendizes em situação de deficiência. Para as empresas que oferecem formações internas sob sua própria certificação Qualiopi — ou para aquelas que recorrem a organismos externos — esse critério é um fator de exigência sobre a acessibilidade DIS das formações adquiridas.
💡 Boa prática: Integrar sistematicamente em suas propostas de formação uma cláusula de acessibilidade DIS: "O prestador garante que os materiais de formação são acessíveis aos aprendizes dislexicos, disortográficos e dispraxicos, de acordo com o referencial Qualiopi e as recomendações FALC." Esta cláusula simples melhora significativamente a qualidade das formações adquiridas para todos os seus aprendizes.
5. Ferramentas digitais para tornar suas formações DYS-acessíveis
5.1 As soluções gratuitas ou de baixo custo
| Ferramenta | Uso pedagógico | Perfis DYS beneficiários | Custo |
|---|---|---|---|
| Microsoft Immersive Reader | Leitura em voz alta, espaçamento das palavras, destaque silábico integrado no Office e Teams | Dislexia, disortografia | Gratuito (incluído no Office 365) |
| Fonte OpenDyslexic | Fonte tipográfica especialmente projetada para facilitar a leitura dos dislexicos, disponível para download gratuito | Dislexia | Gratuito |
| Google Read&Write | Síntese de voz, previsão de palavras, dicionário pictográfico, disponível no Chrome | Dislexia, disortografia, disfasia | Freemium |
| Antidote | Correção ortográfica e gramatical avançada, guia linguístico integrado | Disortografia | ~100 €/ano |
| Otter.ai / Whisper | Transcrição automática das formações orais, permitindo que os aprendizes DYS tenham um relatório escrito preciso | Todos os perfis DYS | Freemium |
| Canva (modelos acessíveis) | Criação de materiais visuais com fontes acessíveis e contrastes adequados, mais rápido que PowerPoint | Formadores criando materiais DYS-friendly | Freemium |
🎓 Forme seus formadores internos na concepção DYS-inclusiva
A formação Distúrbios DIS na empresa: identificar, adaptar e valorizar da DYNSEO dá aos seus formadores internos as ferramentas concretas para adaptar seus materiais. Certificável Qualiopi, financiável OPCO, disponível em licenças multi-colaboradores para toda a sua equipe pedagógica.
6. A formação inclusiva beneficia a todos — não apenas aos DYS
6.1 O efeito universal do design acessível
Um princípio fundamental do Universal Design for Learning (UDL) — o quadro pedagógico de referência para o design inclusivo — é que as adaptações projetadas para aprendizes com necessidades específicas melhoram a experiência de todos. As legendas dos vídeos beneficiam os aprendizes em ambientes barulhentos. Os slides arejados beneficiam os aprendizes que consultam no celular. Os materiais enviados com antecedência beneficiam os aprendizes que se preparam para as formações. O tempo extra em avaliações beneficia os aprendizes sob pressão de trabalho.
Adaptar suas formações para os aprendizes DYS não é, portanto, uma carga adicional para os formadores — é uma melhoria geral da qualidade pedagógica que beneficia todos os aprendizes e melhora o ROI de seus investimentos em formação.
7. Ferramentas DYNSEO para adaptar seus materiais de formação
📚 Guia de adaptação de suportes escritos DIS
O guia completo para reformatar seus documentos Word, PDF e apresentações para torná-los acessíveis aos aprendizes DIS.
Baixar →✅ Checklist de ferramentas digitais DIS
As soluções de software gratuitas e pagas para equipar seus aprendizes DIS durante as formações e-learning e presencial.
Baixar →📋 Grade de revisão ortográfica
Suporte para ajudar os colaboradores com disortografia a produzir escritos profissionais de qualidade durante as atividades de formação.
Baixar →🔤 Lembrete de confusões b/d p/q
Suporte visual discreto para os aprendizes disléxicos enfrentando confusões de letras durante as atividades escritas em formação.
Baixar →🔍 Ficha de identificação DIS adulto
Para que o formador interno possa identificar os aprendizes que poderiam se beneficiar de adaptações, sem diagnosticar.
Baixar →Aplicações DYNSEO recomendadas
🧠 FERNANDO — Estimulação adultos
Ferramenta de estimulação cognitiva para adultos, recomendável como complemento de remediação para os aprendizes DIS em formação profissional.
Saiba mais →💬 MEU DICO — Comunicação
Aplicação de comunicação aumentada, útil para os aprendizes com dificuldades de expressão oral em contexto de formação.
Saiba mais →Outras formações do catálogo B2B DYNSEO
❓ FAQ — Formação interna e distúrbios DIS
1. É necessário criar materiais de formação distintos para os aprendizes DIS?
Não — e essa é precisamente uma das ideias preconcebidas a desconstruir. A abordagem recomendada é o design universal (Universal Design for Learning): criar desde o início materiais acessíveis a todos, em vez de produzir versões paralelas. Um material bem projetado para os aprendizes DIS — arejado, tipografado de forma legível, multimodal, com áudio disponível — é um melhor material para todos os aprendizes. Isso simplifica a gestão e evita "sinalizar" os aprendizes DIS.
2. É necessário identificar os aprendizes DIS antes de uma formação para adaptar os materiais?
Não. O ideal é projetar materiais acessíveis por padrão, sem que nenhum aprendiz precise se sinalizar. Além disso, o formador pode oferecer no início da sessão opções de adaptação disponíveis para todos: "Eu envio os slides com antecedência para quem desejar", "Versões em áudio dos documentos estão disponíveis", "As avaliações podem ser feitas oralmente, se solicitado." Essas propostas universais permitem que os aprendizes DIS acessem as adaptações sem se expor.
3. A adaptação dos materiais de formação pode ser financiada pelo OPCO?
Sim. Os custos de engenharia pedagógica relacionados à adaptação das formações para aprendizes em situação de deficiência podem ser cobertos no âmbito do plano de desenvolvimento de competências, em ligação com a AGEFIPH para as empresas afetadas pela OETH. As ferramentas digitais de acessibilidade (licenças de síntese vocal, fontes adaptadas, softwares de auxílio à ortografia) também podem ser financiadas através desses dispositivos.
4. As formações e-learning existentes podem ser facilmente tornadas acessíveis DIS?
Isso depende da plataforma utilizada. A maioria dos LMS modernos (Moodle, Talentsoft, 360Learning) integra opções de acessibilidade: síntese vocal, navegação pelo teclado, ajuste do tamanho da fonte. Uma atualização das configurações da plataforma pode ser suficiente para melhorar significativamente a acessibilidade. Para os conteúdos e-learning (SCORM, vídeos), a adição de legendas e a criação de transcrições para download são as duas ações mais impactantes e menos custosas.
5. Como formar os formadores internos na pedagogia inclusiva DIS?
A formação DYNSEO "Distúrbios DIS na empresa" inclui um módulo dedicado aos formadores internos sobre a concepção de materiais acessíveis. Ela pode ser complementada por oficinas práticas de revisão de materiais existentes, conduzidas internamente após a formação. O objetivo é que cada formador interno tenha uma lista de verificação concreta de 10 ações a serem aplicadas sistematicamente em seus materiais — simples, memorável e aplicável sem sobrecarga de trabalho.
6. A fonte OpenDyslexic é realmente eficaz para aprendizes disléxicos?
Os estudos sobre a eficácia específica da fonte OpenDyslexic apresentam resultados mistos — alguns aprendizes a acham muito útil, outros preferem uma fonte sem serifa padrão como Arial ou Verdana. O essencial não é a fonte em si, mas as características tipográficas globais: sem serifa, espaçamento generoso entre as letras e as palavras, corpo suficientemente grande, fundo não branco. Oferecer a escolha entre várias fontes é a melhor abordagem para as formações digitais.
7. As adaptações para os DIS são compatíveis com as restrições de tempo dos formadores internos?
A maioria das adaptações essenciais requer apenas 15 a 30 minutos por material existente: aumentar o tamanho da fonte, arejar os slides, adicionar legendas a um vídeo existente com ferramentas automáticas (Teams, YouTube). É um investimento único — uma vez que um material é adaptado, ele está adaptado para todas as sessões seguintes. A lista de verificação DYNSEO de adaptação dos materiais permite realizar esse trabalho de forma sistemática e rápida.
8. Como avaliar as competências de um aprendiz DIS sem penalizar suas dificuldades ortográficas?
A avaliação das competências profissionais deve ser dissociada da avaliação das competências de redação se estas não estiverem diretamente relacionadas ao cargo. Alternativas eficazes: entrevista oral de avaliação, QCM sem limite de tempo, demonstração prática, portfólio de realizações, ou avaliação escrita com corretor ortográfico autorizado. Essas adaptações não reduzem a exigência — elas a focalizam nas competências realmente avaliadas.
🚀 Torne suas formações internas acessíveis a todos os seus colaboradores DIS
A formação Distúrbios DIS na empresa: identificar, adaptar e valorizar da DYNSEO é o recurso de referência para os formadores internos, gerentes e DRH que querem conceber formações realmente inclusivas. Certificável Qualiopi, financiável OPCO, implantável em licenças multi-colaboradores.
Este conteúdo ajudou-o? Apoie a DYNSEO 💙
Somos uma pequena equipa de 14 pessoas sediada em Paris. Há 13 anos que criamos conteúdos gratuitos para ajudar famílias, terapeutas da fala, lares de idosos e profissionais de cuidados.
O seu feedback é a única forma que temos de saber se este trabalho lhe é útil. Uma avaliação no Google ajuda-nos a chegar a outras famílias, cuidadores e terapeutas que dela precisam.
Um único gesto, 30 segundos: deixe-nos uma avaliação no Google ⭐⭐⭐⭐⭐. Não custa nada, e muda tudo para nós.